A instituição policial pedirá ao STF nova frente de investigação após provas de que a então primeira-dama no governo Bolsonaro pagou despesas suas e familiares com o Cartão de Pagamento do Governo Federal
A PF (Polícia Federal) conclui nos próximos dias o inquérito sobre as joias e outros objetos de luxo que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acumulou durante sua gestão, de 2019 a 2022, e enviará ao STF (Supremo Tribunal Federal) um documento mostrando a necessidade de novas investigações que os agentes creem serem necessárias.
Na mira está ninguém menos do que a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, informou, neste sábado, o colunista Guilherme Amado, do Metrópoles. A instituição policial precisa esclarecer se ela fez mesmo uso ilegal do Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF), o famoso cartão corporativo.
A lei diz que “o CPGF é instrumento de pagamento, emitido em nome da unidade gestora e operacionalizado por instituição financeira autorizada, utilizado exclusivamente pelo portador nele identificado, nos casos indicados em ato próprio da autoridade competente, respeitados os limites deste Decreto”.
Assim, um Agente Suprido, que no caso é qualquer servidor público do governo federal, responsável pela administração dos gastos do departamento a que pertence, pode utilizar o cartão corporativo da Presidência da República, desde que apresente uma justificativa e comprovação da necessidade de seu uso.
Contudo, durante a gestão Bolsonaro, parece que isso não foi respeitado, pois, segundo o colunista, a Polícia Federal diz ter provas de que houve pagamento de despesas pessoais da primeira-dama Michelle Bolsonaro e de seus familiares com o CPGF.
Na sexta-feira, a mídia noticiou que Michelle não será indiciada pela PF no inquérito das joias porque não foram observadas provas de que ela tenha agido para ficar com os objetos ou de ter participado da venda dos itens.
Há um ano, conversas interceptadas pela Polícia Federal revelaram trocas de mensagens entre o ex-ajudante de ordens da Presidência, o tenente-coronel Mauro Cid, e duas assessoras da então primeira-dama. As conversas apontavam para a existência de uma orientação para o pagamento em dinheiro em espécie de suas despesas.
De acordo com a transcrição dos áudios de WhatsApp, feita na ocasião pelo portal UOL, Cid demonstrava preocupação de que o mecanismo fosse descoberto, com os gastos em dinheiro vivo podendo vir à tona e serem interpretados como um esquema de rachadinha, conforme publicou o jornal O Globo, em 16/5/2023.
Três meses antes, em fevereiro, a coluna Radar, da revista Veja, publicou que um pente-fino nos gastos do cartão corporativo da Presidência da República realizados durante o governo Jair Bolsonaro (PL) apontaram, a suspeita de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro “usou os recursos para colocar novos implantes de silicone nos seios e realizar caros procedimentos estéticos”.
