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Pausa nas tarifas de Trump não alivia temores de recessão global

    Mercados despencam à medida que a guerra comercial com a China acentua a incerteza econômica – SAIBA MAIS

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    Brasília, 11 de abril de 2025

    A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de pausar por 90 dias a maioria de suas novas tarifas comerciais trouxe alívio momentâneo aos mercados globais, mas não dissipou o temor de uma recessão iminente.

    A trégua, anunciada após dias de vendas expressivas nas bolsas, foi ofuscada pela escalada da guerra comercial com a China, que elevou suas tarifas sobre importações americanas para 125% em retaliação aos 145% impostos pelos EUA.

    Segundo a Reuters, a incerteza persiste, com o índice S&P 500 caindo 15% desde seu pico em fevereiro e analistas, como Adam Hetts da Janus Henderson, alertando que o risco de recessão é agora significativamente maior.

    O Goldman Sachs estima uma probabilidade de 45% de recessão, enquanto a Yale Budget Lab aponta que a taxa média efetiva de tarifas é a mais alta em um século.

    A pausa tarifária foi uma tentativa de conter a turbulência financeira, mas o impacto das tarifas anteriores já prejudica cadeias de suprimento globais e eleva os custos para empresas e consumidores.

    Os EUA podem estar se prejudicando tanto quanto outras economias, com previsões indicando um aumento de quase 2% no índice de preços ao consumidor em 2025.

    O “dano já está feito”, publicou o The Independence, após a confiança do consumidor nos EUA despencar para o menor nível desde 1981, conforme pesquisa da Universidade de Michigan.

    Enquanto isso, líderes globais, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, optaram por suspender contratarifas para buscar negociações, mas alertam que a retomada das medidas é possível se os diálogos falharem.

    Donald Trump cumprimenta Xi Jinping durante reunião do G20 em Osaka, no Japão, em 2019 |29/06/2019| Foto: Kevin Lamarque/Reuters

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    Apesar das negociações sinalizadas por mais de 75 países, conforme afirmou o secretário do Tesouro americano Scott Bessent, a volatilidade nos mercados persiste.

    Ocorreram quedas acentuadas em índices asiáticos, como o Nikkei do Japão, que perdeu quase 5%, e o mercado de Hong Kong, rumo à maior baixa semanal desde 2008.

    A incerteza tarifária continua a alimentar um dos períodos de maior volatilidade desde o início da pandemia.

    Há fuga de investidores para ativos seguros, como ouro, que atingiu recordes, e a desvalorização do dólar frente ao euro, enquanto Trump minimiza a turbulência, prevendo que acordos comerciais estabilizarão a economia.

    O cenário global reflete um delicado equilíbrio entre negociações e retaliações, com economias asiáticas, como o Vietnã, buscando evitar tarifas ao limitar o comércio de produtos chineses através de seus portos.

    A guerra comercial ameaça décadas de estabilidade no comércio global. Líderes mundiais ainda buscam estratégias para lidar com a maior disrupção no comércio em gerações.

    A promessa de Trump de “resetar” a economia americana enfrenta ceticismo, com especialistas alertando que a inflação e a incerteza podem agravar os desafios econômicos domésticos e internacionais nos próximos meses.

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