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‘Picaretagem política, misoginia e perversão sexual do MBL afundam Moro’, diz sociólogo

    Em Curitiba, já prevalece um clima de derrotismo entre os parlamentares e lideranças do Podemos‘, escreve Milton Alves

    Picaretagem política, misoginia e perversão sexual do MBL afundam Moro“, escreve o jornalista e sociólogo Milton Alves, no Brasil 247, acrescentando que em Curitiba, já prevalece um clima de derrotismo entre os parlamentares e lideranças do Podemos“. Alves afirma que “as consequências políticas dos áudios vazados de Mamãe Falei são graves, e implicam na possibilidade de cassação imediata de seu mandato e o fim de sua bizarra candidatura ao governo paulista“. “Além disso”, diz o sociólogo, “o episódio gerou uma forte onda de repúdio em diversos setores políticos e sociais, inclusive no seu partido“.

    A boçalidade de Mamãe Falei/Arthur do Val também representou um duro golpe na candidatura de Sergio Moro“, garante o sociólogo lembrando que o ex-juiz “apresenta um reduzido índice de intenções de votos nas recentes pesquisas eleitorais” e agora vê minguar, com o caso do deputado, “as expectativas do projeto entreguista e revanchista do lavajatismo“.

    Alves diz que “a semana foi, especialmente, adversa para Sergio Moro” por conta do ocorrido “nas instalações da Cooperativa Agroindustrial Cocamar”, quando “uma explosão causou a morte de dois operários, o que provocou o término da visita” do ex-juiz “durante uma agenda de pré-campanha em Maringá, sua terra natal, na manhã de sexta-feira (4/3)”.

    Moro sofre ainda um pesado assédio do bolsonarismo, que busca recuperar votos entre o eleitorado lavajatista. Em Curitiba, já prevalece um clima de derrotismo entre os parlamentares e lideranças do Podemos“, diz Alves.

     

    “O Movimento Brasil Livre (MBL) é um verdadeiro combo explosivo de práticas de picaretagem política, de misoginia e perversão sexual”
    (Milton Alves)

    O Movimento Brasil Livre (MBL) é um verdadeiro combo explosivo de práticas de picaretagem política, de misoginia e perversão sexual”, escreve o sociólogo. “O grupo reúne uma escória que transitou das redes sociais para a cena política no bojo da escalada golpista de 2014-2016 contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). O MBL é o principal grupo militante de apoio à candidatura presidencial de Sergio Moro (Podemos), um projeto artificial da chamada 3ª via e contra os interesses nacionais do Brasil — que foi devastado pela operação Lava Jato comandada pelo ex-juiz e uma gangue de procuradores de Curitiba“.

    Após algumas semanas, quando o deputado federal Kim Kataguiri, líder do MBL, chocou o país com uma declaração favorável à legalização do partido nazista, agora foi a vez do deputado estadual Mamãe Falei (Arthur do Val), pré-candidato ao governo de São Paulo pelo partido de Moro“, escreve Alves.

    Só para lembrar todo o contexto, Kataguiri afirmou no início de fevereiro, no Flow Podcast, ao lado da deputada Federal Tabata Amaral (PSB-SP), que “um partido formal comunista” é “aceito socialmente com espaço na imprensa, no parlamento“, e por esse motivo também deveria haver “um partido de extrema direita fascista ou nazista com espaço no parlamento, com espaço na imprensa”.

    O sociólogo prossegue o texto reproduzindo as famigeradas declarações de Mamãe Falei “em áudios para um grupo de WhatsApp de simpatizantes“, em que usou palavras “repugnantes e misóginas, de caráter sexual, sobre as mulheres ucranianas, alcançadas por uma guerra de agressão movida pelo governo russo contra a Ucrânia“.

    Alves classificou “alguns trechos das infames e nojentas declarações” de Mamãe Falei como “estarrecedores“, e transcreveu uma parte: “maluco, eu juro. Nunca na minha vida, e tenho 35 anos, vi nada parecido em termos de menina bonita. A fila das refugiadas, irmão, sei lá, de 200 metros mais, só deusa. Se você pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila dos refugiados aqui”. O sociólogo diz que a fala adquire “tom de maior perversão“, quando o deputado “afirmou: “Detalhe hein. Elas são fáceis, porque são pobres. Aqui, minha carta do Instagram funciona demais. Não peguei ninguém, mas colei em duas mina. É inacreditável a facilidade. Essas minas em São Paulo, você dá bom dia e ela ia cuspir na tua cara”“.

    O sociólogo diz que “o deputado ainda avança na misoginia e abusando de imagens sexuais sobre a “indústria criminosa” do turismo sexual no Leste Europeu dispara: “São gold diggers que chama, né”. (Gold digger, literalmente falando, é “alguém que cava em busca de ouro”). O termo digger vem do verbo dig, que significa “cavar” — e geralmente usado para designar pejorativamente jovens mulheres que ficam com homens ricos“.

    Mas algumas palavrões ditos por Mamãe Falei não comporam o texto de Alves, talvez devido ao peso da perversão, conforme é possível ouvir no áudio abaixo:

    Trecho de áudio do deputado Arthur do Val. Fonte: Folha de S. Paulo

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