Falta um mês para o Banco Central lançar a modalidade que vai permitir fazer compras a prazo, sem anuidade e juros de mais 400% ao ano – entenda tudo sobre o funcionamento da modalidade
Brasília, 10 de agosto de 2025
O Pix é um sistema de pagamento instantâneo brasileiro, criado pelo Banco Central, que permite transferências e pagamentos em tempo real, a qualquer hora do dia ou da noite, incluindo finais de semana e feriados.
O símbolo, um raio estilizado, representa a velocidade e instantaneidade das transações.
O nome foi escolhido por combinar a ideia de “pagamentos instantâneos” com a letra “x“, que simboliza variáveis e multiplicações, além de remeter à tecnologia e ao termo “pixel“, segundo o Banco Central do Brasil.
O Pix Parcelado, com lançamento previsto para setembro de 2025, é uma nova funcionalidade do sistema de pagamentos e permitirá que consumidores parcelem compras diretamente, sem a necessidade de cartão de crédito.
O vendedor recebe o valor integral imediatamente, enquanto o comprador paga as parcelas ao banco, com juros definidos pela instituição financeira com base na análise de crédito do cliente.
Promessa de Inclusão Financeira
O Banco Central destaca que o Pix Parcelado visa ampliar o acesso ao crédito, especialmente para os cerca de 60 milhões de brasileiros que não possuem cartão de crédito.
A ausência de anuidade e a possibilidade de taxas de juros mais baixas (em comparação com os cartões, que podem ultrapassar 400% ao ano no crédito rotativo) são pontos centrais da proposta.
Além disso, a padronização do sistema promete maior transparência e competitividade, já que não haverá intermediação de operadoras de cartões ou taxas de maquininhas.
Impacto Potencial no Mercado de Cartões
O Pix parcelado pode ser o “início do fim” para Visa e Mastercard no Brasil?
Empresas americanas estão preocupadas com o impacto do Pix, que em 2024 movimentou R$ 26 trilhões, seis vezes mais que transações com cartões.
No entanto, a ideia de que os cartões de crédito “desaparecerão” parece exageradao. O Pix Parcelado pode, sim, acirrar a concorrência, forçando Visa e Mastercard a reduzirem taxas ou oferecerem melhores condições.
A Mastercard, por exemplo, afirmou estar preparada para se adaptar à evolução do mercado, enquanto a Visa optou por não comentar.
Vantagens para Consumidores e Comerciantes
O Banco Central prevê que as compras via Pix Parcelado terão preços iguais ou inferiores aos de cartões de crédito, devido à ausência de taxas de maquininhas e ao recebimento instantâneo pelos comerciantes, o que pode estimular descontos.
Para os consumidores, a ausência de anuidade e a possibilidade de juros mais baixos são atrativos, especialmente em um cenário onde o crédito rotativo dos cartões tem taxas exorbitantes.
Para os comerciantes, o custo menor em comparação com as taxas cobradas por operadoras de cartões (que podem ser significativas) é um incentivo para adotar o Pix Parcelado.
Críticas e Limitações
Embora promissor, o Pix Parcelado não está isento de desafios. A aplicação de juros, que variarão conforme o perfil de risco do cliente, pode limitar a atratividade para alguns consumidores, especialmente se as taxas forem próximas às dos cartões.
Além disso, a dependência de análise de crédito pelos bancos pode excluir parte da população sem histórico financeiro sólido, reduzindo o impacto da inclusão financeira prometida.
Outro ponto é a infraestrutura necessária. Embora o Pix seja amplamente adotado (168 milhões de brasileiros já o usaram até junho de 2025), a implementação do parcelamento exigirá adaptações por parte de bancos e comerciantes, o que pode levar tempo.
Além disso, a investigação dos Estados Unidos sobre possíveis práticas comerciais desleais relacionadas ao Pix levanta preocupações sobre pressões externas, embora especialistas brasileiros afirmem que o sistema é público e acessível a todas as instituições financeiras, não configurando concorrência desleal.
Afinal, O Pix Parcelado Substituirá os Cartões?
Afirmar que o Pix Parcelado será o “fim” dos cartões de crédito como o Visa e o Mastercard é prematuro. Os cartões oferecem benefícios como programas de milhagem, seguros e aceitação internacional, que o Pix Parcelado ainda não cobre.
Além disso, a infraestrutura global das bandeiras de cartão é robusta, e elas já demonstraram capacidade de adaptação.
O Pix Parcelado, no entanto, tem potencial para capturar uma fatia significativa do mercado, especialmente entre consumidores sem acesso a cartões e comerciantes que buscam reduzir custos.
Enfim, o Pix Parcelado, com lançamento em setembro, é uma inovação promissora que pode transformar o mercado de pagamentos no Brasil, promovendo inclusão financeira e desafiando o domínio dos cartões de crédito.
A ausência de anuidade e taxas de maquininhas, aliada à possibilidade de juros mais baixos, pode torná-lo uma alternativa atraente.
Contudo, sua capacidade de substituir Visa e Mastercard dependerá da adoção em larga escala, da competitividade das taxas de juros e da superação de barreiras logísticas e regulatórias.
A narrativa de que será o “fim” dos cartões é exagerada, mas o Pix Parcelado certamente intensificará a concorrência, beneficiando consumidores e comerciantes.








