📷 A Polícia Federal cumpre mandados no Rio de Janeiro em 7 de julho de 2026 durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, com objetivo de desarticular esquema de lavagem de dinheiro operado por meio de postos de combustíveis / Imagem reprodução / Arte UrbsMagna
| Rio de Janeiro (RJ
07 de julho de 2026
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (7/jul) a 6ª fase da Operação Unha e Carne, que resultou na prisão do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), e do ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Amin.
A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 19 mandados de busca e apreensão em cinco cidades fluminenses.
Veículos como g1, O Globo, Folha de S.Paulo, CNN Brasil e BDF reportaram o caso.
A investigação teve como ponto de partida um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras atípicas da ordem de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
O dinheiro teria passado por uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, utilizada como mecanismo para ocultar a origem ilícita dos recursos.
A lavagem de dinheiro é o processo pelo qual recursos obtidos por meios ilícitos são introduzidos no sistema financeiro com aparência de legalidade.
Além das prisões, a PF realiza o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
A ação de hoje é a segunda etapa da operação em menos de uma semana. Na última quinta-feira (2/jul), o empresário do setor de cigarros Marcio Poncio, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, tiveram prisões decretadas.
A rede de influência política e criminal
A operação expõe a porosidade entre o crime organizado e a política fluminense. Márcio Canella é uma figura central nessa trama.
Deputado estadual e vice-presidente de fato do União Brasil no Rio, ele foi o padrinho político de Marcus Amin para assumir a presidência do Detran-RJ, conforme reportou o Extra em 2023.
Em outubro daquele ano, quando o governador Cláudio Castro (PL) precisou de um nome para comandar a Polícia Civil, Canella novamente afiançou o nome de Amin.
A nomeação, no entanto, exigiu uma manobra legislativa. A lei orgânica da Polícia Civil exigia 15 anos de carreira como delegado para assumir o cargo — e Amin tinha apenas 12.
A Alerj, sob influência de Canella, aprovou um projeto de lei que reduziu o requisito para 12 anos totais de instituição, abrindo caminho para sua nomeação . Amin assumiu em outubro de 2023 e permaneceu no cargo até setembro de 2024, quando foi exonerado por Cláudio Castro, conforme noticiou o SBT News, em 2024.
A defesa de Canella e Amin ainda não se manifestou publicamente sobre as prisões.
A Operação Unha e Carne e a ADPF 635
A Operação Unha e Carne é conduzida no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, uma iniciativa coordenada pela PF para desarticular organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.
As investigações seguem as diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, segundo o Conselho do Ministério Público.
A ação, proposta em 2019, visa combater a letalidade policial em comunidades vulneráveis e, no âmbito judicial, determinou que a PF investigue “a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos”.
Em fases anteriores, a operação já havia prendido o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e o deputado estadual Thiago Rangel.
As prisões de Bacellar, Poncio e agora de Canella e Amin indicam que a força-tarefa avança sobre o coração da política fluminense, mirando a conexão entre o crime organizado e agentes públicos de alto escalão.
A magnitude dos valores envolvidos — R$ 7,6 bilhões — e a abrangência geográfica da investigação revelam a sofisticação das estruturas de lavagem de dinheiro no estado.
O uso de postos de combustíveis como “lavanderias” é uma prática antiga, mas a escala identificada pelo Coaf sugere um esquema de proporções continentais, com ramificações que ainda serão desvendadas pela PF.
A operação de hoje é mais um capítulo de uma crise institucional que expõe a fragilidade dos mecanismos de controle e a captura do Estado por facções criminosas.
A Polícia Federal ainda não divulgou detalhes sobre o local onde Canella e Amin foram presos nem sobre as acusações formais contra eles.
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