Escândalo de vacinas no Parlamento Europeu coloca pressão sobre a presidente da Comissão Europeia
RESUMO << Ursula von der Leyen enfrenta uma moção de censura no Parlamento Europeu devido ao “Pfizergate”, escândalo sobre negociações opacas de vacinas com a Pfizer. Liderada por Gheorghe Piperea, a iniciativa reflete insatisfação com a transparência e a relação com o Parlamento>>
Bruxelas, 03 de julho de 2025
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfrenta uma moção de censura no Parlamento Europeu devido ao escândalo conhecido como “Pfizergate”. A iniciativa, liderada pelo eurodeputado romeno Gheorghe Piperea, do partido AUR e membro do grupo Conservadores e Riformistas Europeus (ECR), acusa Von der Leyen de irregularidades na negociação de contratos de vacinas contra a Covid-19 com a Pfizer.
A controvérsia gira em torno de mensagens trocadas com o CEO da empresa, Albert Bourla, que nunca foram divulgadas, levantando suspeitas de falta de transparência. A moção foi assinada por 32 deputados do ECR, 23 do grupo sovranista ESN, 4 dos Patriotas para a Europa e 1 do PPE, além de 14 não inscritos. O motivo central é o “Pfizergate”, que questiona a gestão da campanha de vacinação.
O Tribunal da UE já reconheceu que a Comissão Europeia violou normas de transparência ao não divulgar as mensagens. A votação, marcada para a próxima semana, pode abalar a liderança de Von der Leyen. Além do “Pfizergate”, Von der Leyen é criticada por supostamente contornar o Parlamento Europeu, única instituição diretamente eleita da UE, e por ser excessivamente complacente com governos da União Europeia.
Parlamentares de centro e esquerda compartilham essas críticas, o que amplia o descontentamento, em postagens recentes nas redes sociais, reforçando o sentimento de desconfiança, citando possíveis usos de leis de censura para influenciar eleições em países como Romênia e Alemanha.
O escândalo surgiu quando Von der Leyen negociou diretamente com Bourla a compra de milhões de doses de vacinas. A falta de acesso aos contratos e mensagens gerou questionamentos. O ex-eurodeputado Antonio Maria Rinaldi, da Lega, revelou que parlamentares foram confinados em uma sala sem celulares para revisar documentos, indicando opacidade.
A Comissão Europeia defendeu que as vacinas salvaram vidas, mas Von der Leyen evitou assumir responsabilidade direta.
Jornais da União, como o italiano L’Indipendente, o ucraniano UNN e o português Pravda PT detalham a origem da moção e o apoio de grupos conservadores, destacando as críticas à relação de Von der Leyen com o Parlamento e informando sobre a decisão do Tribunal da UE contra a Comissão, em relatos que reforçam a gravidade do caso.
A moção de censura, embora improvável de derrubar Von der Leyen, expõe fragilidades em sua gestão. A pressão por transparência cresce, e o resultado da votação pode influenciar o futuro político da Comissão Europeia.
Considerações
A questão sobre a culpabilidade de Ursula von der Leyen no caso “Pfizergate” é complexa. A presidente da Comissão Europeia teria negociado diretamente com o CEO da Pfizer, Albert Bourla, via mensagens de texto privadas, durante as negociações para a compra de vacinas contra a COVID-19 pela União Europeia (UE) em 2021. O que gera a especulação é que tais mensagens não foram divulgadas, então vieram críticas da extrema-direita por falta de transparência.
O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) determinou, em maio de 2025, que a Comissão Europeia deveria divulgar detalhes dessas negociações, após um processo movido pelo The New York Times, que acusou a Comissão de negar acesso às mensagens. A decisão judicial reforçou as alegações de opacidade, e uma moção de censura contra von der Leyen foi apresentada por eurodeputados, liderada pelo romeno Gheorghe Piperea, com apoio de grupos de extrema-direita.
As principais acusações contra von der Leyen incluem: Falta de transparência; Não divulgação das mensagens trocadas com Bourla, o que violaria princípios de governança da UE; Possíveis irregularidades; Suspeitas de “interferência em funções públicas, destruição de SMS, corrupção e conflito de interesses” investigadas pela Procuradoria Europeia.
Alegações de que von der Leyen tentou contornar o Parlamento Europeu em decisões, como a revogação de leis contra greenwashing (lavagem verde) e o uso de fundos para fins militares sem consentimento parlamentar. O termo se refere a prática enganosa em que empresas promovem seus produtos ou serviços como ambientalmente responsáveis, mas sem que haja evidências concretas que sustentem essa alegação. Basicamente, é uma forma de marketing que busca criar uma imagem sustentável, mas sem que a empresa adote práticas realmente amigas do meio ambiente.
A moção de censura exige dois terços dos votos (cerca de 480 dos 720 eurodeputados), um número difícil de alcançar devido à coalizão de apoio a von der Leyen, formada por grupos como o Partido Popular Europeu (PPE), Socialistas e Liberais. Não há, até o momento, provas conclusivas de que von der Leyen seja “culpada” de atos ilegais, como corrupção ou má conduta deliberada. As acusações baseiam-se principalmente na falta de transparência e na recusa inicial da Comissão em divulgar as mensagens, o que foi interpretado por críticos como uma tentativa de ocultar informações.
O TJUE considerou que a Comissão não justificou adequadamente a ausência dessas mensagens, mas isso não equivale a uma condenação criminal. A Procuradoria Europeia está investigando possíveis irregularidades, mas nenhum veredito final foi emitido. Por outro lado, a Comissão Europeia argumenta que a troca de mensagens era parte de interações rotineiras e não continha informações cruciais que justificassem sua preservação.
A Comissão buscou equilibrar o direito à informação com obrigações contratuais que poderiam gerar pedidos de indenização se detalhes sensíveis fossem divulgados. A negociação com a Pfizer foi essencial para garantir vacinas para a UE durante a pandemia, e o contrato de 20 bilhões de euros foi aprovado pelos Estados-membros. Portanto, a “culpabilidade” de von der Leyen permanece uma questão de debate político e jurídico, sem uma conclusão definitiva até que as investigações sejam finalizadas.
A moção de censura é um movimento político da extrema-direita, como ocorre no Brasil, por parte da oposição bolsonarista ao governo Lula. Lá, como aqui. eles tentam questionar liderança habilidosa e a ação não tem chances reais de destituir Ursula.
Uma publicação da Euronews, de 14 de maio, afirmou que a Comissão Europeia perdeu no processo judicial Pfizergate, detalhando que o Tribunal de Primeira Instância da UE anulou a decisão da Comissão de negar ao The New York Times acesso às mensagens trocadas entre von der Leyen e Bourla. A Corte concluiu que a Comissão não explicou adequadamente se as mensagens foram apagadas intencionalmente ou automaticamente, nem justificou por que não possuía esses documentos.
A Comissão afirmou que a transparência é uma prioridade, mas destacou a dificuldade de registrar todas as interações (e-mails, mensagens de texto, etc.) devido ao volume diário de comunicações. Assim, a questão é apenas de transparência, mas não apresenta evidências de corrupção ou má conduta comprovada, apenas falhas administrativas na gestão de documentos.
Ursula von der Leyen não foi considerada “culpada” em termos legais até o momento, mas enfrenta críticas significativas por falta de transparência. A moção de censura, embora tenha gerado debate, não prospera devido à falta de apoio majoritário no Parlamento Europeu. A investigação da Procuradoria Europeia pode trazer mais clareza, mas, por ora, o caso permanece inconclusivo.![]()








