Presidente da Colômbia participou de protestos contra o genocídio em Gaza e incitou soldados de Trump a desobedecer o republicano
Brasília, 27 de setembro de 2025
É O Gustavo Petro Com O Roger Waters, Propondo Uma FORÇA DA ONU Para A LIBERTAÇÃO DA PALESTINA.
— Sérgio A J Barretto (@SergioAJBarrett) September 27, 2025
SE CAI GAZA, MORRE A HUMANIDADE pic.twitter.com/ptgcOmFV1G
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, uniu-se ao lendário músico britânico Roger Waters, ex-membro do Pink Floyd, em uma vibrante manifestação contra o que chamaram de genocídio em Gaza.
O evento, ocorrido na sexta-feira (26/set), reuniu milhares de ativistas em frente à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), no Dag Hammarskjold Plaza, durante a 80ª Assembleia Geral da entidade.
A presença do líder sul-americano elevou o tom do protesto, que inicialmente visava repudiar o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mas evoluiu para um chamado global por ação militar humanitária.
Petro, conhecido por sua postura progressista e críticas veementes à ofensiva israelense na Faixa de Gaza, discursou ao lado de Waters, que há anos se posiciona como ativista pró-palestino.
De óculos escuros e megafone em mãos, o presidente colombiano proclamou: “O que está acontecendo em Gaza é claramente um genocídio”.
Ele foi além, propondo a criação de um “exército de salvação mundial” sob o manto da ONU, com a missão prioritária de “libertar Gaza”.
Segundo relatos, Petro incentivou nações como Indonésia, Ásia e países latino-americanos a contribuírem com tropas, ecoando sua fala anterior na Assembleia Geral, onde acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de ser “cúmplice no genocídio” e exigiu processos criminais por ataques aéreos americanos no Caribe.
A manifestação começou na Times Square e migrou para as imediações da ONU, com bandeiras palestinas tremulando ao vento e cartazes como “Prendam Netanyahu” e “Fim à Ajuda Militar dos EUA a Israel”.
Waters, por sua vez, reforçou o apelo com um discurso inflamado, destacando a “hipocrisia global” diante do conflito que, desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, resultou em mais de 65 mil mortes palestinas, segundo autoridades de saúde da Gaza, além de fome generalizada e deslocamento em massa.
O músico, que já havia se reunido com Petro em eventos anteriores, compartilhou o palco em um momento simbólico de união entre arte e política.
No entanto, o ato de Petro gerou uma resposta imediata e drástica do governo norte-americano. Poucas horas após o protesto, o Departamento de Estado dos EUA anunciou, via postagem em rede social, a revogação do visto do presidente colombiano, alegando “ações imprudentes e incendiárias”.
O comunicado oficial acusou Petro de ter “instigado soldados americanos a desobedecer ordens e incitar violência”, referindo-se diretamente a suas palavras: “Desobedeçam as ordens de Trump. Obedeçam as ordens da humanidade”.
A medida, confirmada em fontes como o The New York Times e o Washington Post, marca uma escalada nas tensões bilaterais entre Bogotá e Washington, já fragilizadas por disputas sobre migração e narcotráfico.
Em reação, Petro postou uma extensa mensagem no X (antigo Twitter), defendendo sua imunidade sob o direito internacional e criticando a decisão como uma violação às normas da ONU.
O ministro do Interior da Colômbia, Armando Benedetti, ecoou o sentimento, argumentando que o visto a ser cancelado deveria ser o de Netanyahu, não de um líder que “teve coragem de falar a verdade”.
A notícia da revogação, atualizada na manhã deste sábado (27 /set), foi amplamente coberta pela mídia global, com veículos como Al Jazeera destacando o contexto do discurso de Netanyahu na ONU, que defendeu a continuação da operação em Gaza como parte de uma luta contra o “eixo do terror iraniano”.
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Essa não é a primeira vez que Petro e Waters se alinham na causa palestina. Em 2024, o governo colombiano rompeu relações diplomáticas com Israel em repúdio à ofensiva pós-7 de outubro.
O protesto em Nova Iorque reforça o crescente isolamento diplomático de Israel em fóruns internacionais, com líderes como o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, sinalizando apoio a forças de paz multinacionais.
Analistas veem na revogação do visto um sinal de que a administração Trump – em seu segundo mandato – intensificará retaliações contra vozes dissonantes no hemisfério sul.
Enquanto Petro retornava a Bogotá no sábado, o episódio reacende debates sobre liberdade de expressão e imunidade diplomática.
A manifestação, que mobilizou jovens e comunidades diversas, serve como lembrete de que as ruas de Nova Iorque continuam sendo palco para demandas globais de justiça, mesmo sob o risco de sanções políticas.







