Presidente colombiano convoca cidadãos para defender independência nacional, enquanto EUA acenam com ação militar em Bogotá

Bogotá · 06 de janeiro de 2026
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, lançou um apelo veemente à nação para uma defesa coletiva da soberania. Em uma publicação no X (antigo Twitter) na noite de segunda-feira (5/jan), Petro conclamou os colombianos a hastearem a bandeira nacional em suas casas e se reunirem em todas as praças do país na quarta-feira (7/jan) às 16h.
“Iza ya la bandera de Colombia en tu casa. El miercoles nos vemos en todas las plazas de Colombia, a las 4 pm. Ahora a defender la soberanía nacional”, escreveu o líder progressista, acompanhado de um vídeo motivacional que já acumula milhões de visualizações.
Iza ya la bandera de Colombia en tu casa. El miercoles nos vemos en todas las plazas de Colombia, a las 4 pm.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) January 6, 2026
Ahora a defender la soberanía nacional. pic.twitter.com/TsRh5XO1ad
A convocação surge como resposta direta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, em uma coletiva de imprensa no domingo (4/jan), sugeriu que uma operação militar em Bogotá poderia ser viável, similar à incursão que resultou no sequestro de Nicolás Maduro em Caracas.
O contexto remonta ao dramático ataque aéreo e terrestre ordenado por Washington contra a Venezuela, uma ação que Trump descreveu como necessária para “libertar” o país vizinho do que ele chama de regime socialista.
Em meio a explosões e relatos de baixas civis, forças especiais americanas raptaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, transferindo-os para os EUA para julgamento por narcotráfico e corrupção.
Trump afirmou que os EUA assumirão o controle temporário da Venezuela até uma transição “segura“, incluindo a venda de petróleo apreendido para financiar operações.
Questionado sobre possíveis alvos adicionais, o presidente americano não hesitou: “Colombia is very sick too and run by a socialist. That sounds good to me“, referindo-se explicitamente à possibilidade de replicar a tática em Bogotá.
Essa frase, proferida em tom casual durante a mesma coletiva, provocou reações imediatas em toda a região, com líderes como o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva evocando “os piores momentos do intervencionismo imperialista“.
Petro, conhecido por sua postura anti-imperialista e ex-guerrilheiro do M-19, não tardou em reagir. Além da convocação popular, ele ordenou o envio de forças públicas à fronteira com a Venezuela, ostensivamente para auxiliar refugiados potenciais, mas com o claro intuito de sinalizar prontidão defensiva.
Cerca de 30 mil soldados foram mobilizados, conforme relatório exclusivo do Expresso português, que destacou o alerta de Trump a Petro para “ter cuidado“.
Em outra postagem no X, Petro condenou o bombardeio em Caracas, afirmando que o governo colombiano “repudia a agressão contra a soberania da Venezuela“.
Ele apelou à ONU e à OEA para intervenções imediatas, enfatizando que a detenção de Maduro sem base legal equivale a um “sequestro”.
A Colômbia se prepara para um influxo de refugiados venezuelanos, com Petro enviando forças à fronteira para assistência humanitária.
A resposta interna na Colômbia é polarizada. Aliados de Petro, como a senadora Esmeralda Hernández, ecoaram o chamado: “¡Nos vemos en las calles! Vamos a defender la soberanía colombiana“, mobilizando apoiadores em redes sociais.
No entanto, opositores criticam a estratégia como “confrontacional”, com o ex-ministro José Manuel Restrepo sugerindo uma marcha em solidariedade à democracia venezuelana em vez de focar em soberania.
Imagens de protestos circulam, incluindo uma manifestante em Bogotá segurando um cartaz com a inscrição “Trump Petro No Come Cuento Un Colombia Pais Sold”, simbolizando rejeição tanto ao intervencionismo americano quanto ao governo local.
Essa divisão reflete a frágil estabilidade política da Colômbia, ainda marcada por acordos de paz e desafios econômicos.
Do lado americano, Trump ampliou suas ameaças, mencionando que a Colômbia é “controlada por um socialista” e aludindo a problemas como narcotráfico, apesar de dados recentes mostrarem recordes de apreensões de cocaína sob Petro.
Relatos do The New York Times apontam que Trump vê a Colômbia como parte de uma cadeia de “países doentes” na região, incluindo Cuba e até a Groenlândia como prioridade de segurança.
Em contrapartida, Petro alertou para o risco de uma “barbarie” regional, invocando a unidade latino-americana e citando o papa Francisco, que pediu garantias à soberania venezuelana.
Essa crise não é isolada: atos de repúdio aos EUA ocorreram no Brasil, denunciando violações ao direito internacional.
Analistas observam que a mobilização de Petro pode fortalecer sua base progressista, mas arrisca sanções econômicas, especialmente após as impostas em 2025.
Violações
Especialistas e a ONU apontam que a ação de Trump viola o Artigo 2(4) da Carta da ONU, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de outro Estado. O governo americano, por outro lado, usa o precedente da captura de Manuel Noriega no Panamá em 1989 para validar a prisão.
Impacto Diplomático
A postura de Trump em 2026 é descrita como um retorno à “diplomacia do canhoneiro”, onde o poder militar é usado para impor decisões judiciais domésticas sobre líderes estrangeiros.
Sob a ótica de Trump, um presidente pode prender outro se retirar o reconhecimento de sua legitimidade e enquadrá-lo em crimes transnacionais, mesmo que isso signifique romper com as proteções tradicionais do Direito Internacional.
Enquanto isso, a Colômbia permanece em alerta, com o mundo observando se as praças lotadas em 7/jan serão o prelúdio de uma resistência pacífica ou de um confronto maior. A soberania, afinal, reside no povo – e Petro aposta nisso para reverter o tabuleiro.

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