Em segunda temporada da série ‘O Mecanismo’, diretor volta a atacar corrupção sistêmica no país
Em 16 de abril, o cineasta José Padilha escreveu um artigo na Folha no qual reconhecia “o erro” que cometeu. Referia-se a Sergio Moro, que, segundo o diretor, perdeu a independência política, “finge não saber o que é milícia e hoje trabalha para a família Bolsonaro”.
Essa nova visão do ministro da Justiça e Segurança Pública não afetou o juiz Paulo Rigo, personagem da série “O Mecanismo” inspirado em Sergio Moro. “Estou contando uma história na qual, quando aconteceu, Moro tinha coisas positivas, independente de possíveis mudanças posteriores”, diz Padilha, criador da série.
A estreia da segunda temporada acontece nesta sexta (10), e Padilha se diz preparado para as críticas: “Sou antipetista, antipeessedebista e antipeemedebista. Mas só me criticam por ser antipetista. Acho que a Dilma sofreu um golpe, mas sempre achei que o PT roubou. E essas coisas são compatíveis, sim”.
Leia abaixo os melhores trechos da entrevista que aconteceu na terça (7).
Você disse que não pensou em mudar a representação do juiz
Sérgio Moro na segunda temporada de “O Mecanismo”. Mas haverá uma
terceira, quarta, quinta temporada para mostrar isso? O que você planejou?
Eu não estou fazendo uma série sobre o Sergio Moro. Estou fazendo uma
série sobre o mecanismo, que ele é real e opera independente do partido
político. Serra foi denunciado, Temer foi preso, Lula está na cadeia. O
mecanismo não tem ideologia, ele é a forma pela qual a política se
estruturou no Brasil desde o primeiro governo democrático. Agora, eu não
sei quem mais é o Moro. Eu vejo duas possibilidades: ele não olhou
direito onde estava entrando e, como o Fernando Henrique, é muito
vaidoso. Não se deu ao trabalho de olhar o histórico dos Bolsonaros. Os Bolsonaros têm relações com a esgotosfera
do crime organizado carioca. Ele é de Curitiba, talvez não saiba. A
outra possibilidade é que ele sabia o que estava fazendo e ele fez. Aí o
Moro é totalmente diferente de quem eu pensei que ele fosse.
Mas há uma terceira temporada planejada?
A gente não pode falar sobre isso. O Netflix me proíbe. Eu estou
censurado, como se fosse o Toffoli [risos]. Mas é uma questão econômica.
A nossa série é muito mais cara do que todas as outras séries do
Netflix no Brasil. Então temos que olhar o resultado versus o custo.
Quanto custa cada episódio?
Eu não posso te dizer… E a abertura dessa temporada, que mostra políticos como FHC, Lula, Temer e muitos outros enquanto toca a canção “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”? Essa é a abertura que eu tinha proposto para a primeira temporada. Mas tinha aquele pensamento com a série: “será que a gente vai ser processado por alguém? Por todos?”. Aí resolvemos fazer uma abertura inócua, que foi ao ar na primeira temporada. E então começou a ser todo mundo preso, acusado, e não houve processos contra nós. Aí eu quis de novo usar a abertura e dessa vez deu certo.
Será que justamente essa nova abertura não vai dar processo?
Não sei. Estou mostrando a história do Brasil, do presidencialismo
democrático. Eu me dei ao trabalho de separar o refrão de forma que
quando diz “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão” só aparecem
imagens de quem foi condenado. No resto da música aparecem os outros.
Os atores que representam políticos reais usam outro nome na
série. Lula é Gino, Sérgio Moro é Paulo Rigo e por aí vai. Você pediu a
eles que se inspirassem nos personagens ou, ao contrário, que não se
inspirassem?
Não precisei fazer isso, foi automático. Esses atores são todos faixa
preta, não tem nenhum de primeira viagem. Não precisei falar nada. No
final de “Tropa de Elite 2” (2010) tem aquela fala em Brasília…
“Quem diria que a milícia iria parar em Brasília?” Fui uma bola de
cristal desgraçada, mas eu nunca imaginei que isso fosse acontecer. Mas
aconteceu. Na verdade, estava falando de deputados eleitos com votos de
milícia. Não estava falando do Jair e do Flávio Bolsonaro, mas
aconteceu.
Você acha que a transformação do capitão Nascimento em um
herói contribuiu para tornar a direita menos envergonhada de se assumir?
No “Ônibus 174” (2002), eu mostro como o estado produz criminosos
violentos na figura do Sandro Nascimento [ex-menino de rua que
sequestrou o ônibus]. Aí eu quis fazer o outro lado da moeda, como o
Estado forma policiais violentos.
O “Tropa de Elite” (2007), certo?
Sim. Aí eu vou dar o mesmo nome para o personagem, Nascimento. Ao fazer
seu sucessor, porque ele vai ter um filho e não quer morrer, ele vai
fazer um cara igual a ele. Vai pegar um cara legal e transformar nele.
Para mim, é claro que o Nascimento é um cara que tortura, eu mostro ele torturando. Para meu espanto, um número razoável de brasileiros achou aquilo ótimo. Mais ou menos o que o Scorsese disse quando viu seu “Taxi Driver” no cinema: “Caralho, os caras estão aplaudindo o cara!”. Me disseram mesmo isso: “Tem muita gente de direita que saiu do armário por causa desse filme e agora a gente está vendo eles”.
via Folha de São Paulo

Esse Padilha e um fascista, mentiroso, puxa saco de uma direita corrupta. Como pode um formador de opinião ser tão mal caráter!
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