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Aliado de Nikolas foi preso por corrupção ambiental e lavagem de dinheiro, mostra Folha (vídeo)

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    Nikolas Ferreira
    Nikolas Ferreira ao centro / Imagem reprodução X/Folha


    Investigação federal expõe rede de fraudes em licenças minerárias, com prejuízos bilionários e impactos em áreas protegidas de Minas Gerais



    Brasília, 17 de setembro de 2025

    A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (17/set) a Operação Rejeito, uma ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal, visando desmantelar uma organização criminosa acusada de crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União em Minas Gerais.

    A operação resultou no cumprimento de 22 mandados de prisão preventiva, 79 mandados de busca e apreensão, afastamento de servidores públicos, bloqueio de ativos no valor de R$ 1,5 bilhão e suspensão de atividades de empresas envolvidas, conforme determinação da Justiça Federal em Belo Horizonte.

    Entre os alvos de prisão está o geógrafo Gilberto Henrique Horta de Carvalho, conhecido como Gilberto Carvalho, um bolsonarista radical e lobista apontado como articulador político do esquema.

    Aos 38 anos, ele atuava como elo entre empresários e servidores públicos, pressionando a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Alemg) para favorecer decisões em órgãos ambientais estaduais, como a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e a Agência Nacional de Mineração (ANM).

    As investigações revelam que o grupo corrompia fiscais para obter licenças fraudulentas, permitindo a exploração ilegal de minério de ferro em áreas tombadas e de preservação, como a Serra do Curral, com lucros estimados em R$ 1,5 bilhão e projetos em andamento avaliados em até R$ 18 bilhões.

    Gilberto Henrique Horta de Carvalho ganhou destaque político ao concorrer à eleição do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) no final de 2023, onde recebeu apoio público de figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

    Vídeos de endosso gravados por ambos foram divulgados nas redes sociais de Carvalho, que se apresentava como “empresário, cristão e de direita”, inspirado no legado do falecido político Enéas Carneiro – bordão também adotado por Bolsonaro, conforme mostra o perfil da Folha de S. Paulo, no X.

    Apesar do respaldo, Carvalho foi derrotado na disputa, mas as apurações da PF indicam que, na época, ele já integrava a rede criminosa, utilizando sua influência para obstruir projetos de proteção ambiental.

    De acordo com a mídia, o ex-delegado Rodrigo de Melo Teixeira, que atuou na cúpula da PF durante o governo Lula e investigou a facada contra Bolsonaro em 2018, foi preso por negociar direitos minerários com o grupo, em diálogos interceptados onde Carvalho o descrevia como alguém que estava “mandando e desmandando lá na PF”.

    Outros alvos incluem o presidente da FEAM, Rodrigo Gonçalves Franco, acusado de manipular pareceres técnicos e cobrar propinas; o ex-gerente da ANM em Minas Gerais, Leandro César Ferreira de Carvalho, que vazava informações privilegiadas; e o diretor da ANM, Caio Mário Trivellato Seabra Filho, facilitador de extrações ilegais.

    A CNN Brasil lista ainda empresários como Helder Adriano de Freitas, apontado como “diretor operacional” do esquema, e operadores financeiros como Felipe Lombardi Martins, conhecido como “o homem da mala”, responsáveis pela lavagem via empresas de fachada e contas offshore.

    A operação expõe como o grupo expandiu atividades após se tornarem réus na Operação Poeira Vermelha (2020), criando dezenas de firmas fantasmas e corrompendo órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF).

    As diligências, concentradas em Belo Horizonte, Ouro Preto e Brasília, continuam, com risco de desastres ambientais e humanos destacado pela PF devido à proximidade de barragens instáveis.

    Especialistas alertam que o caso representa o maior desmantelamento de crimes ambientais na história recente de Minas Gerais, revelando falhas sistêmicas no licenciamento minerário.

    Carvalho ostentava fotos com Nikolas Ferreira, Bruno Engler, Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro em seu Instagram, reforçando sua rede de contatos no bolsonarismo mineiro.

    Os investigados enfrentam penas que podem superar 30 anos de prisão. A PF enfatiza que a operação visa proteger o patrimônio ambiental e público, com novas fases possíveis à medida que avançam as análises de provas.



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