Na campanha eleitoral do ano passado, o pastor foi um dos apoiadores evangélicos mais entusiasmados de Jair Bolsonaro
Em um culto realizado em junho, na Igreja Lagoinha em Orlando, nos EUA, o pastor André Valadão incitou a morte de membros da comunidade LGBTQIA+, em pleno mês em que é comemorado o ‘Orgulho’.
As imagens foram amplamente divulgadas nas redes sociais brasileiras. Assim, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) o denunciou em uma apresentação, que foi protocolada no Ministério Público de Minas Gerais.
Hilton pede que os posts e vídeos sejam excluídos das plataformas.
Agora, o órgão abriu inquérito para apurar se o religioso cometeu crime de homotransfobia, no evento intitulado “Deus odeia o orgulho“, em que Valadão disse o seguinte:
“Considero que hoje é o mês que Deus mais repugna na humanidade“, disse o pastor, conforme transcreveu a coluna de Mônica Bergamo, na ‘Folha de S. Paulo‘.
Valadão acrescentou que citar o termo irrita a força maior do cristianismo, que “odeia e repugna qualquer atitude de orgulho, só o uso da palavra Deus já condena“.
“Agora é a hora de tomar as cordas de volta e dizer: Pode parar, reseta! Mas Deus fala que não pode mais“, afirmou o pastor. “Ele diz: ‘Já meti esse arco-íris aí. Se eu pudesse, matava tudo e começava de novo. Mas prometi que não posso’. Agora está com vocês“.
Valadão, então, insiste com os fiéis: “Não entendeu o que eu disse? Agora, tá com vocês! Deus deixou o trabalho sujo para nós“.
A deputada fez uma denúncia complementar desta fala mais recente, para ser anexada ao processo.
O STF enquadrou a LGBTFOBIA ao crime de racismo por considerar que dentro desse conceito cabem as construções históricas e sociais, sendo a população LGBTQIA+ exposta a violência, inferiorização, exclusão.
Na decisão de março deste ano, a Corte definiu como crime condutas que “envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém”.
A pena pode ir de um a três anos de prisão, além de multa, podendo chegar a até cinco anos de reclusão se houver divulgação ampla do ato, como é o caso.
Além de Erika Hilton, o ativista Agripino Magalhães Júnior vai apresentar uma denúncia crime ao Ministério Público de São Paulo contra André Valadão. Ele afirma que fará um dossiê com falas homofóbicas do pastor.
“Acabou o tempo que pessoas podem ofender a população LGBTQIA+ como querem, chamando isso de ‘opinião e liberdade de expressão’. LGBTfobia é crime, e homofóbicos devem pagar por isso“, diz o ativista.
Valadão assumiu no fim de 2022 a liderança da Lagoinha Global, com mais de 700 templos no Brasil e no mundo. Subiu na hierarquia após seu pai, Márcio Valadão, nome respeitado no meio, se aposentar.
Na campanha eleitoral do ano passado, o pastor foi um dos apoiadores evangélicos mais entusiasmados de Jair Bolsonaro (PL).
