Avanço da proposta no legislativo gera debates intensos sobre equilíbrio entre Poderes e proteção a autoridades
Brasília, 16 de setembro de 2025
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (16/set), em primeiro turno, o texto-base da PEC 3/21, conhecida como PEC da Blindagem.
A proposta, que altera o artigo sobre imunidade parlamentar na Constituição Federal, exige autorização prévia da respectiva Casa Legislativa para que o Supremo Tribunal Federal (STF) processe criminalmente deputados federais ou senadores.
A votação ocorreu após discussões acaloradas, com o encerramento do debate aprovado por 346 votos a 122, superando o quórum mínimo de 308 votos favoráveis necessário para emendas constitucionais.
O relator da matéria, o deputado Cláudio Cajado (PP-BA), defendeu o texto em seu parecer, argumentando que a medida representa “um modelo mais equilibrado, equânime e democrático para preservar o Legislativo”.
De acordo com o documento divulgado pelo parlamentar, a PEC não se trata de privilégios individuais, mas de uma “restauração de regras originais da Constituição de 1988”, extintas em 2001 devido a críticas sobre impunidade.
Cajado incluiu, ainda, presidentes de partidos com representação no Congresso na lista de autoridades com direito a foro no STF, ampliando o escopo da proteção.
Principais Pontos do Texto Aprovado
A proposta promove mudanças significativas nas prerrogativas parlamentares, com os seguintes destaques:
Autorização para Processos Criminais: O STF só poderá receber denúncias contra parlamentares após licença concedida pela Câmara dos Deputados (para deputados) ou pelo Senado Federal (para senadores), em votação secreta por maioria absoluta (50% mais um dos membros), com prazo de até 90 dias. Se negada, o processo é suspenso durante o mandato, com interrupção da prescrição para evitar impunidade.
Prisões em Flagrante: Reforça a exigência de autorização da Casa respectiva para prisões de parlamentares em flagrante delito, também por votação secreta. Em caso de aprovação, o preso é mantido em custódia dos colegas até julgamento final.
Medidas Cautelares: Inquéritos e ações contra deputados e senadores dependem de aval prévio do Congresso, com possibilidade de entrave a buscas e apreensões, como ocorreu recentemente com o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), alvo de operação da Polícia Federal.
Ampliação do Foro: Estende o foro privilegiado a líderes partidários, criando uma camada extra de proteção contra ações judiciais.
Essas alterações visam “equilibrar os poderes”, segundo defensores, mas críticos, como o deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA), vice-líder do governo, alertam que o texto “pode ser confundido com uma blindagem de mandatos”, fomentando impunidade em meio a investigações sobre corrupção e abusos.
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Como Votaram os Deputados: Um Retrato da Divisão Partidária
A sessão plenária em Brasília revelou fissuras no centrão e apoio maciço da oposição. Embora detalhes nominais da votação ainda não tenham sido divulgados integralmente pelo sistema da Câmara, fontes indicam que:
A Favor (aproximadamente 320+ votos no texto-base): Maioria do centrão, incluindo siglas como Republicanos, PP e PL, lideradas por figuras como o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente Arthur Lira (PP-AL), articuladores da pauta. Oposicionistas bolsonaristas, como Carlos Jordy (PL-RJ), celebraram a medida como forma de “evitar abusos de autoridade”, citando buscas em suas residências.
Contra (cerca de 140 votos): Base aliada ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com partidos como PT, PCdoB e PSOL, que tentaram adiar a votação via requerimento, rejeitado por 280 a 180. Líderes petistas classificaram a PEC como “reação ao STF após a condenação de Jair Bolsonaro”.
O quórum foi alto, com mais de 460 deputados presentes, sinalizando prioridade da pauta. O segundo turno e análise de destaques estão previstos para os próximos dias, antes do encaminhamento ao Senado.
Cenário de Crise Institucional
A aprovação ocorre em contexto de atrito entre o Legislativo e o Judiciário, impulsionada por motins oposicionistas em agosto e decisões do STF contra aliados de Bolsonaro, como os atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo analistas, a PEC pode travar investigações em curso, como as relacionadas a desvios em contratos públicos, e sinaliza uma guinada conservadora no Congresso.
Reações nas redes sociais explodiram, com hashtags como #PECdaImpunidade em trending.
O presidente Hugo Motta postou que a proposta “fortalece a atividade parlamentar”, mas opositores ao texto, incluindo entidades da sociedade civil, prometem ações judiciais no próprio STF para barrar a promulgação.








Esses Deputados atuais só envergonham a nós brasileiros. Pensam e agem visando seus próprios interesses, e não os da nação.
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