📷 Hugo Motta e Eduardo Cunha. Foto: Evaristo Sá/AFP || Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
12 de julho de 2026
A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma representação afirmando que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, atuava com “pleno aval” da presidência da Casa para direcionar emendas parlamentares em favor do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG).
A informação foi tornada pública neste domingo (12/jul) pelo Portal G1 e confirmada por diversos veículos.
O que a investigação aponta
Segundo a apuração, todas as emendas sob suspeita foram empenhadas no fim de 2025, período em que Hugo Motta (Republicanos-PB) já ocupava a presidência da Câmara dos Deputados.
A representação da PF, , afirma que “tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa” para promover os desvios em favor de Cunha.
Com base nesses elementos, o ministro Flávio Dino, do STF, assinou em 6 de julho uma decisão — divulgada apenas neste domingo — determinando o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha e suspendendo a execução das emendas investigadas.
Segundo a PF, o ex-presidente da Câmara coordenava a destinação de ao menos 29 emendas ligadas à Comissão de Saúde, com o suporte técnico de Mariângela Fialek, responsável por operacionalizar as mudanças nos sistemas internos da Casa.
Um esquema que já vinha sendo investigado
O caso é um desdobramento da Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado, que teve Tuca como alvo inicial enquanto ela ainda assessorava Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara antes de Motta.
Diálogos encontrados no celular da servidora, segundo reportagem do Estadão, mostram Cunha tratando diretamente da destinação e da troca de emendas entre municípios mineiros, usando, segundo os investigadores, um telefone registrado no nome da companheira dele, Claudia Cordeiro Cruz.
A PF classifica a conduta como “sintomas inequívocos” do crime de peculato, já que Cunha, cassado em 2016, não tem mandato parlamentar e, portanto, não pode formalizar emendas em próprio nome.
A mesma apuração alcançou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que teve R$ 119 milhões bloqueados por suspeita de indicação irregular de emendas.
As versões de defesa
Hugo Motta já havia criticado a investigação no sábado (11/jul), classificando-a como tentativa de “criminalizar a atividade política”.
Em nota, o presidente da Câmara afirmou que a decisão judicial não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas, e que a autorização para que equipes técnicas operacionalizem indicações partidárias insere-se na normalidade administrativa do mandato.
A defesa de Eduardo Cunha, por sua vez, sustenta que o valor bloqueado corresponde ao total das emendas questionadas — destinadas a municípios e outros beneficiários públicos — e não a dinheiro efetivamente recebido pelo ex-deputado.
Os advogados reforçam que apenas parlamentares em exercício formalizaram as emendas analisadas, rejeitando qualquer equiparação entre a interlocução política de Cunha e o exercício clandestino de mandato.
O núcleo do problema não está apenas nos valores movimentados, mas na cadeia de decisão descrita pela própria PF: um ex-parlamentar sem mandato, uma servidora com acesso técnico aos sistemas orçamentários da Câmara e, segundo os investigadores, o conhecimento da cúpula da Casa.
Sob a ótica deste portal, o episódio reabre a discussão sobre o chamado orçamento secreto e sobre até que ponto figuras políticas fora do Congresso conseguem, na prática, seguir direcionando recursos públicos por meio de estruturas administrativas informais — um problema que atravessa gestões e partidos diferentes, da presidência de Lira à de Motta.
A Câmara dos Deputados ainda não respondeu formalmente a todos os pontos levantados pela PF, e a defesa de Valdemar Costa Neto também deve se manifestar sobre o bloqueio de R$ 119 milhões.
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A PF vai chegar em 2030 sem conseguir mostrar para o BRASIL e para a sociedade toda roubalheira da direita representads pelo bolsonarismo, é ladrão demais gente