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Perguntado se ‘entrega a faixa caso perca’, Bolsonaro diz que o ‘inquérito’ vai responder (vídeo)

    O presidente evitou falar em derrota para LULA e insistiu em tentar argumentar com uma jornalista sobre a investigação da PF, vazada em sua live em 2021

    JORNALISTA: “Com o sistema eleitoral do jeito que está o senhor diz que não é transparente. O senhor entrega a faixa presidencial caso o senhor perca a eleição?”
    BOLSONARO: “Você está louca que eu fale ‘não’, né? Você está louca! ‘Não’: ‘Manchete'”.

    JORNALISTA: “O senhor já falou várias vezes que o sistema não é transparente, que o senhor não confia e só vai entregar com o sistema limpo”.
    BOLSONARO: “Você também não leu o inquérito, mas que vergonha! Que vergonha pra vocês!”

    JORNALISTA: “Eu não estou falando do inquérito”.
    BOLSONARO: “Estou te respondendo. Que vergonha pra vocês! Um inquérito de poucas páginas, né?”

    JORNALISTA: “Mas eu não estou falando do inquérito”.
    BOLSONARO: “Mas o inquérito… por que houve o inquérito?”

    JORNALISTA: “O senhor fala que não é transparente”.
    BOLSONARO? “Por que houve o inquérito?”

    JORNALISTA: “Não estou falando do inquérito. O senhor diz que não é transparente”.
    BOLSONARO: “Eu vou responder se você… Vamos começar do zero. Você quer começar a fazer a casa pelo telhado? Por que houve o inquérito?”

    JORNALISTA: “O senhor diz que não é transparente… o sistema eleitoral, que não é seguro”
    BOLSONARO: “Eu quero transparência”.

    JORNALISTA: “O sistema ficando do jeito que está, o senhor vai entregar?”
    BOLSONARO: “Não, não dá pra discutir contigo. Eu vou embora. Por que foi aberto o inquérito? Se abre inquérito quando se tem uma motivação, um fato. Por que houve inquérito? Responda. Você não sabe? Mas que vergonha!”

    JORNALISTA: “Eu não estou perguntando sobre o inquérito, presidente”.
    BOLSONARO: “Mas o que vai dizer se algo é justo ou não? É o inquérito. Será que é tão difícil entender? Será que a ordem é bater na mesma tecla o tempo todo? Alguém sabe por que foi aberto o inquérito? Eu não posso abrir inquérito contra um de vocês sem um fato qualquer, um motivo. Porque houve uma denúncia. Você sabe quem fez a denúncia?

    JORNALISTA: “Pode falar, presidente!”
    BOLSONARO: “Não, não. Pergunto pra você. Não vou te responder uma coisa que você não sabe”.

    JORNALISTA: “Mas eu não estou dando entrevista, não, presidente”.
    BOLSONARO: “Então acabou sua cota de entrevista, aí”.

    Veja abaixo e leia mais a seguir:

    O inquérito

    De acordo com o portal político Congresso em Foco, quando Bolsonaro reuniu os cerca de 40 embaixadores de diferentes países no Palácio da Alvorada, na segunda-feira (18/7), para apresentar o que ele afirma se tratar de provas da ineficácia do sistema de segurança das urnas eletrônicas adotadas nas eleições, ele apresentou trechos de um inquérito da Polícia Federal vazado por ele em 2021, apontando para uma suposta fraude nas eleições de 2018, desmentida pela própria corporação e pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

    O inquérito em questão diz respeito a uma denúncia de que uma hacker conseguiu acessar os sistemas virtuais do TSE, incluindo as páginas dos ministros, oito meses antes das eleições de 2018. A investigação foi aberta no mesmo ano até que, em julho de 2021, Jair Bolsonaro vazou dados do inquérito, utilizando-o em uma live para afirmar que houve fraude nas urnas eletrônicas durante o pleito que o elegeu.

    Os mesmos vazamentos foram expostos aos embaixadores na reunião em que tornou a defender o uso do voto impresso durante as eleições. Bolsonaro ainda questionou o motivo do inquérito não ter sido encerrado, chegando a afirmar que “não poderíamos ter tido as eleições de 2020 sem apuração, porque o sistema é completamente vulnerável”.

    Em agosto de 2021, o TSE divulgou uma nota onde afirmou ter recebido as informações da PF sobre o inquérito, e que, mesmo se confirmada a invasão, o hacker não seria capaz de alterar o resultado das eleições. “Cabe reiterar que as urnas eletrônicas jamais entram em rede. Por não serem conectadas à internet, não são passíveis de acesso remoto, o que impede qualquer tipo de interferência externa no processo de votação e de apuração”, disse a Corte.

    O tribunal ainda disse que não tem qualquer registro de alteração no sistema de controle interno. “O código-fonte dos programas utilizados passa por sucessivas verificações e testes, aptos a identificar qualquer alteração ou manipulação. Nada de anormal ocorreu. (…) O próprio TSE encaminhou à Polícia Federal as informações necessárias à apuração dos fatos e prestou as informações disponíveis. A investigação corre de forma sigilosa e nunca se comunicou ao TSE qualquer elemento indicativo de fraude”, escreveu o Tribunal, na ocasião.

    Bolsonaro ainda questionou o motivo do TSE não ter acatado as sugestões enviadas pelas Forças Armadas durante os trabalhos da Comissão de Transparência das Eleições. No último mês de junho, porém, o tribunal decidiu por acatar dez das 15 sugestões encaminhadas pelo ministro Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Entre as demais, apenas uma foi rejeitada, e outras quatro serão analisadas para eventual aplicação no pleito de 2024.

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