Pandemia está longe do fim e podem surgir novas cepas, diz Tedros Adhanom, da OMS

Diretor-geral alerta que o grande número de infectados significa que muitas pessoas ​​adoecerão e morrerão

A pandemia de Covid-19 está mais longe de terminar e, além disso, podem surgir novas cepas, disse o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, nesta terça-feira (18/1), em coletiva de imprensa a jornalistas em Genebra, em um alerta feito contra a narrativa de que a variante Omicron, detectada pela primeira vez no sul da África em novembro e que se espalhou por todo o mundo em pouco tempo, é livre de riscos por ser disseminada mais rapidamente, com mais poder de contágio em relação às cepas anteriores, e por parecer causar doenças menos graves nos pacientes.

Contudo, a situação exige cuidado. A organização alertou que o grande número de pessoas infectadas pela Omicron significa que mais pessoas vulneráveis estão expostas e, por isso, estão gravemente doentes e morrendo.

Cientistas também afirmam que permitir que o vírus se espalhe descontroladamente, como em uma tentativa de busca pela imunidade de rebanho, por exemplo, aumenta drasticamente a chance de novas variantes emergentes. 

Tedros afirmou que “da Omicron ser menos grave, tal narrativa de que é uma doença leve é ​​enganosa“, pois a cepa “está causando hospitalizações e mortes”. O diretor diz que “mesmo os casos menos graves estão lotando as instalações de saúde” e que há indicações de que o aumento de casos de Covid pela Omicron pode ter atingido o pico em alguns países.

Assim sendo, isso “dá alguma esperança de que o pior desta última onda tenha passado, mas nenhum país está fora de perigo ainda“. Por isso a necessidade urgente de tirar a pressão dos sistemas de saúde, especialmente em países que ainda têm baixa cobertura vacinal.

Agora não é hora de desistir e agitar a bandeira branca“, afirmou. “Ainda podemos reduzir significativamente o impacto da onda atual compartilhando e usando ferramentas de saúde de forma eficaz e implementando medidas sociais e de saúde pública que sabemos que funciona.”

Segundo a OMS, dados indicam que as atuais vacinas são menos eficazes na proteção contra a transmissão Omicron do que contra cepas anteriores, mas Tedros enfatiza que ainda é vital a garantia ao acesso mais amplo e equitativo, sendo “excepcionalmente boas na prevenção de doenças graves e morte”. Isso porque “com o incrível crescimento da Omicron, é provável que surjam novas variantes”, alertou Tedros.

Contudo, o chefe de emergências da OMS, Michael Ryan, disse que o pior da pandemia de coronavírus, que são as mortes e hospitalizações, além dos ‘lockdowns’, poderia acabar ainda este ano senão houvesse tanta desigualdade em imunizações. E, por isso, o mundo pode não conseguir acabar com o vírus e eles acabam se tornando parte do ecossistema. Mesmo assim, ele considerou que a chance de encerrar as emergências são reais, se todos fizerem as coisas certas.

Desequilíbrio vacinal

A OMS classifica o desequilíbrio na vacinação entre países ricos e pobres como uma falha moral catastrófica. Estima-se que menos de 10% das pessoas em países de baixa renda receberam uma dose de imunizante contra a covid.

Ryan disse que se as vacinas e outras ferramentas não forem compartilhadas de forma justa, a tragédia do vírus, que até agora matou mais de 5,5 milhões de pessoas em todo o mundo, continuará: “O que precisamos fazer é chegar a baixos níveis de incidência de doenças com a vacinação máxima de nossas populações, para que ninguém tenha que morrer”, disse. A ruptura de nossos sistemas sociais, econômicos e políticos causou a tragédia, e não o vírus, opina Ryan.

Enfim, as autoridades de saúde alertam para a improbabilidade de que a covid seja eliminada e diz que ela continuará matando as pessoas, embora em níveis muito mais baixos, mesmo depois de se tornar endêmico.

Mas para a redução destes níveis, é de “enorme urgência” a ocorrência de uma distribuição mais justa de vacinas e a necessidade de produção em larga escala, como afirmou Gabriela Bucher, diretora executiva da Oxfam International

Os recursos para combater a pandemia foram acumulados por algumas empresas e alguns acionistas, o que representa um “colapso total da cooperação e solidariedade global” nos últimos dois anos e o que é “totalmente inaceitável” que apenas 7% da população da África estivesse totalmente vacinada, conforme disse John Nkengasong, diretor dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças.

Nkengasong não quer acreditar que uma hesitação vacinal generalizada na África esteja acontecendo e cita estudos que mostram que 80% das populações do continente tomariam vacinas se elas estivessem disponíveis.

Os comentários vieram no segundo dia da alternativa online ao encontro anual do Fórum Econômico Mundial, que foi adiado devido a preocupações com a saúde pandêmica.

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