📷 O senador Flávio Bolsonaro / Foto: Saulo Cruz/Agência Senado | André Mendonça e Jair Bolsonaro / reprodução redes sociais | Ao fundo, trecho do filme Dark Horse / reprodução |•| Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
23 de julho de 2026
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23/jul) a abertura de um inquérito da Polícia Federal (PF) para apurar repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do liquidado Banco Master, ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel.
A decisão atende a um pedido formal da própria PF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada por Paulo Gonet, que identificou elementos suficientes para a instauração formal da investigação.
O inquérito será conduzido pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor).
O que está sob suspeita
O foco da apuração são R$ 61 milhões repassados por Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, dentro de um investimento total de R$ 134 milhões destinado à produção.
A PF vai investigar se esse dinheiro configurou contrapartida por algum favor político prestado por Flávio ou por seu grupo a Vorcaro, se parte dos recursos bancou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos — onde vive desde fevereiro de 2025 — e se emendas parlamentares de aliados foram direcionadas a entidades ligadas à produtora do filme.
As conversas que motivaram a investigação foram reveladas pelo site Intercept Brasil: mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro para ajudar a bancar a produção.
Um dos áudios é datado de 16 de novembro de 2025 — um dia antes da primeira prisão de Vorcaro, na Operação Compliance Zero, e dois dias antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
Outro registro, de 8 de setembro de 2025, mostra Flávio demonstrando preocupação com atrasos nos pagamentos à produção.
A relatoria e o contexto processual
Mendonça foi designado relator do caso no fim de junho pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, substituindo o ministro Alexandre de Moraes, inicialmente responsável pela ação movida pelo senador Lindbergh Farias.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, defendeu a abertura do inquérito afirmando haver “necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias”.
A defesa de Flávio Bolsonaro
O senador, óbvio, nega irregularidades e classifica o episódio como busca legítima de patrocínio privado. Em nota, afirmou que “o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO” sobre a história do próprio pai, reforçando que não houve uso de dinheiro público.
A assessoria do senador também classificou como falsa a insinuação de que recursos teriam sido destinados a Eduardo Bolsonaro.
O timing dos áudios revelados pelo Intercept é o elemento mais sensível do caso: as tratativas entre Flávio e Vorcaro sobre o financiamento do filme ocorreram nos dias imediatamente anteriores à prisão do banqueiro e à liquidação do Banco Master, instituição hoje associada a um dos maiores rombos financeiros do país.
É justamente essa proximidade temporal — e não a existência do filme em si — que sustenta juridicamente a abertura do inquérito, já que caberá à PF esclarecer se o “patrocínio” funcionou como veículo para movimentar recursos de origem contestada em plena crise da instituição.
A Polícia Federal ainda não divulgou o prazo de conclusão do inquérito nem confirmou se Daniel Vorcaro ou Flávio Bolsonaro serão formalmente intimados a depor.
FAQ rápido
O que a Polícia Federal vai investigar no caso Dark Horse?
Se os R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro à produção do filme envolveram contrapartida política, uso indevido de emendas parlamentares ou desvio de recursos para despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro é alvo direto do inquérito?
Ele é citado nas conversas que motivaram a investigação, mas nega qualquer irregularidade e afirma que se tratou de patrocínio privado para uma produção privada.
Por que André Mendonça é o relator, e não Alexandre de Moraes?
Porque o presidente do STF, Edson Fachin, o designou relator do caso no fim de junho, em substituição a Moraes, que conduzia inicialmente uma ação correlata movida pelo senador Lindbergh Farias.
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