📷 Santiago Peña ao assumir a presidência pró tempore do Mercosul, ao lado de Lula 7.12.2023 |•| Imagem reprodução X/@SantiPenap |•| URBS MAGNA
| Assunção (PY)
30 de julho de 2026
O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para receber uma nota oficial de protesto em resposta a declarações do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870).
A informação foi confirmada pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (30/jul).
Antes da convocação, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, telefonou a Lula para tratar do episódio, classificado pelo chanceler como “delicado assunto”.
O chefe da diplomacia paraguaia também discutiu o tema pessoalmente com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante encontro em Lima, no Peru, à margem da posse da presidente Keiko Fujimori.
A fala de Lula e a reação paraguaia
A crise diplomática teve início na sexta-feira (24/jul), durante evento em Jacareí (SP), quando Lula afirmou: “Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos”.
A declaração gerou forte reação no país vizinho. O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, classificou a guerra como um “capítulo vergonhoso” e pediu a devolução do canhão El Cristiano, levado pelo Brasil como troféu de guerra.
O Congresso paraguaio aprovou uma declaração de repúdio, afirmando que a fala de Lula “distorce e minimiza a dimensão histórica” do conflito.
O presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, acusou o petista de tratar “com muita leviandade da maior tragédia da nossa história e do maior genocídio do nosso continente”.
O gesto diplomático
A convocação do embaixador brasileiro, marcada para esta sexta-feira (31/jul) às 12h, será acompanhada pelo vice-presidente Pedro Alliana e representa um gesto formal de insatisfação do governo de Assunção.
“Tenham certeza de que o governo do presidente Santiago Peña, e esta chancelaria nacional, sempre defenderemos os mais altos interesses do Paraguai em todos os âmbitos. A dignidade do Paraguai não se negocia”, declarou o chanceler Rubén Ramírez Lezcano.
Apesar do desgaste, Ramírez Lezcano afirmou que o Brasil é um “aliado estratégico” do Paraguai e que a agenda bilateral, incluindo negociações no Mercosul e sobre a Usina de Itaipu, permanece ativa.
O impasse ocorre em um momento de recomposição das relações bilaterais após a crise de espionagem envolvendo a Abin em 2025, o que torna o episódio ainda mais sensível para ambos os governos.
Sob a ótica do Urbs Magna, o episódio expõe a fragilidade da memória histórica compartilhada na América do Sul e como declarações públicas podem rapidamente escalar para crises diplomáticas, testando a capacidade de diálogo entre governos que têm amplos interesses econômicos e estratégicos em comum.
O embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, deve receber a nota oficial do governo paraguaio na sexta-feira (31/jul).
O teor da conversa telefônica entre Lula e Santiago Peña ainda não foi divulgado.
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