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    PF prende ex-presidente do BRB no caso Master: defesa não se manifesta

    Nova fase da Operação Compliance Zero revela suspeitas de fraudes bilionárias em banco público e avança sobre triangulações financeiras envolvendo o Banco Master de Daniel Vorcaro

    Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB

    Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB | Foto: Rafael Lavenère/BRB

    RESUMO
    URBS MAGNA

    Brasília (DF) · 16 de abril de 2026

    A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (16/abr) mandado de prisão preventiva contra o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa.

    A ação integra a nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades na tentativa de compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e na aquisição de carteiras de crédito problemáticas pela instituição pública, segundo a Folha de S. Paulo.

    Ao todo, foram executados dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.

    Além de Paulo Henrique Costa, a PF prendeu o advogado Daniel Monteiro, apontado como responsável por redigir contratos fraudulentos e montar um sistema paralelo de compliance no Banco Master.

    A investigação apura crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa, com foco em um esquema que teria movimentado vantagens indevidas a agentes públicos.

    A defesa de Paulo Henrique Costa foi procurada mas ainda não se manifestou.

    O executivo, que comandou o BRB de 2019 a novembro de 2025 por indicação do governador Ibaneis Rocha (MDB), negou irregularidades em depoimentos anteriores e sustentou que as decisões eram colegiadas.

    Relatório de auditoria independente entregue pelo BRB à PF no início de abril — conduzido pelo escritório Machado Meyer com apoio da Kroll — consolidou as suspeitas.

    O documento revela que 83% das operações de compra de carteiras entre 2024 e 2025 envolveram ativos ligados ao Banco Master, totalizando R$ 21,9 bilhões. Cerca de R$ 12,3 bilhões apresentavam ausência de lastro, inconsistências e vícios documentais.

    As aquisições eram tratadas internamente como “negócio do presidente”, com fragmentação de valores para dispensar aprovação do Conselho de Administração e pressão por urgência.

    A PF também mira a triangulação que permitiu a Daniel Vorcaro, seu ex-sócio Maurício Quadrado e o fundador da gestora Reag, João Carlos Mansur, se tornarem acionistas de 23,5% do BRB após duas rodadas de aumento de capital de R$ 1 bilhão em 2024.

    A auditoria aponta simulação para permitir a entrada de fundos ligados ao Banco Master.

    O Banco Central havia vetado a compra direta do Banco Master pelo BRB por falta de viabilidade econômico-financeira. g1.globo.com Paulo Henrique Costa chegou ao BRB após quase duas décadas na Caixa Econômica Federal, onde foi vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital.

    Formado em administração com especializações financeiras no exterior, ele defendeu a operação com o Banco Master como alternativa para evitar a quebra da instituição privada.

    Em depoimento ao STF em dezembro de 2025, afirmou não haver “evidência concreta” de problemas nas carteiras da Tirreno Consultoria.

    A prisão de hoje reforça o compromisso do sistema de justiça com a transparência em instituições financeiras públicas, protegendo recursos dos cidadãos contra práticas que comprometem a governança e a confiança no setor bancário.

    O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios sem lastro.




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