Investigação revela articulação internacional para pressionar Judiciário brasileiro e interferir em julgamento de ex-presidente condenado a mais de 27 anos de prisão
Brasília, 22 de setembro de 2025
A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou, nesta segunda-feira (22/set), denúncia contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador Paulo Figueiredo ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Os dois são acusados de coação no curso de processo judicial, no âmbito do inquérito que apura a “trama golpista” liderada pelo pai do deputado intercontinental, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado recentemente pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
De acordo com a denúncia oferecida pelo procurador-geral Paulo Gonet Branco, os denunciados atuaram de forma reiterada para submeter interesses da República a “desígnios pessoais e familiares”, articulando ações junto a autoridades dos Estados Unidos com o objetivo de impor sanções contra o governo brasileiro e ministros do STF, especialmente o relator Alexandre de Moraes.
As condutas incluem ameaças “inequívocas e constantes” de retaliações financeiras e civis, visando demover o Judiciário de condenar Jair Bolsonaro e o próprio Paulo Figueiredo, que também enfrenta denúncia pendente na Ação Penal 2.668.
O crime imputado, previsto no artigo 344 do Código Penal, pode render pena de até quatro anos de reclusão.
A investigação, instaurada em maio por determinação de Alexandre de Moraes, baseia-se em relatórios da Polícia Federal (PF) enviados ao STF em agosto.
Os documentos apontam que Eduardo Bolsonaro, radicado nos EUA desde fevereiro, e Paulo Figueiredo, blogueiro alinhado à família Bolsonaro e neto do último presidente da ditadura militar João Figueiredo, promoveram declarações públicas em redes sociais e contatos com o governo norte-americano para enquadrar autoridades brasileiras na Lei Magnitsky, que permite sanções por violações de direitos humanos.
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Provas incluem perícias em celulares apreendidos e mensagens trocadas, como uma recebida por Eduardo do ex-ministro Walter Braga Netto – ambos réus na trama golpista e proibidos de se comunicar.
Coincidentemente, no mesmo dia da denúncia, os Estados Unidos anunciaram sanções contra Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e empresas da família do ministro, sob alegação de “perseguição política”.
A PGR interpreta isso como consequência direta das articulações dos denunciados, configurando “graves danos” ao Brasil.
Outros envolvidos no inquérito, como o pastor Silas Malafaia e o próprio Jair Bolsonaro, foram indiciados pela PF por obstrução e abolição do Estado Democrático de Direito, mas não incluídos na denúncia atual.
Eduardo Bolsonaro, o “deputado intercontinental” por sua atuação no Brasil a partido dos EUA, classificou a denúncia como “fajuta” e chamou o procurador-geral Paulo Gonet de “lacaio” em postagens nas redes sociais.
“Mais uma perseguição fajuta contra quem luta pela liberdade. Gonet é lacaio do STF!”, escreveu o parlamentar, em tom que reforça as acusações de ameaças constantes.
Paulo Figueiredo não se pronunciou publicamente até o momento, mas fontes próximas indicam que ele continua ativo em lives e podcasts criticando o Judiciário brasileiro.
A denúncia agora aguarda análise do STF para recebimento, o que transformaria os acusados em réus.
Especialistas em direito penal veem o caso como um marco na defesa da independência judicial, especialmente em contextos de interferência estrangeira.
A PGR requer, ainda, reparação por danos morais e materiais causados às instituições.








Justiça brasileira funcionando em nome da Democracia. Parabéns!
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