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Governo Lula promete desfazer no Senado ‘desfiguração’ do PL Antifacção aprovado na Câmara

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    Hugo Motta
    Hugo Motta e Guilherme Derrite / Foto Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados


    Texto-base, originalmente de autoria do Poder Executivo, mas que sofreu profundas alterações, foi aprovado nesta terça (18) por 370 votos a 110 em votação marcada por intenso embate com a oposição sob a preocupação de que a versão possa dificultar ações cruciais de combate ao crime e à corrupção – ENTENDA



    Brasília, 19 de novembro 2025

    A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do Projeto de Lei de Combate ao Crime Organizado (PL 5582/25), conhecido como Projeto Antifacção, por 370 votos a 110, em uma votação marcada por intenso embate entre a base do Governo Federal e a oposição.

    O texto, de autoria original do Poder Executivo, sofreu profundas alterações que, segundo críticos, “desfiguraram” o projeto inicial, levantando a preocupação de que a versão final aprovada na Câmara possa, ironicamente, dificultar ações cruciais de combate ao crime e à corrupção.

    A principal tensão política residiu na condução da proposta pelo relator, deputado Guilherme Derrite (ProgressistasSP), que é secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    Essa escolha gerou desconforto no Governo Lula, que criticou a entrega de um projeto do Executivo a um parlamentar ligado diretamente a uma gestão de oposição, especialmente por Derrite ter apresentado diversas versões do texto, muitas das quais foram vistas como um desvio dos pilares originais.

    Deputados governistas, como Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmaram que o projeto de Derrite “descapitaliza a Polícia Federal” ao direcionar verbas oriundas de operações apreendidas, que antes eram geridas pela corporação, para o Fundo Nacional de Segurança Pública.

    Além disso, o texto aprovado na Câmara foi criticado por dificultar o confisco imediato de bens do crime organizado, permitindo que a assunção do patrimônio ilícito pelo Estado ocorra apenas após o “término da ação penal”, o que pode levar anos, “protelando o confisco” e prejudicando a investigação.

    O Governo e seus aliados, como a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), prometeram lutar no Senado para “retomar o propósito original do governo de combate à facção criminosa”, alegando que o relatório de Derrite “acaba protegendo as organizações criminosas”.

    O debate se concentrou em questões técnicas com forte impacto na segurança pública. Críticas de fontes progressistas e ligadas à segurança pública apontam que a descapitalização da Polícia Federal fragiliza a capacidade operacional da corporação em investigações complexas de combate ao crime organizado e à corrupção.

    Enfraquecimento da PF:

    O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em audiência na CPI do Crime Organizado do Senado, manifestou preocupação, afirmando que a mudança no projeto “enfraquece a Polícia Federal” ao mexer na destinação de recursos que financiam as operações (conforme noticiado pelo Senado Notícias). Ele defendeu que não se deve “descapitalizar a Polícia Federal” para combater o crime organizado.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    Atraso no Confisco de Bens:

    A alteração sobre o perdimento de bens é um ponto crucial. O Ministério Público Federal e a PF defendem mecanismos que permitam o confisco de patrimônio ilícito de forma mais ágil, antes mesmo do trânsito em julgado, para efetivamente “asfixiar financeiramente as organizações criminosas”, como defendeu o próprio relator.

    A Lei de Organizações Criminosas

    O Projeto Antifacção se insere no contexto da legislação brasileira de combate ao crime organizado, cuja principal referência é a Lei nº 12.850/2013, que define, regulamenta a investigação e pune a atuação de organizações criminosas.

    O PL 5582/25 foi proposto pelo Governo Federal com o objetivo de criar novos tipos penais, como a “facção criminosa”, endurecer penas e reforçar a capacidade do Estado de atuar contra o poder econômico desses grupos.

    A urgência da votação foi motivada pela necessidade de uma resposta legislativa robusta ao crescente poder das facções, mas a pressa na Câmara e as mudanças de última hora no relatório geraram o cenário de crise atual, onde o projeto será agora alvo de uma profunda revisão no Senado.

    Próximo Round no Senado

    O texto segue agora para o Senado Federal, onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já indicou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) como relator.

    Vieira, que preside a CPI do Crime Organizado, é reconhecido como um especialista no tema, o que aumenta a expectativa de que o Senado promova as correções necessárias para “recuperar o propósito original” do projeto.

    A base do Governo conta com o Senado para reverter os pontos que consideram prejudiciais à segurança pública.

    Senado pode corrigir Câmara e fortalecer PF

    Para o cientista político, professor e pesquisador na Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo, Fernando Luiz Abrucio, em entrevista à GloboNews, não são bem vistas a atuação da Câmara dos Deputados e de seu presidente Hugo Motta (Republicanos-PE) na tramitação do PL. Ele afirmou que o texto será “muito modificado” pelo Senado Federal.

    Em seu comentário, Abrucio alega que a Câmara enviou um projeto sabidamente falho, com “vários erros básicos legislativos“, e que o Senado tem a oportunidade de apresentar uma visão “muito melhor” à opinião pública.

    Abrucio destacou a diferença crucial na escolha dos relatores entre as duas casas. Enquanto o presidente da Câmara escolheu um relator que seria secretário de segurança pública de um candidato presidencial – e que, supostamente, não ouviu especialistas – o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicou o senador Alessandro Vieira.

    Vieira é descrito como “um dos maiores especialistas no Congresso” em segurança pública, conhecido por ser independente e por estar à frente da CPI do Crime Organizado, além de ouvir especialistas, o que o relator da Câmara não teria feito.

    A crítica central de Abrucio ao projeto oriundo da Câmara é que, “ao fim e ao cabo, [o projeto] enfraqueceu a Polícia Federal brasileira e ao enfraquecer a Polícia Federal Brasileira enfraquece o combate ao crime organizado”. Ele ainda ligou o enfraquecimento da PF ao combate à corrupção, citando o caso Bom Master.

    “A imagem da Câmara vai ser de quem enfraqueceu a PF, enfraqueceu, portanto, o combate ao crime organizado e que favorece a corrupção, porque PF fraca é mais corrupção no Brasil.”

    O analista lamentou a pressa na votação do projeto na Câmara, alertando que “não podemos confundir urgência com pressa” e que essa rapidez é “ruim“. Ele considera que a “escolha política” e a “politização desse projeto foi muito ruim” e que resultou em uma “lambança” causada pelo presidente da Câmara numa “escolha equivocada”.

    A expectativa é que o senador Alessandro Vieira conduza um debate aprofundado, ouvindo a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o STF e outros especialistas para corrigir os erros do texto.

    Abrucio conclui que, apesar de o projeto da Câmara ter “coisas que estão lá, que são boas”, ele será fortemente modificado pelo Senado.

    Quando o projeto retornar à Câmara, a opinião pública provavelmente estará “mais com o Senado do que a Câmara“, repetindo um cenário semelhante ao da PEC da blindagem.



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    1 comentário em “Governo Lula promete desfazer no Senado ‘desfiguração’ do PL Antifacção aprovado na Câmara”

    1. Se houvesse consciência política no Brasil, Mota, Tarcísio, Caiado, Derrite, Leite, Jorginho, Ratinho Jr, bala, bíblia, boi, seriam banidos da política…

    Os comentários estão fechados.

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