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Parisienses se manifestam na noite deste domingo contra vitória da extrema direita na França (vídeos)

    O partido de Marine Le Pen, Rassemblement National, obteve mais de 33% nas eleições legislativas no país; o Nouveau Front populaire obteve 28% e o de Emmanuel Macron 21% – ASSISTA

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    Após a vitória da extrema direita nas eleições legislativas na França, neste domingo (30/6), milhares de franceses de esquerda protestam nas ruas de Paris. Eles começaram a se reunir cedo, na Praça da República, por volta das 11h00 local (16h de Brasília), a 7 horas do encerramento das votações.

    No momento em que as urnas nas grandes cidades foram fechadas, milhares foram ao centro de Paris demonstrar sua rejeição à ideia de um governo liderado pela extrema direita, que não acontece desde a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas ocuparam a França.

    Ao todo, 65 candidatos foram eleitos e outros 737 vão para o segundo turno, no dia 7 de julho, quando serão definidos os 577 assentos do parlamento. Destes, 267 são da extrema direita, outros 215 fazem parte da coalizão de esquerda, e apenas 158 do grupo de Macron, conforme mostrou Jamil Chade, do UOL.


    Quando o presidente Emmanuel Macron convocou a votação para este domingo, após a sua aliança centrista ter sido derrotada nas eleições europeias deste mês pelo partido de Marine Le Pen, a previsão era mesmo que a extrema direita vencesse no primeiro turno, mas, para o segundo turno, o líder francês espera uma “grande união” contra a extrema direita e assim evitar que o movimento consiga maioria para poder escolher um primeiro-ministro.

    Imediatamente após o resultado da projeção, Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda, anunciou que os partidos estão dispostos a retirar seus candidatos de um segundo turno se um nome apoiado por Macron estiver em melhor posição para vencer a extrema direita. A orientação é clara: não deixar que o RN vença “em hipótese alguma“.

    Gabriel Attal, o primeiro-ministro, anunciou que vai determinar que candidatos da presidência de Macron que terminarem em terceiro lugar em suas regiões vão abrir mão do segundo turno para poder apoiar nomes da esquerda. A meta é a de formar uma coalizão capaz de impedir que a extrema direita forme maioria absoluta para escolher um novo governo.



    Paris, França, 30.6.2024 – O Primeiro Ministro, Gabriel Attal, faz pronunciamento no pátio do Hôtel de Matignon após o anúncio dos resultados do primeiro turno das eleições legislativas: “Nosso objetivo é claro: impedir uma maioria por parte da RN e de seu projeto funesto” / Foto de Julien Muguet/Le Monde

    Marine Le Pen disse que a vitória é “apenas um passo a uma alternância de poder“, numa referência clara ao fato de que irá lutar pela presidência da França em 2027. A líder ultraconservadora foi eleita no primeiro turno em sua região. Ela ainda pediu que, no dia 7 de julho, no segundo turno, os franceses deem seu voto para seu partido, liderado por Jordan Bardella, 28.

    Se os ultraconservadores tiverem maioria absoluta, Bardella será o primeiro-ministro da França e liderará o país em coabitação com Emmanuel Macron. O presidente do RN afirmou que será “o primeiro-ministro de todos os franceses, do cotidiano, respeitando a Constituição e da função do presidente“.

    Ao dissolver a Assembleia Nacional em 9 de junho, depois da derrota nas eleições europeias, Macron surpreendeu o mundo. No Conselho Econômico, Social e Ambiental do país – uma espécie de terceira câmara – a percepção foi de que o ato jogou a França “numa crise política e democrática sem precedentes“. Seu gesto foi considerado por pesquisadores como um “golpe de estado psíquico“, deixando milhões sem entender.

    Outra tendência também ganhou força no país: a ansiedade fascista. Ou seja, o medo do que pode ocorrer se políticos herdeiros de movimentos xenófobos, antidemocráticos e anti-europeu cheguem ao poder, como é o caso do partido de Le Pen, o Rassemblement National .

    Mais de 200 políticos de centro, centro-esquerda, esquerda e ecologistas fizeram um apelo para que, nesse momento de definição, haja um compromisso entre as forças políticas para unir esforços onde houver a chance de um candidato da extrema direita vencer.

    Para Emmanuel Macron, a chegada ao poder do RN significa compartilhar o poder até as eleições de 2027. Até lá, uma era de incertezas predominarão no país.


    O resultado também é uma derrota pessoal para o presidente da França, que, depois do abalo das eleições europeias, apostava na união dos partidos republicanos para fazer um “cordão sanitário” contra os extremistas, mas não funcionou.

    No mês passado, em encontro com o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às margens do G7, Macron explicou ao estadista que acreditava que os franceses votariam de forma diferente quando o tema era seu próprio parlamento e que não repetiriam o apoio ao RN. Sua avaliação não vingou.

    Naquele momento, ele explicou a Lula que, se o pior cenário fosse estabelecido, ele pelo menos teria colocado a extrema direita ao poder antes da eleição presidencial de 2027, evidenciando aos franceses as falácias do grupo e a incapacidade de governar. A esperança é de que, em três anos, as urnas barrem os ultraconservadores da presidência. Do lado do RN, a avaliação é recebida com ironia, indicando que Macron errou em todas suas projeções.

    Protestos aumentam em Paris

    À meia-noite no país, vários milhares de manifestantes ainda estavam reunidos em Paris. Um dos manifestantes disparou fogos de artifício contra a polícia. Depois, os agentes usaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

    Em outros locais, fogueiras foram acessas no meio das vias.

    Assista:






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