O Presidente do Brasil lamentou neste sábado a morte do irmão de Chico Caruso, que também é chargista. Paulo caricaturou entrevistados do programa da TV Cultura por 35 anos
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lamentou, neste sábado (4/3) a morte do cartunista Paulo Caruso, famoso por caricaturar os rostos dos convidados do programa da TV Cultura, Roda Viva, onde trabalhou durante 35 anos. “O seu traço veloz e seu humor já são parte da memória nacional“, afirmou o chefe do Executivo, em uma mensagem no microblog Twitter.
“Paulo Caruso foi um grande desenhista e cronista político, com uma criatividade inesgotável, retratou com talento e consciência o dia-a-dia que constrói nossa história recente“, afirmou Lula. “Contribuiu com seu talento na luta pela democracia e por um país com direito à liberdade de expressão. Meus sentimentos ao seu irmão, Chico, aos seus familiares, amigos e admiradores”.

Paulo Caruso em 2021 | Imagem reprodução Instagram / @caruso.paulo/InstagramO cartunista morreu aos 73 anos neste sábado em São Paulo (SP), onde estava internado no Hospital 9 de Julho há cerca de um mês, para tratar das complicações decorrentes de um câncer no intestino. A família pediu que ele fosse desentubado para receber os amigos nesta manhã de sábado, mas ele não resistiu.
Caricaturista, ilustrador, chargista e músico, Paulo José Hespanha Caruso nasceu na capital paulista em 6 de dezembro de 1949. Ele é irmão gêmeo de Chico Caruso.
Paulo Caruso cursou arquitetura na USP (Universidade de São Paulo) no início dos anos 1970, mas não exerceu a profissão. Em 1985, no Salão de Humor de Piracicaba, no interior de São Paulo, uniu a paixão pela música ao amor pelos cartuns e montou uma banda só com cartunistas.
No programa Conversa com Bial, da TV Globo, Paulo Caruso afirmou que ele e o irmão Chico Caruso começaram cedo na arte do desenho.
“Desde os 4, 5 anos de idade a gente desenhava sem parar, incentivado pelo nosso avô materno, que era pintor amador, pegava na mão da gente e ensinava a desenhar. Foi quem me ensinou a tocar violão também“, disse na ocasião, conforme transcrição no portal de notícias g1.
Na mesma entrevista, Chico contou que em 1969, com 18 anos, ele e o irmão estavam começando a trabalhar em jornal, “aí a politização foi quase uma obrigação“.
Paulo Caruso começou a vida profissional no Diário Popular no final da década de 1960 e também colaborou com os jornais Folha de S. Paulo e Movimento.
Nos anos 1970, foi para O Pasquim, ao lado de Millôr Fernandes (1923-2012), Jaguar e Ziraldo. A partir de 1988, publicou na revista IstoÉ a coluna de humor Avenida Brasil, onde sintetizou, com sátira e humor, vários momentos da história política do país.
Em 1992, lançou o livro Avenida Brasil, em que reuniu centenas de charges políticas, publicadas em jornais e revistas. O principal foco, na época, era o então presidente Fernando Collor de Mello, que mais tarde foi deposto do poder.
Também é autor de As Origens do Capitão Bandeira (1983), Ecos do Ipiranga (1984), Bar Brasil na Nova República (1986) e A Transição pela Via das Dúvidas (1989).
Caruso produziu mais de 2 mil desenhos no programa Roda Viva, onde trabalhou por mais de 35 anos, adicionando humor e dinamismo aos assuntos abordados pelos convidados.
A jornalista e apresentadora do programa, Vera Magalhães, postou um vídeo em que o “gênio” Paulo Caruso assina com seu “traço inconfundível“.
“Descanse em paz e graça, Paulo Caruso. Obrigada por desenhar a história do Roda Viva. Que a família encontre conforto na lembrança e na obra gigantesca desse gênio brasileiro. Aqui uma singela homenagem da TV Cultura, de muitas que virão“, escreveu Vera Magalhães.
