Pontífice retorna ao Vaticano para reabilitação com fisioterapia e cuidados médicos; durante a internação, o Santo Padre viveu momentos críticos, revelaram membros da equipe de saúde – SAIBA MAIS
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O Papa Francisco, líder da Igreja Católica e soberano do Estado da Cidade do Vaticano, receberá alta neste domingo (23/mar) e seguirá para a Domus Sanctae Marthae (Casa Santa Marta) – um palácio localizado ao lado da Basílica de São Pedro, na Piazza di Santa Marta, onde continuará sua recuperação com fisioterapia e acompanhamento médico, informou o Vatican News.
Francisco está internado há mais de um mês no Hospital Policlínico Agostino Gemelli, em Roma. Aos 88 anos, o pontífice enfrentou uma grave infecção respiratória que evoluiu para uma pneumonia bilateral, levantando preocupações globais sobre sua saúde.
A saída do hospital marca o fim de um período de incertezas e o retorno de Francisco às suas funções no Vaticano, ainda que com uma agenda adaptada para garantir sua recuperação plena. Durante a internação, apesar da pneumonia severa, o Papa permaneceu consciente e apresentou um quadro estável nas últimas duas semanas.
Antes de retornar ao Vaticano, Francisco fará uma breve saudação e concederá sua bênção da sacada do Hospital Gemelli.
Os médicos Sergio Alfieri e Luigi Carbone responderam às perguntas dos jornalistas numa coletiva conduzida pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, no saguão do Hospital Gemelli, neste sábado (22/mar).
Francisco foi internado com um quadro de insuficiência pulmonar aguda causada por uma infecção, evoluindo para uma pneumonia bilateral severa, o que exigiu um tratamento específico. Durante a internação, os médicos recordaram os dois episódios considerados “muito críticos”, nos quais o Santo Padre esteve em perigo de morte, mas nunca foi entubado.
Nas últimas duas semanas, a condição clínica do Santo Padre tem se mantido estável. Os médicos recomendam a continuidade do tratamento farmacológico, e será necessário um período de convalescença de pelo menos dois meses.
Segundo a equipe médica, trata-se de uma alta “protegida“, o que significa que a recuperação exigirá fisioterapia respiratória e motora, além de suporte diário com oxigênio e acompanhamento médico.
A voz do Pontífice deverá retornar gradualmente, conforme esperado nesses casos.
“O Papa demonstrou colaboração durante todo o tratamento e, se mantiver a evolução positiva, poderá retomar suas atividades em breve“, afirmou o professor Alfieri.
Quem é o Papa Francisco
Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, Argentina, filho de imigrantes italianos. Primeiro papa jesuíta, primeiro do Hemisfério Sul e primeiro não europeu em mais de 1.200 anos, Francisco assumiu o pontificado em 13 de março de 2013, após a renúncia de Bento XVI.
Conhecido por sua humildade, ênfase na misericórdia divina e compromisso com os pobres, ele escolheu o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, um santo associado à simplicidade e ao cuidado com os desfavorecidos.
Antes de sua vida religiosa, Bergoglio formou-se como técnico em química e trabalhou como segurança em uma boate na juventude.
Bergoglio ingressou na Companhia de Jesus em 1958, foi ordenado sacerdote em 1969 e tornou-se arcebispo de Buenos Aires em 1998. Em 2001, foi elevado a cardeal por João Paulo II. Seu pontificado, que completa 12 anos em 2025, é marcado por reformas na Cúria, diálogo inter-religioso e uma postura progressista em questões sociais, como a defesa dos imigrantes e o combate às desigualdades.
A internação e o quadro de saúde
Francisco foi internado em 14 de fevereiro de 2025, inicialmente diagnosticado com bronquite, que logo evoluiu para uma pneumonia dupla – uma infecção que comprometeu ambos os pulmões. A situação se agravou devido a uma infecção polimicrobiana, exigindo tratamento intensivo com antibióticos, oxigenoterapia e até transfusões de sangue por conta de uma baixa contagem de plaquetas.
Sua idade avançada e o histórico de saúde – incluindo a remoção de parte de um pulmão na juventude devido a uma pleurisia – tornaram o quadro particularmente delicado.
Durante a internação, o Vaticano divulgou boletins diários, atendendo ao pedido de transparência do próprio Papa. Em momentos críticos, como uma crise respiratória em 28 de fevereiro, acompanhada de broncoespasmo e vômito com aspiração, o prognóstico foi classificado como “reservado”.
Apesar disso, a partir de março, Francisco apresentou sinais de melhora. No dia 9, o Vaticano informou que ele voltou a ingerir alimentos sólidos, e em 11 de março, médicos afirmaram que o Pontífice não estava mais em risco iminente de morte, embora permanecesse internado para completar o tratamento.
A última atualização antes da alta, no início desta semana, indicou que os exames de sangue mostravam melhora nos índices inflamatórios, e a pneumonia estava em regressão. Francisco passou os últimos dias alternando repouso, fisioterapia respiratória e atividades leves, como leitura e orações na capela do hospital.
Repercussão e próximos passos
A internação de Francisco mobilizou católicos ao redor do mundo. Vigílias de oração foram realizadas na Praça de São Pedro, e a correspondência enviada ao hospital aumentou drasticamente, refletindo a preocupação e o carinho dos fiéis. Líderes mundiais, como a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, que o visitou em 19 de fevereiro, expressaram votos de recuperação.
O Vaticano ainda não divulgou detalhes sobre a retomada plena das atividades do papa, mas fontes indicam que ele seguirá uma rotina reduzida nos próximos dias, priorizando o repouso em sua residência na Casa Santa Marta.
O Jubileu de 2025, um evento que atrairá milhões de peregrinos a Roma, permanece como um marco importante em sua agenda, e Francisco já sinalizou que não pretende renunciar, mantendo o compromisso com sua missão pastoral.
Um papa resiliente
A alta de Francisco é vista como um testemunho de sua resiliência, uma característica que define seu pontificado. Apesar das limitações físicas – ele já usa cadeira de rodas devido a dores nos joelhos e nas costas –, o papa argentino continua a inspirar com sua determinação.
Em uma mensagem escrita aos fiéis durante a internação, ele agradeceu as orações e pediu paz para regiões em conflito, como Ucrânia e Palestina, mostrando que, mesmo em meio à fragilidade, sua voz segue ecoando globalmente.
Enquanto se recupera, a Igreja Católica e o mundo observam com expectativa os próximos capítulos do papado de Francisco, um líder que, aos 88 anos, prova que a força de sua missão transcende os desafios de sua saúde.











