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PF prende 5 da ‘Abin paralela’ e mira Ramagem e Carlos – Moraes despacha: “indícios são suficientes”

    Investigações apontaram gravação de Ramagem revelando que Bolsonaro teria dado aval a plano contra auditores que investigavam Flávio para anular apurações sobre ‘rachadinhas’ – Até Arthur Lima foi monitorado, entre os alidados do ex-presidente

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    A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (11/7) quatro dos cinco mandados de prisão preventiva emitidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, durante a 4ª fase da Operação Última Milha, que investiga o esquema de monitoramento ilegal na chamada ‘Abin Paralela’, que tinha à frente o atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

    Segundo a PF, estiveram na mira do esquema de arapongagem adversários políticos, jornalistas e mesmo aliados próximos de do ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro (PL).

    Foram presos um subtenente do Exército, um ex-agente penitenciário do Distrito Federal, um videomaker e um influenciador digital, mas um quinto alvo de mandado de prisão ainda é procurado, que é o dono de perfis “Dallas Cowboy” ou “DallasGin”, que atuaria sob Gabinete do Ódio.

    Mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo foram realizados nas cidades de Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Salvador e São Paulo, que tiveram objetido de desarticular organização criminosa.

    Em nota, a PF afirmou que, “nesta fase, as investigações revelaram que membros dos três poderes e jornalistas foram alvos de ações do grupo, incluindo a criação de perfis falsos e a divulgação de informações sabidamente falsas. A organização criminosa também acessou ilegalmente computadores, aparelhos de telefonia e infraestrutura de telecomunicações para monitorar pessoas e agentes públicos“.

    Uma nova fase da investigação que apura o uso clandestino da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro (PL) cumpre mandados em cinco cidades brasileiras na manhã desta quinta-feira, 11, e está ligada a outra apuração conduzida pela Polícia Federal (PF), que envolve o “gabinete do ódio”, organização que difundia ataques contra instituições públicas e opositores que foi revelada pelo Estadão em 2019.

    Alexandre Ramagem é investigado por supostamente ter autorizado investigações paralelas, sem autorização judicial e sem indícios mínimos de materialidade. A PF apura espionagem ilegal de desafetos do governo Bolsonaro e possível uso da agência em benefício dos aliados do ex-presidente, incluindo Carlos Bolsonaro.

    Além disso, a investigação apura supostos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, interceptação clandestina de comunicações e invasão de dispositivo informático alheio.

    Moraes despachou autorizando fase da operação

    “Os investigados, segundo a Polícia Federal, participaram de uma estrutura espúria infiltrada na Abin voltada para a obtenção de toda a ordem de vantagens para o núcleo político, produzindo desinformação para atacar adversários e instituições que, por sua vez, era difundida por intermédio de vetores de propagação materializados em perfis e grupos controlados por servidores em exercício na Abin. O Relatório da Polícia Federal traz prova da materialidade e indícios suficientes dos graves delitos praticados”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes.

    Flávio Bolsonaro

    A Polícia Federal encontrou uma gravação de áudio no computador do ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem que pode se tornar uma prova decisiva no caso das rachadinhas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A gravação revela uma reunião entre Ramagem e Jair Bolsonaro (PL) em que um plano para proteger o senador das investigações sobre desvios de recursos teria sido discutido.

    As investigações apontam que uma gravação de cerca de uma hora de duração, feita pelo próprio Ramagem, revela que Bolsonaro teria dado aval a um plano para abrir procedimentos contra auditores fiscais que investigavam Flávio Bolsonaro, com o objetivo de anular as investigações sobre o caso das rachadinhas, noticiou o UOL.

    A estratégia foi implementada e resultou na anulação das investigações na Justiça. A Polícia Federal considera que o áudio comprova o uso da estrutura da Abin em defesa dos interesses pessoais de Bolsonaro, configurando abuso de poder e desvio de função.

    Quem foi alvo da Abin Paralela

    Moraes retirou o sigilo da Operação Última Milha, que mostrou quem foi monitorado:

    Poder Judiciário: ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux

    Poder Legislativo: o atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o deputado Kim Kataguiri (União-SP) e os ex-deputados Rodrigo Maia, que foi presidente da Câmara, Joice Hasselmann e Jean Wyllys (PSOL). E os senadores: Alessandro Vieira (MDB-SE), Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), que integravam a CPI da Covid no Senado

    Poder Executivo: João Doria, ex-governador de São Paulo; os servidores do Ibama Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges; os auditores da Receita Federal do Brasil Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto

    Jornalistas: Monica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista.

    O software contratado pela Abin e usado de forma irregular era o FirstMile, comercializado pela empresa israelense Cognyte. Segundo os investigadores, apesar do encerramento formal do contrato em 2021, há indícios de que o uso do sistema se intensificou nos últimos anos do governo Bolsonaro para monitorar ilegalmente servidores públicos, políticos, policiais, advogados, jornalistas e até mesmo juízes e integrantes do STF.

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