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Eurodeputados tentam barrar acordo UE-Mercosul na justiça por concorrência desleal e risco à Amazônia

É um bom dia para a democracia e para a proteção dos SEUS direitos“, disse um ‘MEP’ após votação apertada, de 334 contra 324, que levou à aprovação de resolução para remeter o acordo ao escrutínio do Tribunal de Justiça da União Europeia (CJEU)

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Ciaran Mullooly
Ciaran Mullooly do partido Irish Independent Ireland que atua como membro do Parlamento Europeu (MEP) pela circunscrição de Midlands-North-West
RESUMO

O Parlamento Europeu votou em 21/jan por remeter o acordo UE-Mercosul ao Tribunal de Justiça da UE, questionando a legalidade de sua divisão para evitar ratificações nacionais. Motivos incluem concorrência desleal a agricultores, riscos ambientais como deflorestação e violações de tratados. França opõe-se; Alemanha apoia. Pode atrasar ratificação por anos, elevando chances de bloqueio. No X, eurodeputados como Manon Aubry celebram, enquanto Lula promove o pacto como vitória multilateral no Brasil, destacando benefícios econômicos e sustentáveis.


Estrasburgo (FR) · 21 de janeiro de 2026

O Parlamento Europeu aprovou, nesta quarta-feira (21/jan), uma resolução que remete o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul ao escrutínio do Tribunal de Justiça da União Europeia (CJEU).

A votação, apertada com 334 favoráveis contra 324 contrários e 11 abstenções, reflete divisões profundas no bloco europeu, impulsionadas por preocupações com a legalidade do pacto e seus efeitos colaterais.

Essa manobra, liderada por eurodeputados de esquerda e verdes, pode congelar a ratificação por até dois anos, elevando as chances de o tratado ser barrado ou reformulado.

O movimento surgiu de uma coalizão multipartidária, incluindo figuras como a francesa Manon Aubry, do grupo The Left, e as verdes belga Saskia Bricmont e francesa Majdouline Sbaï.

Eles argumentam que a divisão do acordo em duas partes – uma comercial, aprovada apenas pelo Conselho da UE e pelo Parlamento Europeu, e outra de cooperação política – viola os tratados da UE ao contornar a necessidade de ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 Estados-membros.

O artigo da Euractiv destaca que essa estratégia da Comissão Europeia, sob Ursula von der Leyen, visa acelerar o processo, mas é vista como uma “tática para prevenir que parlamentos nacionais tenham voz no acordo“.

É uma forma de flutuar as prerrogativas dos MEPs (Members of the European Parliament [Membros do Parlamento Europeu])e silenciar sua capacidade parlamentar“, criticou Bricmont.

Os motivos fundamentais para a ação judicial vão além da forma: focam em assimetrias que ameaçam setores sensíveis. Agricultores europeus, especialmente na França, Polônia e Irlanda, temem concorrência desleal de produtos sul-americanos, como carne bovina e açúcar, que não seguem padrões rigorosos de bem-estar animal e uso de pesticidas.

O jornal francês Le Monde relata que a França saudou a votação como “consistente com sua posição“, enquanto a Alemanha a condenou como “histórico erro“.

Ambientalmente, o pacto é acusado de fomentar desflorestação na Amazônia, priorizando “crescimento em detrimento da sustentabilidade“, conforme análise da Euractiv.

Críticos apontam que o “mecanismo de reequilíbrio” permite compensações a países do Mercosul se leis europeias futuras reduzirem suas exportações, potencialmente minando metas climáticas.

As chances de bloqueio são elevadas, dado o histórico de atrasos – negociações duram 25 anos – e precedentes como a tentativa falha de novembro de 2025, bloqueada pela presidente do Parlamento, Roberta Metsola.

O Politico observa que, mesmo com aplicação provisória possível para a parte comercial, um parecer negativo do CJEU seria “politicamente influente“, forçando revisões.

Protestos de agricultores em Estrasburgo, com 5.000 manifestantes e 1.000 tratores em 20 de janeiro, intensificam a pressão. “Meloni e a extrema-direita traíram vocês“, disparou Bricmont a produtores, ecoando temores de “desastre ambiental” na Euronews.

Reações no X revelam polarização entre representantes europeus. O irlandês Ciaran Mullooly comemorou: “Nós vencemos!!!! O acordo comercial do Mercosul será levado aos tribunais europeus!! É um bom dia para a democracia e para a proteção dos SEUS direitos. Esta NÃO é uma votação sobre o acordo comercial em geral. Isso virá no futuro.

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O estoniano Urmas Paet lamentou: “Levar o acordo UE- #Mercosur aos tribunais é um erro histórico. Isso enfraquece ainda mais a UE e envia uma mensagem fraca aos países do Mercosul e ao mundo. A UE precisa de novos e fortes acordos de livre comércio. Infelizmente, o Parlamento Europeu fez exatamente o contrário. Votos: 334 contra 324“.

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Manon Aubry celebrou: “A mensagem do Parlamento Europeu hoje vai além de simplesmente encaminhar o acordo com o Mercosul aos tribunais europeus. O Parlamento acaba de suspender o acordo com o Mercosul. O acordo representa uma ameaça para a nossa agricultura e para o meio ambiente: não o queremos!“.

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No dia da assinatura do acordo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou artigo em jornais de 27 países, defendendo o pacto como “resposta do multilateralismo ao isolamento“. “Cria a maior área de livre comércio do mundo, com regras claras e equilibradas“, escreveu Lula, destacando benefícios mútuos em emprego e sustentabilidade.

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Presidente Lula e Presidenta da Comissão Europeia

Acordo Mercosul-UE é a resposta do multilateralismo ao isolamento.

Artigo assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado em jornais de países do Mercosul e da União Europeia em 16 de janeiro de 2026.

Em uma época em que o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e a defesa do multilateralismo escolhem um caminho diferente.

Contra a lógica das guerras comerciais que segregam economias, empobrecem nações e aumentam a desigualdade, Mercosul e União Europeia assinam amanhã um dos acordos mais amplos do século XXI.

Firmado após mais de 25 anos de negociações e baseado na certeza de que só a integração e a abertura comercial promovem a prosperidade compartilhada, o acordo cria a maior área de livre comércio do mundo.

Não existe economia isolada.

O comércio internacional não é um jogo de soma zero.

Todos querem crescer, e a nova parceria irá criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico.

Somados, os 31 países que integram o Acordo Mercosul-União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de cidadãos.

Nosso PIB conjunto supera 22 trilhões de dólares.

O acordo irá ampliar o acesso mútuo a mercados estratégicos, com regras claras, previsíveis e equilibradas.

Ao remover barreiras comerciais e estabelecer padrões regulatórios comuns, os investimentos, as exportações e as cadeias produtivas se multiplicarão nos dois lados do Atlântico.

Uma complementaridade comercial robusta une as economias da América do Sul e da Europa.

A versão do acordo que aprovamos resguarda os interesses de setores vulneráveis, garante a proteção ambiental, promove valores compartilhados como a democracia e os direitos humanos, fortalece os direitos dos trabalhadores e preserva o papel do Estado como indutor estratégico do desenvolvimento econômico e social.

A celebração desse acordo só é possível porque Mercosul e União Europeia entenderam ter muito mais a ganhar juntos do que individualmente e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade.

Os blocos encontraram convergências mesmo diante de visões distintas, mostrando que a cooperação é muito mais vantajosa e eficaz do que a intimidação e o conflito.

Agradecemos os países do Mercosul e da União Europeia por terem se empenhado na conclusão de acordo tão significativo.

A assinatura, no entanto, constitui só um primeiro passo.

Amanhã começa uma nova fase de cobrança para a implementação ágil e transparente do que foi pactuado.

O sucesso real do acordo será medido pela velocidade com que os seus benefícios alcançarem as prateleiras dos mercados, o campo, as fábricas e os bolsos dos cidadãos.

Inúmeros setores de ambos os lados sairão beneficiados, da bioeconomia à indústria de alta tecnologia, dos pequenos e médios agricultores às pequenas, médias e grandes empresas.

Consumidores europeus e sul-americanos terão acesso a produtos mais diversificados e com preços menores, enquanto produtores alcançarão novos mercados.

Para além dos ganhos comerciais e econômicos, o acordo aproxima ainda mais parceiros unidos por laços históricos, de vocação democrática e multilateral.

A interdependência é uma necessidade e uma realidade.

Só o trabalho conjunto entre Estados e blocos é capaz de promover a paz, prevenir atrocidades e enfrentar os piores efeitos da mudança do clima.

Em um contexto de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo prova como outra governança mundial é possível, mais ativa, representativa, inclusiva e justa.

Estes mesmos princípios orientam nossa busca por instituições multilaterais renovadas, como a reforma da Organização Mundial do Comércio e do Conselho de Segurança da ONU.

Ante o crescimento do extremismo político, Mercosul e União Europeia demonstram na prática como o multilateralismo, que tantos benefícios trouxe ao mundo depois da Segunda Guerra, segue atual e imprescindível.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil.

Foto: O presidente Lula encontra a presidenta da Comissão Europeia Ursula von der Leyen , no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo.

Ursula von der Leyen afirmou sobre Lula, no X: “Sua liderança e comprometimento tornaram possível o acordo UE-Mercosul, caro @LulaOficial. Então, muito obrigada por fazer história conosco. Entre a Europa e o Brasil, o melhor ainda está por vir. Compartilhamos a ambição de um mundo baseado na confiança, no comércio e no trabalho em equipe. Esta é a melhor forma de atendermos às necessidades dos nossos colaboradores.”

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Lula retribuiu: “O acordo representa a vitória do multilateralismo e trará benefícios para as populações“.

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Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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1 comentário em “Eurodeputados tentam barrar acordo UE-Mercosul na justiça por concorrência desleal e risco à Amazônia”

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