Ex-presidente hoje inelegível ia declarar “estado de sítio” e “operação de garantia da lei e da ordem”, conforme escrito em um trecho de documento encontrado na sede do PL, em Brasília
Um documento com argumentação golpista, similar a um rascunho de decreto, foi encontrado na sede do PL nesta quinta-feira (8/2), durante a busca e apreensão no âmbito da operação Tempus Veritas, deflagrada pela PF (Polícia Federal) por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes.
O texto usa a expressão “dentro das quatro linhas da Constituição”, repetida inúmeras vezes pelo ex-chefe do Executivo, hoje duplamente declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que foi derrotado em 2022 para o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Afinal, diante de todo o exposto, e para assegurar a necessária restauração do Estado Democrático de Direito no Brasil, jogando de forma incondicional dentro das quatro linhas, com base em disposições expressas da Constituição Federal de 1988, declaro o estado de Sítio e, como ato contínuo, decreto operação de garantia da lei e da ordem”, diz o parágrafo final, conforme transcrição no ‘Blog do Valdo Cruz‘.
O rascunho estava na sala do ex-presidente Jair Bolsonaro e é como um ensaio para discurso “que sustenta que a ruptura do Estado Democrático de Direito“.
O esquema golpista revelado pela PF envolve Bolsonaro, auxiliares e militares. Todos discuritam golpe de Estado.
Informações falsas foram disseminadas de forma organizada informações falsas para descredibilizar as eleições e as instituições do país.
Um exemplo dado pela PF foi a preparação de uma minuta de decreto presidencial para abrir caminho para o golpe.
O texto revia a prisão dos ministros da Suprema Corte, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Segundo as investigações, a minuta de golpe foi entregue a Bolsonaro por Filipe Martins, que foi preso na operação desta quinta-feira, e Amauri Feres, que foi alvo de busca.
Na reunião com Martins e Feres, o ex-presidente pediu que os nomes de Pacheco e Gilmar fossem retirados do documento, mas não o de Moraes.
Bolsonaro também quis que fosse mantido trecho que previa a realização de novas eleições.
