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    Papa Leão XIV humilha Trump ao nomear imigrante ilegal como bispo nos EUA e expõe crise humanitária

     

    “Estava no porta-malas de um carro”: conheça a trajetória do ex-faxineiro salvadorenho que entrou escondido nos EUA, virou bispo e agora desafia a Casa Branca

    Papa Leão XIV e bispo Evelio Menjivar-Ayala

    Dom Evelio Menjivar-Ayala nasceu em 14 de agosto de 1970, em Chalatenango, El Salvador, e imigrou para os Estados Unidos em 1990. Em 2023, tornou-se o primeiro bispo salvadorenho no país / Foto: The Intelligencer | O Papa Leão XIV, através da Santa Sé, o nomeou como o novo bispo da diocese de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental (EUA) / Foto: ©Mídia do Vaticano

    Virgínia Ocidental (US), 01 de maio de 2026

    Vaticano anunciou nesta sexta-feira (1º/mai) uma decisão que reverbera como um divisor de águas na relação entre a fé e a política migratória nos Estados Unidos.

    Atendendo a uma diretriz do Papa Leão XIV, a Santa Sé nomeou Evelio Menjivar-Ayala, um ex-imigrante ilegal de 55 anos, como o novo bispo da diocese de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental.

    A escolha não é apenas religiosa; carrega um forte simbolismo político contra as medidas da administração Trump.

    Ao promover um pastor que já viveu na pele as agruras da clandestinidade, Leão XIV institucionaliza um recado claro à Casa Branca. “Tratar as pessoas com humanidade”, um mantra do pontífice, ganha carne e osso com a nomeação de Menjivar-Ayala.

    Ordenado padre em 2004 e tornado bispo auxiliar em Washington já em 2023, ele agora lidera os católicos da Virgínia Ocidental.

    Uma história de superação e resistência

    Nascido em El SalvadorMenjivar-Ayala fugiu da guerra civil no início dos anos 1990. Sua entrada em solo americano, conforme noticiado pelo The Guardian, foi dramática: ele pagou suborno para deixar o México e cruzou a fronteira escondido no porta-malas de um carro.

    Trabalhou como faxineiro e operário da construção civil antes de sentir o chamado sacerdotal. Fluente em inglês, espanhol e italiano, ele sempre usou a mitra para defender os invisíveis.

    Em abril de 2025, tornou-se figura central ao denunciar a “campanha de ameaças agressivas” do governo Trump contra migrantes.

    O contraponto de Washington

    Junto com a nomeação de Menjivar-Ayala, a Santa Sé também alçou o padre Robert Boxie III ao posto de bispo auxiliar em Washington. Pastor da Universidade Howard – uma instituição historicamente negra – Boxie III é uma voz ferrenha contra o desmonte das políticas de diversidade.

    Em entrevista à Catholic News Agency, ele classificou os ataques à agenda DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) como algo que fere os princípios americanos, afirmando que tais medidas são “nem um pouco americanas, nem um pouco cristãs”. Leão XIV está, assim, blindando as alas progressistas da igreja.

    O confronto com Trump

    A relação entre o sumo pontífice e o presidente republicano oscila entre o gelado e o explosivo. Há poucas semanas, Donald Trump chamou Leão XIV de “péssimo em política externa e fraco em criminalidade” após o papa criticar ameaças de bombardeio ao Irã.

    Agora, ao empossar um ex-imigrante sem documentos, o papa responde à política de deportações em massa. Segundo a agência AFP, o líder católico já havia classificado o tratamento dado aos imigrantes nos EUA como “extremamente desrespeitoso”.

    A nomeação desta semana é tida por especialistas como um ato formal de desobediência pastoral.

    Impacto nas comunidades

    Para as comunidades latinas e imigrantes nos Estados UnidosEvelio Menjivar-Ayala representa um marco. Ele se torna um dos primeiros bispos nascidos na América Central a comandar uma diocese americana.

    A escolha fala diretamente ao eleitorado hispânico, frequentemente vilipendiado no discurso oficial. Menjivar-Ayala não precisará estudar a realidade dos seus fiéis: ele a viveu.

    A decisão de Papa Leão XIV reforça o compromisso do Vaticano com a defesa das fronteiras abertas e da dignidade humana, colocando a instituição em rota de colisão direta com as políticas nacionalistas do Partido Republicano.

    Resta saber como a ala conservadora da igreja americana receberá um bispo que chegou ao país como “invisível” e agora ascende ao comando da cátedra.

    FAQ Rápido

    Por que o Papa Leão XIV nomeou um ex-imigrante ilegal como bispo?
    A nomeação é um ato simbólico e político do Vaticano para criticar abertamente as políticas de deportação de Donald Trump e defender a dignidade dos imigrantes, demonstrando que a fé está ao lado dos marginalizados.

    Quem é Evelio Menjivar-Ayala?
    Nascido em El Salvador, ele fugiu da guerra em 1990, entrou ilegalmente nos EUA escondido em um carro e trabalhou como diarista antes de se tornar padre. É fluente em três idiomas e conhecido por seu ativismo em prol dos direitos humanos.

    Qual a reação esperada do governo Trump?
    A expectativa é de uma reação inflamada, similar às anteriores quando o Papa criticou suas políticas, intensificando a guerra retórica entre o Vaticano e a Casa Branca.



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