Paraná Pesquisas vira chacota e assunto do Twitter após mostrar Bolsonaro à frente de LULA

“Tem que ter um instituto de pesquisa para apresentar um resultado atípico para que os bolsonaristas possam tumultuar as eleições quando der Lula no primeiro turno”, diz jornalista

O Paraná Pesquisas virou motivo de chacota no Twitter, neste domingo (3/7), após um levantamento do instituto mostrar, na mesma data, o presidente Jair Bolsonaro (PL) à frente de LULA em São Paulo, onde o Datafolha revelou recentemente que é o petista o líder das pesquisas de intenções de voto para presidente na eleição de outubro.

De acordo com o levantamento da Paraná Pesquisas, Lula aparece pela primeira vez em segundo lugar, com 36,4%, e Bolsonaro tem 39,7%, com margem de erro de 2,3 pontos para mais ou para menos.

A notícia causou a estranheza de todos, especialmente nas redes sociais. Tuítes sobre o assunto pipocaram na plataforma.

Demonstrando total descrédito na informação do instituto, o perfil @marcelocostabh compartilhou uma imagem do ET Bilu – personagem da ficção bolsonarista – e escreveu a mensagem: “Paraná Pesquisas confirma: Bozo tem 100% dos votos em Ratanabá [local fictício criado por bolsonaristas]. Segundo o ET Bilu, em Marte o Bozo lidera isolado.

O perfil @ricardope, do jornalista Ricardo Pereira, afirmou que “tem que ter um instituto de pesquisa para apresentar um resultado atípico para que os bolsonaristas possam tumultuar as eleições quando der Lula no primeiro turno“.

Parece que é o Paraná Pesquisas quem vai se dispor a fazer esse papel“, completou.

Tudo isso ocorre em resposta à notícia, publicada há exatos 30 dias pelo portal MSN, cujo título viralizou como “Queridos, Paraná Pesquisas fechou contrato de R$ 1,6 milhão com Bolsonaro” e que afirma que Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, sócio do Instituto, já foi denunciado por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A matéria do MSN diz: “Destoando de todos os outros órgãos de pesquisas do Brasil, o Instituto Paraná Pesquisas é o único que em seus recentes levantamentos aponta um “empate técnico” entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), na corrida eleitoral de 2022. Os demais órgãos de pesquisa pelo resto do Brasil mostram que Lula está bem à frente de Bolsonaro em todos os cenários“.

Em meio a clara ‘preferência’ do Instituto por Jair Bolsonaro, o governo fechou um contrato para prestação de serviços de pesquisa no valor de R$ 1,6 milhão”, prossegue o texto. “Isso ocorreu dois meses antes de o Instituto divulgar uma pesquisa favorável às chances de reeleição de Jair Bolsonaro”.

No mais recente levantamento do instituto, o chefe de governo teria 35,3% dos votos contra 41,4% do ex-presidente Lula, no cenário estimulado. Já no cenário espontâneo, a pesquisa apontou empate técnico: Lula teria 28,3% e Bolsonaro, 27,3%. A reportagem é de Lúcio de Castro, da Agência Sportlight“, diz o texto.

Uma semana antes, porém, a pesquisa Datafolha apontou Lula com chances de vencer no primeiro turno, tendo 48% dos votos contra 27% de Bolsonaro. Vale lembrar que o DataFolha é o mais respeitado instituto de pesquisa brasileiro” , lembrou o MSN.

O contrato 37/2022, assinado no dia 30/3 pelo Ministério das Comunicações e pelo Instituto Paraná de Pesquisas e Análises de Consumidor no valor de R$ 1.623.600,00, tem como objeto a “contratação de empresa especializada na prestação de serviços de pesquisa de opinião pública”, segundo o termo oficial“, disse ainda a matéria.

Ratanabá e ET Bilú

Ratanabá seria uma cidade perdida na Amazônia, que foi a capital do mundo há 450 milhões de anos, que abrigou a primeira civilização do planeta, que dominava tecnologias muito avançadas. Trata-se, óbvio, de mais uma teoria bolsonarista da conspiração sobre a região – uma tese das mais mirabolantes, conforme mostrou recentemente o portal The Intercept Brasil. E é do mesmo autor do criador da farsa ET Bilú.

Em Ratanabá haveria tanta riqueza escondida, mas tanta, que seria o suficiente para transformar o Brasil no país mais rico do mundo. Esse delírio, claro, não encontra o mínimo respaldo entre arqueólogos que estudam a região e cientistas em geral. Há 450 milhões de anos a humanidade nem existia e só viria existir algumas centenas de milhões de anos depois. É uma conspiração grotesca como todas as que fazem a cabeça dos bolsonaristas, escreve o autor do texto no site.

Mais tarde, graças ao espaço dado por emissoras ávidas por audiência a qualquer custo, o autor da teoria ficaria ainda mais famoso como ufólogo ao criar a farsa do ET Bilú – uma mentira ainda mais primária, evidente e constrangedora que a gravidez de Taubaté.

Neste ano eleitoral, a história de Ratanabá virou febre na internet e passou a circular nas mesmas redes que difundiram negacionismo científico durante a pandemia. Essa é uma conspiração que, em um primeiro momento aparenta ser inocente e inofensiva, mas não é bem assim.

A lenda de Ratanabá também abarca outra conspiração bolsonarista: a de que muitos países do mundo, através de ONGs internacionais em defesa da Amazônia e direitos dos povos indígenas, têm, na verdade, o objetivo de dominar e roubar as riquezas dessa região do Brasil. Eles estariam de olho no ouro que abunda em Ratanabá. A luta pela preservação da Amazônia e pelos direitos indígenas seria, portanto, uma fachada para estrangeiros que querem nos saquear.

Não é uma coincidência o fato de Ratanabá ter virado um dos assuntos mais comentados do Brasil nas últimas semanas. O impulsionamento repentino do assunto nas redes da extrema direita se deu justamente durante o desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, que estavam na linha de frente da luta pela preservação da Amazônia e pelos direitos dos povos indígenas.

O recente sucesso da lenda não é apenas coisa de gente maluca na internet, mas fruto de um movimento organizado. Segundo a ferramenta Google Trends, a palavra “Ratanabá” começou a ser pesquisada em grande volume no Google a partir do dia 5 de junho, atingindo o pico no dia 12. Antes disso, havia pouquíssima procura. Não é coincidência o fato que 5 de junho seja justamente o dia em que começou a ser noticiado o desaparecimento de Dom e Bruno na Amazônia. Não é difícil imaginar como uma mente lavada pelo bolsonarismo possa juntar os pontos e cravar que o jornalista e o indigenista estavam a serviço de ONGs estrangeiras em busca do ouro de Ratanabá.

“Busquem conhecimento”, aconselhou o ET Bilú à humanidade. Foi o que Urandir fez ao criar o Ecossistema Dakila, um instituto de pesquisas presidido por ele que se apresenta como o centro que descobriu Ratanabá.

Leia mais no The Intercept Brasil.

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1 comentário em “Paraná Pesquisas vira chacota e assunto do Twitter após mostrar Bolsonaro à frente de LULA”

  1. Lindomar Rodrigues da Silva

    A divulgação de algo assim deveria se enquadrar como crime de Fake News, os CANALHAS que comandam esse boteco deveriam ser intimados pela justiça a demonstrar qual método utilizaram para chegar a tais números.
    Acreditar que Lula esteja no mínimo 20 pontos a frente do VAGABUNDO que hoje ocupa a cadeira da Presidência da Republica já não é questão de ideologia, sim de ter mantido o caráter e a sanidade mental intactos, basta ver os rostos perdidos no mercado todo santo dia, para se ter certeza que NÃO, O VAGABUNDO NÃO TEM essa projeção de votos.
    Isso que chamam de pesquisa é uma CANALHICE das mais grotescas já apresentadas.

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