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    PF descobre pagamento de R$ 14 milhões da Refit à empresa de Ciro Nogueira; senador fala em “terreno”

    Transação milionária envolve fundo ligado ao grupo Refit, alvo de esquema bilionário de sonegação. Ex-assessor do parlamentar também recebeu R$ 1,3 milhão, segundo investigação da Polícia Federal

    Ciro Nogueira

    Ciro Nogueira / Foto: Andressa Anholete / Agência Senado

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Washington (US)
    21 de maio de 2026, 00h20

    PT aciona TSE contra “Dark Horse” com base em R$ 61 mi do Banco Master (Daniel Vorcaro) intermediados por Flávio Bolsonaro. Ação pede suspensão até eleições, cita caixa 2, lavagem de dinheiro e precedente de 2022. Flávio admitiu ter mentido sobre relação com o banqueiro.

    A Polícia Federal (PF) descobriu um registro contábil de um fundo do grupo Refit que previa o pagamento de R$ 14,2 milhões para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

    O caso está no centro da Operação Sem Refino, que investiga um esquema bilionário de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, aprofundando o cerco a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A descoberta aprofunda o isolamento político de Ciro Nogueira, que já é alvo de outras frentes de investigação, como o caso do Banco Master.

    A conexão com Ricardo Magro, apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz do país, com dívidas que superam R$ 26 bilhões, coloca o presidente nacional do Progressistas em uma posição delicada às vésperas do período eleitoral.

    A movimentação financeira foi revelada com exclusividade pelo blog do jornalista Fausto Macedo, no Estadão. Segundo a publicação, a PF analisou a contabilidade do fundo Athena, um dos veículos financeiros do conglomerado da Refit.

    Foi nesse fundo que os investigadores encontraram a transferência de R$ 14,2 milhões para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis.

    O relatório da Polícia Federal aponta que a contabilidade analisada “não informa o motivo do pagamento nem dá detalhes sobre o negócio”, um ponto que será aprofundado na próxima fase das investigações.

    A transação, no entanto, foi comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e motivou novas diligências.

    Por meio de sua assessoria, Ciro Nogueira confirmou o negócio e apresentou sua versão. Em nota, o senador afirmou que o valor se refere à venda de um terreno de mais de 40 hectares, localizado em uma área valorizada de Teresina (PI).

    Esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado”, diz a nota.

    A nota oficial ainda tenta distanciar a figura do senador da transação, afirmando que ele atualmente não tem participação na empresa e que, na época do negócio, sua cota era inferior a 1%. O parlamentar classificou as insinuações como tentativas de desgastar sua imagem em ano eleitoral.

    No entanto, a investigação da PF vai além do repasse milionário. O mesmo inquérito já havia identificado um esquema de “empresas de passagem” utilizado pelo grupo Refit para pulverizar recursos.

    Nesse contexto, o nome de Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário-executivo da Casa Civil da Presidência, voltou à tona. 

    Assunção, que foi o principal auxiliar de Ciro Nogueira durante o governo Bolsonaro, é apontado como beneficiário de um repasse de R$ 1,3 milhão oriundo de empresas ligadas à Refit.

    Sob a ótica da Polícia Federal, o modus operandi é elucidativo. A empresa de fachada de Assunção, a Sary Consultoria e Participações Ltda., foi aberta com um capital social de apenas R$ 1.000.

    Quatorze dias depois, em 31 de março de 2025, recebeu mais de R$ 1,3 milhão das empresas Roar Inovação, Fera Lubrificantes e Flagler.

    Os valores, segundo a PF, foram rapidamente transferidos para a conta pessoal do ex-secretário, sem que houvesse despesas operacionais compatíveis com a atividade de consultoria source source.

    A descrição dos investigadores é técnica e contundente: “Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem, sem identificação de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria, como folha de pagamento, estrutura administrativa relevante ou custos técnicos proporcionais aos valores recebidos”.

    A promiscuidade entre a função pública e os negócios privados é o cerne da ação da Operação Sem Refino.

    A teia que conecta Ciro Nogueira ao empresário Ricardo Magro não é de agora. Investigações anteriores, como a Operação Carbono Oculto, já haviam mostrado que Magro se referia ao senador como um “amigo” fora da política.

    À época, o empresário negou usar a influência do político para obter vantagens .

    No entanto, a promessa de uma justiça democrática e a atuação independente da Polícia Federal seguem no rastro dos recursos públicos desviados.

    A cronologia dos fatos, aliada à movimentação financeira atípica e ao histórico de sonegação do grupo Refit, torna insustentável a tese de mera “venda de terreno” sem a devida e rigorosa investigação pelo STF.

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