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Organizador do ataque ao Capitólio mantém contratos milionários com a PRF e PF e visitou Bolsonaro, diz site

    Daniel Beck (foto/arquivo pessoal), que esteve na “reunião de guerra” no Trump Hotel, onde planejou a tentativa de golpe nos EUA, esteve no Brasil em março de 2022 e visitou a Presidência da República

    O empresário americano Daniel Beck, que também participou da invasão do Capitólio – o Congresso dos EUA, em ‘6 de Janeiro‘ de 2021, esteve no Brasil em março de 2022 e visitou a Presidência da República, diz o jornalista Guilherme Amado, no Metrópoles, a partir de registros obtidos por sua coluna.

    O trumpista declarado é dono da Combat Armor Defense, que mantém contratos milionários com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a PF (Polícia Federal) no Brasil, diz a matéria que obteve documentos via Lei de Acesso à Informação, mostrando que o terrorista norte-americano, junto com o empresário Maurício Junot de Maria – representante da Combat Armor Defense no Brasil, entraram no Palácio do Planalto às 13h13 do dia 24 de março daquele ano, com destino à GPPR (Ajudância de Ordens do Gabinete Pessoal do Presidente da República), e saíram quase duas horas depois, às 14h58.

    Não há registros do motivo da entrada e se os empresários se encontraram com autoridades. Naquele dia, Jair Bolsonaro teve um encontro às 13h com o embaixador do Japão no Brasil, Hayashi Teiji, e às 15h com o subchefe para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência da República, Pedro Cesar Sousa, já no Palácio do Planalto. As informações estão na agenda pública de Lula, diz o jornalista.

    Sem a presença americana, Junot de Maria esteve no Gabinete Pessoal da Presidência outras duas vezes, em 7 de outubro e 11 de novembro de 2021. Nos dois dias, Bolsonaro também se encontrou com Pedro Cesar Sousa. Não há registro de reunião com o empresário. Junot De Maria informou que a Combat Armornão tem nada a declarar a respeito”. Daniel Beck foi contatado via Facebook, mas também não se manifestou. O espaço segue aberto.

    Contratos milionários

    Beck ganhou destaque após viralizar nas redes sociais um vídeo em que afirmou ter se reunido com Rudolph Giuliani, advogado de Trump, e com o empresário Michael Lindell, conselheiro do ex-presidente, na véspera do ataque ao Capitólio. A empresa Combat Armor Defense recebeu, desde 2021, R$ 30,8 milhões do governo federal, em contratos para o fornecimento de blindagem e veículos para a PRF e a PF, mostram dados do Portal da Transparência analisados pela coluna de Amado. Os contratos foram assinados após Junot De Maria se reunir com Eduardo Bolsonaro.

    Em agosto do ano passado, a Combat Armor foi proibida de licitar após deixar de entregar carros blindados a tribunais no Brasil. A punição foi aplicada pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), e serve para todo o poder público. A empresa não aceitou assinar o contrato necessário para a entrega dos bens ao alegar defasagem no preço. “Em dezembro de 2020 foram entregues pela empresa Combat Armor Defense dois veículos licitados pelo sistema de registro de preços, que foram direcionados para uso do TRF-2. Em 2021, a Corte efetuou na mesma ata novo pedido de fornecimento, porém a empresa vencedora do certame não entregou o bem e, por isso, foi penalizada pela Presidência do tribunal com sanção de impedimento de licitar com o poder público e com multa de R$ 52,6 mil, já paga”, esclareceu o tribunal. A empresa recorre do processo administrativo no TRF-2.

    A Combat Armor Defense, no entanto, também deixou de entregar carros blindados à Justiça Federal do Espírito Santo, no âmbito da mesma ata de preços. O juiz federal Fernando Cesar Baptista de Mattos também puniu a companhia. O magistrado, por sua vez, decidiu impedir a empresa de licitar apenas com a JFES, além de aplicar uma multa de 2% do valor do contrato. Mattos apontou que o comportamento da empresa ligada ao americano Daniel Beck foi “altamente reprovável e causou entraves à Administração desta Casa”.

    Uma matéria na Folha de S. Paulo, em 2021, mostrou que em janeiro de 2019, começo do governo Bolsonaro, Daniel e familiares mudaram o objeto social de sua empresa nos EUA, de prestação de serviços de publicidade para negócios voltados à área de segurança no Brasil. Surgiu, assim, a Combat Armor Defense, que firmou milhões de reais em contratos com o a Polícia Rodoviária Federal e o Ministério da Defesa.

    Beck ganhou destaque após viralizar nas redes sociais um vídeo em que afirmou ter se reunido com o advogado de Trump, Rudolph Giuliani, e com o empresário Michael Lindell, conselheiro do ex-presidente, na véspera do ataque ao Capitólio. Em outra gravação, no dia da invasão, Lindell mencionou que se encontrou com “o filho do presidente do Brasil” na noite anterior, quando Eduardo Bolsonaro estava em Washington naquele momento.

    De acordo com documentos do governo do estado americano de Idaho, a empresa de Daniel foi criada em 2011 com o nome de Ad Faction, Inc. Oito anos mais tarde, após um período de inatividade, foi resgatada com o nome de Combat Armor Defense. Em março de 2019, após cumprir algumas formalidades, a empresa se instalou no Brasil. Em seguida, começou a construir uma fábrica em Vinhedo, em São Paulo. Beck chamou Maurício Junot de Maria, empresário brasileiro que já atuava no setor, para ser administrador.

    Os negócios da empresa começaram a deslanchar a partir de 2020. Abriu uma filial no Rio de Janeiro e colocou superintendentes no Paraná, Espírito Santo e outro encarregado para o Nordeste. Após vencer pregões para o registro de ata de preços junto à Polícia Rodoviária Federal no Rio, a Combat Armor assinou com a corporação três contratos para blindagem de veículos, no valor total de R$ 8,3 milhões. Ganhou também disputa no Ministério da Defesa para o fornecimento de veículo de representação blindado por R$ 273 mil e foi vencedora de licitação da Polícia Militar do Rio de Janeiro para aquisição de veículos blindados para transporte de pessoal. Um contrato já foi assinado com a corporação no valor de R$ 9 milhões.

    O dono de uma empresa brasileira conhecida do setor, que competiu com a empresa de Beck em um desses pregões, disse à Folha ter ficado surpreso com o sucesso repentino da concorrente, uma empresa tão nova e com fábrica recém-aberta. Em conversa com a reportagem, Junot de Maria, que se apresenta como CEO da Combat Armor, afirmou que procurou Eduardo Bolsonaro na Câmara para apresentar a empresa. “Fui na cara de pau”, afirmou. “Bati na porta [do gabinete]. Ele estava lá por um acaso e me apresentei. E falei pra ele: ‘senhor Eduardo, tudo bem? Eu tenho uma empresa que faz isso e isso. Eu gostaria de um apoio teu”.

    1 comentário em “Organizador do ataque ao Capitólio mantém contratos milionários com a PRF e PF e visitou Bolsonaro, diz site”

    1. Arlete Brasileira

      COLOCA XANDAO E A PF PARA INVESTIGAR ESTA EMPRESA/MAFIA E SUAS RELAÇÕES COM OS MILICIANOS. MAIS SUJEIRA VAI APARECER. AI TEM O DEDO DA MÃO AMIGA DO EXÉRCITO
      Mui amiga.kkk

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