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“Acho que alguém do presidente já tinha mencionado que Paulo Figueiredo iria lançar essas críticas ou denúncias contra os generais militares“, disse – ASSISTA E SAIBA MAIS
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Brasília, 09 de junho de 2025
Em um trecho do depoimento do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou se “o réu sabia de antemão o conteúdo que seria divulgado pelo [jornalista] Paulo Figueiredo [na Jovem Pan]”.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, quis saber: “Qual foi a data mesmo?” Gonet respondeu que foi em “28 de novembro de 2022“.
Então, o ministro relator perguntou diretamente a Mauro Cid: “O senhor se recorda que isso ocorre no contexto narrado na ação penal de coação aos comandantes militares, para que eles aderissem ao golpe e à assinatura do decreto de golpe?”
Mais objetivamente, Moraes disse: “A pergunta é: como o senhor sabia disso? Já havia chegado no programa em virtude das mensagens trocadas?”
Na sequência, Mauro Cid respondeu que “é porque isso também estava público nos grupos militares. Todas as críticas estavam sendo feitas aos generais; os comandantes já estavam sendo mencionados publicamente.”
Mauro Cid explicou que ‘grupos militares’ refere-se ao seu círculo de amizade. Contudo, o militar disse que “as informações já estavam públicas. Inclusive, essa informação – de que seria feito esse programa [com Paulo Figueiredo] e que já sairia – já estava circulando“.
Depois, Cid disse: “Acho que alguém do presidente já tinha mencionado que Paulo Figueiredo iria lançar essas críticas ou denúncias contra os generais militares. Mas já estava público. Tudo o que ele falou nos grupos militares, grupos de WhatsApp militar… Todo mundo já estava comentando, falando sobre isso.”
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Segundo Cid, as críticas aos generais, amplificadas por Paulo Figueiredo na Jovem Pan, faziam parte de um movimento para pressionar comandantes militares, como o general Marco Antônio Freire Gomes, a apoiar um decreto golpista que anularia o resultado eleitoral.
Paulo Figueiredo, conhecido comentarista político, utilizou seu programa na Jovem Pan em 28 de novembro de 2022 para expor generais do Alto Comando do Exército, como Richard Fernandes Nunes, Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva e Valério Stumpf Trindade, que se opunham a ações mais “contundentes” das Forças Armadas.
Segundo a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), essas críticas visavam desestabilizar os comandantes e ampliar a adesão a uma carta golpista.
A Jovem Pan, à época, era um canal influente entre apoiadores de Bolsonaro, e as declarações de Figueiredo ecoaram nos acampamentos bolsonaristas em frente a quartéis, que pediam intervenção militar.
A emissora, no entanto, nega envolvimento em articulações golpistas, afirmando que os comentários refletiam opiniões pessoais do jornalista.
Como ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Cid tinha acesso a informações privilegiadas e forneceu detalhes sobre supostas tramas golpistas, fraudes em cartões de vacina e desvios de joias.
A delação é considerada pivotal no inquérito que investiga Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado.
O depoimento de Cid destaca a existência de uma rede de comunicação informal, via WhatsApp, que disseminava críticas e pressões no meio militar.
Esses grupos, segundo ele, amplificavam o descontentamento com generais que resistiam às teses golpistas, como Freire Gomes e Carlos Baptista Júnior, da Aeronáutica.
A menção a “alguém do presidente” sugere que a equipe de Bolsonaro tinha conhecimento prévio das ações de Paulo Figueiredo.
A PGR, sob Paulo Gonet, analisa essas informações para determinar se houve uma organização criminosa liderada por Bolsonaro.
A denúncia, apresentada em fevereirO, inclui 33 pessoas, entre militares e políticos, acusadas de crimes como tentativa de golpe e abolição do Estado Democrático de Direito.
As revelações de Mauro Cid jogam luz sobre um dos momentos mais críticos da democracia brasileira, quando a transição de governo esteve sob ameaça.
A articulação pública, via Jovem Pan, e privada, via WhatsApp, mostra como narrativas golpistas foram disseminadas para pressionar as Forças Armadas.
A resistência de comandantes como Freire Gomes foi crucial para evitar a ruptura institucional.












