Críticos veem tentativa de “lavagem de imagem” para figuras alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente com as eleições de 2026 no horizonte
A revista piauí revelou suposto esquema de marketing disfarçado em que perfis populares de fofoca no Instagram publicaram, em dezembro de 2025, conteúdos enaltecendo ações do governador de São Paulo (Republicanos), como isenção de IPVA para motos de baixa cilindrada, inauguração de trecho de rodovia e intervenções em concessionária de energia, misturando elogios intensos com memes e figurinhas, sem indicar patrocínio. Uma agência recém-registrada oferecia pacotes de posts por cerca de R$ 20 mil, com Pix rastreado; governo e partido negam envolvimento, afirmando que campanhas são institucionais e legais. Especialistas apontam possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor e improbidade administrativa, vendo estratégia de consolidação de imagem pré-eleições 2026, com repercussão imediata nas redes e debate sobre transparência no marketing digital.
Brasília (DF) · 12 de janeiro de 2026
Uma investigação revelada pela revista piauí nesta segunda-feira (12/jan) expõe um suposto esquema de marketing disfarçado envolvendo perfis populares de fofoca no Instagram, que teriam recebido pagamentos para enaltecer ações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Contas com milhões de seguidores, habituadas a tratar de celebridades e intrigas amorosas, publicaram conteúdos positivos sobre políticas do governo paulista em dezembro de 2025, levantando suspeitas de propaganda velada em ano pré-eleitoral.
De acordo com a reportagem assinada por João Batista Jr., perfis como @alfinetei (mais de 25 milhões de seguidores), @garotxdoblog (1,2 milhão), @fofocas (7,7 milhões), @exclusivasdafama (9,1 milhões), @rainhamatos (2,1 milhões) e @vemebuscarhebe (1,1 milhão) destacaram medidas como a isenção de IPVA para motos de até 180 cilindradas, a inauguração do primeiro trecho do Rodoanel Norte, intervenções na concessionária Enel por falhas no fornecimento de energia e supostos esforços contra a violência de gênero.
As postagens, concentradas em poucas semanas, misturavam elogios ao governador com memes e figurinhas, sem qualquer indicação de que se tratavam de conteúdo patrocinado.
A piauí obteve acesso a mensagens de uma intermediária chamada Daniela Moura, da empresa Submarino Lab – uma agência de marketing de influência registrada em dezembro de 2025, sediada em um apartamento na Vila Suzana, em São Paulo.
A companhia, em nome de Vanessa Aparecida Ribeiro Soares, descrita como motorista de aplicativo em outro CNPJ, oferecia pacotes de quatro posts semanais por valores como 20 mil reais. Um Pix nesse montante foi registrado para um influenciador em troca de publicações favoráveis a Tarcísio.
Ao ser contatada pela reportagem, Vanessa confirmou sua identidade, mas desligou e bloqueou o número ao saber do tema.
O governo de São Paulo negou qualquer envolvimento, afirmando que suas campanhas são institucionais e seguem a legislação. “Não há investimento nessas postagens“, declarou a Secretaria de Comunicação.
O partido Republicanos também alegou desconhecer a operação. No entanto, especialistas consultados pela piauí apontam irregularidades: posts pagos sem identificação violam o artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor, e o uso de recursos para autopromoção pode configurar improbidade administrativa.
As postagens têm evidente tom “idólatra”, o que demonstra uma estratégia para consolidar a imagem de Tarcísio como “gestor eficiente” em meio a críticas ao bolsonarismo.
Muitos perfis estão ligados à agência Buzz, cujos sócios negam negociações, alegando que os conteúdos eram “orgânicos” e baseados em tendências virais – alegação questionada pela falta de evidências.
A repercussão nas redes sociais foi imediata, com debates no X (antigo Twitter) e no Reddit questionando a mistura entre entretenimento e propaganda política.
Críticos veem nisso uma tentativa de “lavagem de imagem” para figuras alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente com as eleições de 2026 no horizonte.
Até o momento, não há investigações oficiais anunciadas, mas o caso reforça a necessidade de transparência no marketing digital.

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