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Legítimos donos de Gaza retornam às ruínas do enclave em Israel após cessar-fogo (vídeo)

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    Gaza: Palestinos
    Gaza: Palestinos retornam ao enclave após cessar-fogo Israel x Hamas / Imagem reprodução redes sociais


    Milhares de famílias deslocadas iniciam jornada de reconstrução no enclave palestino, enquanto o acordo mediado pelos EUA abre portas para alívio humanitário e negociações futuras em meio a desafios persistentes



    Gaza, 11 de outubro 2025

    Em um marco que ecoa promessas de alívio após dois anos de devastação, dezenas de milhares de palestinos iniciaram o retorno ao norte de Gaza, impulsionados pela entrada em vigor da primeira fase do cessar-fogo entre Israel e Hamas.

    O acordo, ratificado pelo gabinete israelense na quinta-feira (9//out) e mediado pelos Estados Unidos com garantias de Catar e Egito, permitiu a retirada parcial das forças israelenses do Corredor Netzarim, reabrindo a Rua al-Rashid – uma artéria vital que divide o enclave – para o fluxo de famílias exaustas carregando pertences em carrinhos, a pé ou em veículos improvisados.

    De acordo com repórteres no terreno, o movimento de retorno ganhou força logo após o meio-dia local, quando o exército israelense confirmou o cumprimento das linhas de desengajamento acordadas.

    “É um misto de alívio e dor indizível”, descreveu Aisha Shamakh, sobrevivente de bombardeios em Gaza City, ao Al Jazeera, enquanto caminhava rumo ao bairro de Sheikh Radwan. “Voltamos para casas que não existem mais, mas para beijar o solo que é nosso”.

    Imagens aéreas capturadas pela emissora catarense mostram uma maré humana serpenteando por estradas marcadas por crateras, com pilhas de entulho ladeando o caminho – um lembrete cruel da ofensiva que deixou mais de 65 mil mortos e quase toda a população de 2,3 milhões de pessoas deslocada, conforme dados compilados pela Agência das Nações Unidas para o Socorro e Emprego (UNRWA).

    A Al Jazeera, com sede em Doha, reportou que pelo menos dezenas de milhares cruzaram para o norte até o entardecer, muitos encontrando escombros onde outrora erguiam-se lares e mesquitas.

    Equipes de resgate da Defesa Civil de Gaza recuperaram 135 corpos debaixo dos destroços nas primeiras horas de trégua, incluindo 43 no Hospital al-Shifa e 60 no Hospital al-Ahli, elevando o balanço de vítimas para além de 67 mil, segundo o Ministério da Saúde local.

    “Cada passo é um ato de resistência e esperança”, observou Omar Kahlout, analista palestino, destacando a resiliência geracional sob ocupação.

    Do outro lado da fronteira, o jornal israelense Haaretz enfatizou a complexidade do acordo em reportagem de sexta-feira: a fase inicial, que dura 42 dias, prevê a liberação de 20 reféns israelenses vivos mantidos pelo Hamas em troca de 250 prisioneiros palestinos condenados a perpétua e 1.700 detidos desde o ataque de 7 de outubro de 2023.

    O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu a medida como “vitória estratégica”, mas alertou que o desarmamento do Hamas – ponto central da fase dois – permanece não negociável.

    “Israel reteve o controle sobre mais da metade do enclave”, notou o veículo, citando fontes do Exército de Defesa de Israel (IDF), enquanto Khalil al-Hayya, chefe da equipe negociadora do Hamas, celebrou as garantias americanas de que o pacto sinaliza o “fim completo da guerra”.

    A Dawn, diário paquistanês com foco em assuntos regionais, atualizou em seu blog ao vivo que o retorno acelerou neste sábado (10/out), com mais de 50 mil chegando a Gaza, segundo autoridades do Hamas.

    No entanto, relatos de tiroteios isolados – atribuídos a milicianos detendo supostos colaboradores – e a chegada de tropas americanas em Israel para monitoramento geram ceticismo.

    O enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, postou no X que o período de 72 horas para a troca de reféns “já começou” e que “O CENTCOM [Comando Central dos Estados Unidos] confirmou que as Forças de Defesa de Israel concluíram a primeira fase da retirada para a Linha Amarela às 12h, horário local“.

    O CENTCOM, responsável por operações militares na região do Oriente Médio, confirmou oficialmente a ação. Os EUA estão desempenhando um papel ativo na supervisão e verificação do cessar-fogo.

    As IDF (Forças de Defesa de Israel) completaram a primeira fase de retirada até a chamada “linha amarela” (yellow line). Essa linha foi mencionada em um mapa compartilhado por Trump em 4 de outubro, representando a zona inicial de retirada israelense, que cobre aproximadamente 155 km² (cerca de 42% de Gaza), deixando 58% da faixa ainda sob controle israelense, segundo a Al Jazeera.


    A retirada foi concluída ao meio-dia no horário local de Gaza, marcando o início oficial da primeira fase do acordo.

    Começou um prazo de 72 horas (3 dias) para que o Hamas libere os reféns israelenses ainda em seu poder.

    Com base em relatórios da Reuters e da BBC, estima-se que haja 20 reféns vivos e cerca de 25 corpos a serem entregues, com a expectativa de que os vivos sejam liberados até segunda-feira (13/out).

    Em troca, Israel libertará 250 prisioneiros palestinos de longa pena e 1.700 detentos capturados durante a guerra.

    Grupos como a Jihad Islâmica Palestina e a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) rejeitaram qualquer “tutela estrangeira” sobre Gaza, exigindo investigação independente sobre crimes de guerra.

    Enquanto o sol poente tingia as ruínas de tons alaranjados, famílias como a de Ameer Abu Iyadeh, 32 anos, de Khan Younis, expressavam gratidão misturada a luto. “Agradecemos a Deus por essa trégua, mesmo voltando para feridas abertas”, disse ele à Al Jazeera, ecoando o sentimento de Khaled Shaat, que chamou o momento de “histórico e aliviado do genocídio”.

    Especialistas da ONU alertam que a reconstrução demandará anos e bilhões, com 80% das estradas destruídas e risco de fome iminente no Norte.

    Mas para esses retornantes, o simples ato de pisar em solo familiar reacende a faísca de um futuro possível – um testemunho vivo de que, mesmo nas cinzas, a determinação persiste.

    Essa trégua não é o fim, mas um portal para o que pode vir: imagine um Gaza renascido, onde crianças brincam sem o zumbido de drones. Compartilhe esta história para amplificar vozes silenciadas e pressionar por justiça duradoura – porque a paz no Oriente Médio começa com a verdade em nossas mãos.



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    1 comentário em “Legítimos donos de Gaza retornam às ruínas do enclave em Israel após cessar-fogo (vídeo)”

    1. Vania Barbosa Vieira

      Que essa negociação não cesse, e que o povo Palestino tenha sua nação, reconhecida pelo restante do mundo. 🙌🙌🙌

    Os comentários estão fechados.

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