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    Peso argentino despenca 99,8% desde 2009 e atinge novo piso histórico frente ao dólar

    — calculando —
    Donald Trump e Javier Milei

    📷 Donald Trump, à época candidato à Presidência dos EUA, e o líder argentino Javier Milei se reúnem em edição da Cpac na cidade americana National Harbor, em Maryland |24.2.2024| Foto: Presidência da Argentina via AFP | No destaque, a cotação do peso argentino frente ao dólar na terça-feira (14/jul/2026)

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Buenos Aires (AR)
    14 de julho de 2026

    O peso argentino fechou o fim de semana em um novo piso histórico frente ao dólar, consolidando uma queda acumulada de 99,8% desde 2009.

    Neste momento, 1.000 pesos argentinos valem aproximadamente US$ 0,67, segundo dados de mercado compilados pela plataforma financeira norte-americana Barchart.

    O tombo não é um evento isolado: reflete anos de emissão monetária para cobrir déficits fiscais, somados a controles de capital e à perda periódica de reservas internacionais — fatores amplamente documentados pela imprensa financeira argentina.

    O que mudou desde Milei

    O governo de Javier Milei, iniciado em dezembro de 2023, aplicou um ajuste ortodoxo: cortou gastos públicos, eliminou subsídios e promoveu uma desvalorização inicial da moeda.

    A inflação mensal recuou de patamares hiperinflacionários para níveis mais administráveis, mas a depreciação do peso continuou, pressionada pela distância entre inflação acumulada e ritmo de correção cambiária.

    Atualmente, o BCRA opera sob um regime de bandas cambiárias, com teto fixado em torno de $1.815,42 pesos por dólar.

    Segundo levantamento do Ámbito Financiero, o dólar oficial de venda no Banco Nación opera perto de $1.515, enquanto o El Cronista registra o dólar MEP em torno de $1.522 e o dólar blue próximo de $1.520 — evidência de que, apesar dos múltiplos tipos de câmbio, todas as cotações convergem para o mesmo patamar deprimido.

    Reservas em alta, risco país em queda

    Paradoxalmente, o momento de piso cambial coincide com sinais considerados positivos pelo mercado financeiro argentino.

    Segundo apuração do Infobae, as reservas internacionais brutas do BCRA avançaram para US$ 49,536 bilhões, o maior volume desde setembro de 2019, enquanto o risco país, medido pelo índice do JPMorgan, recuou a 405 pontos básicos — o melhor nível desde abril de 2018.

    O economista Brian Torchia, gerente de Finanças Corporativas da consultoria Pgk Consultores, avaliou que um risco país “razoável” para a Argentina estaria na faixa de 200 pontos, patamar hoje associado a economias emergentes consideradas mais estáveis, segundo o mesmo levantamento do Infobae.

    O contexto internacional também pesou nos últimos dias: a escalada de tensões no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e pressionou ativos argentinos, movimento que se soma à sazonalidade de menor liquidação de dólares pelo agronegócio, um dos maiores fornecedores de divisas do país.

    O caso argentino ilustra uma dissociação pouco intuitiva entre indicadores macroeconômicos e o valor da moeda local: reservas crescendo, risco país em queda de oito anos, mas o peso seguindo a mesma trajetória histórica de desvalorização iniciada há mais de uma década e meia.

    Isso sugere que a estabilização de indicadores financeiros de curto prazo não resolve, por si só, o problema estrutural de confiança na moeda — o que explica por que a dolarização informal da economia argentina segue avançando, inclusive por meio de criptomoedas atreladas ao dólar.

    O BCRA deve divulgar nos próximos dias o Relevamento de Expectativas de Mercado (REM) atualizado, com novas projeções cambiais para o restante de 2026.

    FAQ Rápido

    Quanto vale hoje 1.000 pesos argentinos em dólares?
    Cerca de US$ 0,67, segundo cotações de mercado compiladas pela plataforma Barchart.

    Por que o peso argentino caiu tanto desde 2009?
    A queda acumulada de 99,8% reflete anos de emissão monetária para cobrir déficits fiscais, controles cambiais e perda periódica de reservas do Banco Central.

    A economia argentina está piorando ou melhorando?
    Os indicadores são mistos: o risco país caiu a mínimas de oito anos e as reservas do BCRA cresceram, mas o peso segue em piso histórico frente ao dólar.



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