📷 Diagrama detalha o funcionamento de um nervo auditivo artificial desenvolvido pela Universidade de Nankai. O modelo utiliza circuitos neuromórficos para mimetizar redes sinápticas biológicas. O sistema converte sons em correntes elétricas para estimular o córtex auditivo. A tecnologia promete restaurar a audição em casos de deficiência severa / Foto divulgação/Universidade de Nankai | Tradução UrbsMagna
| Nankai (CN)
14 de julho de 2026
Pesquisadores da Universidade de Nankai, na China, desenvolveram uma interface neuromórfica artificial capaz de reconstruir a via auditiva em mamíferos com perda auditiva neurossensorial.
O dispositivo, publicado em 1º de julho de 2026 na revista Nature Materials, foi testado com sucesso em coelhos surdos e representa um avanço significativo em relação aos implantes cocleares tradicionais.
O sistema combina um sensor acústico autônomo, que capta o som de forma semelhante à cóclea, com um circuito neural artificial reconfigurável em forma de estrela.
Esse circuito utiliza lógica de inibição lateral para concentrar atenção e nanofios de óxido de tungstênio (WO₃) que permitem a inserção e extração reversível de prótons, simulando o comportamento sináptico natural. Uma matriz de transistores sinápticos 8×8 possibilita a localização sonora em três dimensões.
Em experimentos com coelhos com deficiência auditiva, o implante permitiu não apenas a detecção de sons, mas o processamento e a compreensão de comandos de voz.
Os animais recuperaram a capacidade de realizar tarefas complexas, como digitar código Morse guiados pela voz e chutar ou equilibrar uma bola conforme instruções.
Wentao Xu, professor da Universidade de Nankai e autor correspondente, explicou o objetivo central: “Enquanto nossa meta não é apenas fazer o sistema auditivo artificial ‘ouvir’, mas fazê-lo ‘entender’, como o nervo natural, filtrando, reconhecendo e processando sons para transmitir informações valiosas ao cérebro.”
O avanço foi detalhado também pelo Science and Technology Daily ontem (13/julho), que destacou a construção de um circuito neural artificial completo, integrando coleta de sinal sonoro, codificação neuromórfica, processamento semântico natural e saída de sinal bioelétrico.
A pesquisa ilustra como investimentos em ciência e tecnologia de fronteira, especialmente em países emergentes, podem gerar soluções inovadoras com potencial de impacto global em saúde e qualidade de vida.
O dispositivo vai além da simples transmissão de sinais elétricos e avança para a reconstrução funcional da audição, abrindo perspectivas para tratamentos mais acessíveis e eficazes.
Jiaqi Liu e Qianbo Yu, primeiros autores do estudo, junto com Feng Zhao e Zhigang Guo, da Tianjin University, contribuíram para o desenvolvimento do protótipo que forma um circuito neural fechado e estável com nervos aferentes de mamíferos.
A Universidade de Nankai já acumula trajetória relevante em neuroeletrônica biomimética.
O novo trabalho amplia conquistas anteriores da equipe em interfaces neurais artificiais.
FAQ Rápido
O que é a interface neuromórfica auditiva?
É um sistema artificial que combina sensor de som autônomo com circuito neural que processa informações de forma semelhante ao nervo auditivo natural, permitindo não apenas ouvir, mas compreender e reagir a sons.
Como foi testado o dispositivo?
Em coelhos com perda auditiva, o implante restaurou a percepção sonora e a capacidade de executar tarefas guiadas por voz, como digitação e movimentos específicos, comprovando o processamento semântico.
Quais são os próximos passos?
A equipe de Wentao Xu planeja continuar pesquisas em reparo neural e inteligência biomimética, com foco na tradução para aplicações clínicas e industrialização.
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