Detenção dramática na Rodovia Presidente Dutra, no RJ, expõe manobras para encobrir aplicações bilionárias e evitar responsabilização penal
Brasília (DF) · 04 de fevereiro de 2026
A Polícia Federal desmantelou uma intricada rede de obstrução à justiça envolvendo o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, no desdobramento do caso Banco Master.
Em uma ação coordenada com a Polícia Rodoviária Federal, Antunes foi capturado na terça-feira (03/fev), na Via Dutra, no Sul Fluminense, enquanto se dirigia do Aeroporto de Guarulhos para o Rio de Janeiro após retornar dos Estados Unidos.
A prisão, parte da segunda etapa da Operação Barco de Papel, expõe tentativas de eliminar provas e reorganizar ativos para blindar o investigado.
As investigações, iniciadas em novembro de 2025, concentram-se em nove transações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, totalizando aplicações de aproximadamente R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Esses títulos, de alto risco e sem proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), colocaram em xeque os recursos destinados a aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.
Os aportes se estenderam até agosto de 2024, segundo a CNN Brasil, com vencimentos previstos para 2033 e 2034, e o Rioprevidência assegura que os pagamentos mensais, na ordem de R$ 1,9 bilhão, não serão impactados.
Na primeira fase da operação, deflagrada em 23 de janeiro, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede do Rioprevidência e em residências de Antunes, do ex-diretor de investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e do ex-diretor interino Pedro Pinheiro Guerra Leal.
Antunes, que viajou para os EUA em 15 de janeiro, renunciou ao cargo logo após a ação policial, conforme noticiado pela g1. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) havia proibido novos investimentos em títulos do Master em outubro de 2025, alertando para a gestão temerária.
A trama para blindar Antunes, conforme noticia primeiramente o Metrópoles, inclui remoção de documentos físicos de uma propriedade monitorada, alterações em conteúdos de celulares e computadores, transferências de veículos de alto valor para terceiros e exclusão de gravações de câmeras de segurança.
Dois indivíduos foram detidos em um escritório de advocacia em Santa Catarina, suspeitos de auxiliar na logística para “limpar” o local.
A PF identificou esses indícios como risco concreto de destruição de provas, justificando a prisão temporária.
A escolha de Antunes por viajar por terra, em carro alugado, em vez de voo direto, é vista como comportamento atípico e está sob escrutínio.
Antunes era considerado foragido, ciente da iminente operação, e evitou sua residência no Rio antes da viagem, relatou o Estadão. Após a detenção em Itatiaia, ele foi levado para a superintendência da PF em Volta Redonda e transferido para o Rio de Janeiro.
Uma decisão judicial de dezembro de 2025 determinou a retenção dos R$ 970 milhões acrescidos de juros e correção monetária, com liquidação prevista em dois anos via retenção de parcelas de empréstimos.
Suspeitas abrangem gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos, indução a erro de repartições estatais, fraude a investidores, associação criminosa e corrupção passiva.
O Banco Master, em liquidação extrajudicial desde novembro de 2023 após indícios de insolvência e fraudes identificados pelo Banco Central, está no cerne do escândalo, incluindo vendas de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões.
O governador Cláudio Castro determinou o afastamento imediato de Antunes após a operação inicial, e o Rioprevidência enfatiza conformidade legal e transparência.
Os investimentos violavam diretrizes de conservadorismo previdenciário, expondo fundos essenciais a riscos inadmissíveis.
A audiência de custódia de Deivis Marcon Antunes ocorre nesta quarta-feira (04/fev), com potenciais desdobramentos sobre a prorrogação da prisão.

SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:

