Gesto ocorre após Dom Odilo Scherer vetar missas dominicais do pároco famoso por solidariedade a pessoas em situação de rua em São Paulo
Brasília (DF) · 04 de fevereiro de 2026
O Papa Leão XIV enviou um rosário adornado com a medalha oficial de seu pontificado ao Padre Júlio Lancellotti, renomado ativista pela causa dos desabrigados em São Paulo.
O presente, carregado de simbolismo, foi intermediado pelo advogado Raphael Costa, que protagonizou uma audiência privada com o pontífice no Vaticano durante as celebrações dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.
O episódio ganha contornos ainda mais intrigantes ao se considerar o contexto recente: a suspensão das transmissões ao vivo das missas celebradas pelo Padre Júlio Lancellotti na Paróquia São Miguel Arcanjo, determinada pela Arquidiocese de São Paulo.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, o veto ocorreu em meio a debates sobre o uso de redes sociais por clérigos, elevando a tensão dentro da comunidade católica brasileira.
Raphael Costa, que atuou como emissário, entregou ao Papa Leão XIV uma carta redigida pelo próprio pároco.
Em relato exclusivo compartilhado em sua conta no Instagram, Costa descreve o momento: “O papa disse que já tinha ouvido falar da atuação do pároco e me pediu para encaminhar o rosário para ele”, relata o advogado.
Surpreendentemente, o pontífice estendeu o gesto a Costa, enviando-lhe um rosário adicional. “O que não esperava é que enviasse um pra mim também”, complementa ele, destacando a generosidade inesperada do líder da Igreja Católica.
As comemorações dos bicentenário das relações entre o Brasil e a Santa Sé, realizadas no fim de semana passado, serviram de pano de fundo para esse intercâmbio.
O gesto papal surge como um endosso à missão humanitária de Lancellotti, conhecida por seu engajamento incansável com populações vulneráveis na Cracolândia e além.
O Padre Júlio Lancellotti ainda não recebeu fisicamente o artefato, mas o gesto já reverbera como um farol de resiliência em tempos de escrutínio eclesial.
O episódio está diretamente conectado ao veto das transmissões de sua missa dominical, o que pode ter sigo uma possível mensagem de apoio do Vaticano à abordagem progressista do sacerdote.
Esse intercâmbio reforça os laços históricos entre as nações e ilumina debates sobre o papel da Igreja na sociedade contemporânea, onde tradição e inovação colidem.
O rosário, símbolo de devoção e perseverança, pode sinalizar um capítulo de reconciliação e fortalecimento da fé católica no Brasil.
O Veto às Transmissões das Missas de Lancellotti:
O veto às transmissões ao vivo das missas celebradas pelo Padre Júlio Lancellotti na Paróquia São Miguel Arcanjo, em São Paulo, gerou repercussão estrondosa na comunidade católica e na sociedade brasileira.
A decisão foi anunciada pelo próprio sacerdote durante a celebração do dia 14 de dezembro de 2025, marcando o fim das lives que vinham sendo realizadas há anos.
A proibição partiu da Arquidiocese de São Paulo, comandada pelo cardeal arcebispo Dom Odilo Scherer. De acordo com relatos, a determinação foi comunicada diretamente ao padre em uma conversa interna, e a Arquidiocese tratou o assunto como uma questão “de âmbito interno da Igreja“, sem divulgar detalhes públicos sobre os motivos.
Padre Júlio Lancellotti afirmou que recebeu a ordem “com resiliência e obediência”, reafirmando sua fidelidade à instituição, mas não explicitou razões específicas no anúncio inicial.
Embora o motivo oficial não tenha sido revelado, fontes próximas ao sacerdote e análises apontam para possíveis tensões relacionadas ao uso das redes sociais e ao perfil ativista do padre.
Em uma missa posterior, no dia 21 de dezembro de 2025, Lancellotti sugeriu que “publicações provocadoras” em suas plataformas digitais poderiam estar por trás da decisão, descrevendo os dias seguintes ao veto como “difíceis e cheios de desafio“.
Além disso, o padre mencionou uma possível “conspiração” contra o trabalho da Pastoral do Povo de Rua, que ele coordena, ligando o veto a críticas ao seu engajamento social progressista.
O Código de Direito Canônico permite à hierarquia eclesial impor silêncios ou restrições a clérigos para preservar a unidade doutrinária ou evitar controvérsias.
A suspensão não afeta as missas presenciais nem o atendimento à comunidade, mas inclui uma pausa temporária nas postagens nas redes sociais do padre e da paróquia.
A decisão provocou uma onda de solidariedade entre apoiadores do Padre Júlio Lancellotti, que veem no veto uma forma de censura ou perseguição política devido ao seu compromisso com os vulneráveis.
Na primeira missa dominical após o anúncio, no dia 21 de dezembro de 2025, fiéis aplaudiram o sacerdote de pé ao final do sermão, em um gesto de apoio explícito.
Políticos e ativistas também se manifestaram. O deputado federal Túlio Gadêlha questionou publicamente o veto, destacando a importância do trabalho do padre e ironizando possíveis motivos graves, o que gerou debates nas redes.
Outras reações incluíram críticas à Arquidiocese de São Paulo, que se tornou alvo de reclamações online. O ex-deputado Rui Falcão classificou a medida como “censura e perseguição política“, defendendo que o padre, conhecido como “o padre dos pobres“, não pode ser silenciado por sua opção clara pelos vulneráveis.
A deputada Érika Kokay expressou tristeza com a notícia, enfatizando a dedicação de Lancellotti à luta pelos direitos humanos.
Em postagens nas redes, apoiadores como a Frente Sulamericana relataram um aumento de reclamações contra a Arquidiocese, vendo o veto como uma tentativa de limitar a visibilidade de ações sociais.
Grupos progressistas dentro da Igreja e movimentos sociais, como a CTB Bahia, reforçaram solidariedade, ligando o episódio a perseguições anteriores por bolsonaristas.
A História da Luta do Padre Júlio Lancellotti em Sua Paróquia e as Perseguições Sofridas
Júlio Renato Lancellotti, nascido em 1948, é um pedagogo e sacerdote católico ordenado em 1985. Desde os anos 1980, ele se dedica à Paróquia São Miguel Arcanjo, localizada no bairro da Mooca, em São Paulo, transformando-a em um centro de acolhimento para populações marginalizadas.
Sua trajetória de mais de 40 anos é marcada pela coordenação da Pastoral do Povo de Rua, um projeto que oferece assistência a pessoas em situação de rua, dependentes químicos, portadores de HIV e outros grupos vulneráveis, incluindo ações na Cracolândia.
Ele fundou iniciativas como a Casa de Oração do Povo de Rua e a Casa Vida, focadas em reabilitação e defesa de direitos humanos, inspiradas na Teologia da Libertação e no compromisso com os pobres.
Sua luta vai além do assistencialismo: Lancellotti denuncia publicamente a “aporofobia” (ódio aos pobres), a especulação imobiliária e políticas urbanas excludentes, como a “arquitetura hostil” (estruturas que impedem o descanso de moradores de rua).
Em 2021, ele ganhou notoriedade ao destruir com uma marreta bancos inclinados instalados pela prefeitura para afastar sem-tetos.
Ele também critica projetos como o “PL da Fome“, que afetam a distribuição de alimentos, e defende grupos discriminados, como indígenas e trabalhadores sem terra.
No entanto, essa visibilidade atraiu perseguições constantes. Desde 2007, quando sofreu uma tentativa de extorsão, Lancellotti se tornou alvo da extrema-direita, sendo acusado falsamente de ligações com o crime organizado ou de “promover a miséria“.
Em 2024, vereadores bolsonaristas tentaram instaurar uma CPI contra ele na Câmara Municipal de São Paulo, alegando irregularidades em suas ações sociais, o que foi visto como retaliação política.
Ameaças de morte e campanhas de difamação nas redes são recorrentes, mas o padre persiste, afirmando que sua fé o impulsiona a “lutar por direitos, clamando por amor e reconhecimento de toda humanidade”.
Em 2025, o veto às transmissões é interpretado por apoiadores como mais um capítulo dessa perseguição, motivada por seu posicionamento contra injustiças sociais.

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Somos um grupo de apoiadores do Pe. Júlio e contamos com todos que puderem frequentem a missa dominical às 10 h, na rua Taquari, 504, Mooca SP
A Igreja tão conhecida por trabalhos sociais ao longo de sua história, perdeu uma grande oportunidade de apagar seu lado escuro de escândalos, ao tolir a quem, sem pretensão alguma, estava ” limpando” a barra da igreja junto a comunidade católica.
Ê triste ver isto acontecer na igreja,mas acontecer,Jesus falou que n traria calmaria mas nós daria a espada,vai la e lute.A luta nao sera e vão no fim a verdade prevalecerá.coragem.padre Lancelote