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Após Gilson Machado preso, Mauro Cid é alvo de operação da PF por tentativa de fuga e militar fará novo depoimento

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    Instituição policial investiga plano do ex-ministro envolvendo o ex-ajudante de ordens do réu por tentativa de golpe de estado Jair Bolsonaro – SAIBA MAIS

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    Brasília, 13 de junho de 2025

    O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira (13/jun), que investiga um suposto plano para facilitar sua fuga do Brasil.

    A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu buscas na residência de Cid em Brasília, onde foram apreendidos celulares, e a prisão do ex-ministro do Turismo do governo Bolsonaro, Gilson Machado, em Recife (PE).

    A operação também envolveu a convocação de Cid para prestar novo depoimento à PF ainda hoje.

    De acordo com informações da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), há indícios de que Gilson Machado teria atuado ontem, quinta-feira (12/jun), junto ao Consulado de Portugal em Recife para obter um passaporte português em nome de Mauro Cid, com o objetivo de viabilizar sua saída do território nacional.

    A tentativa, segundo os investigadores, não teve êxito, mas levantou suspeitas de obstrução de justiça e favorecimento pessoal, crimes que podem estar relacionados à ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, na qual Cid e Bolsonaro são réus.

    O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, chegou a decretar a prisão de Mauro Cid na manhã desta sexta-feira, mas a ordem foi revogada logo em seguida, antes que o militar fosse efetivamente detido.

    Segundo o advogado de Cid, Cezar Bittencourt, o tenente-coronel estava sendo conduzido a um batalhão do Exército quando a revogação foi comunicada.

    Apesar disso, Cid será ouvido pela PF para esclarecer os fatos, incluindo a tentativa de obtenção de cidadania portuguesa em janeiro de 2023, antes de sua primeira prisão, e o possível envolvimento de Machado no plano.

    A PGR, em manifestação enviada ao STF na última terça-feira (10), pediu a abertura de um inquérito contra Gilson Machado e solicitou medidas como busca e apreensão e quebra de sigilo telefônico e telemático do ex-ministro entre 1º de janeiro e 5 de junho.

    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou que a conduta de Machado pode configurar uma tentativa de obstruir a ação penal sobre o golpe, especialmente pela proximidade do encerramento da instrução processual.

    A PF também alertou que Machado poderia buscar alternativas em outros consulados para emitir o passaporte, o que reforça a necessidade de aprofundar as investigações.

    Arquivos encontrados no celular de Cid indicam que, em janeiro de 2023, ele tentou obter cidadania portuguesa, enviando documentos como sua carteira funcional, comprovante de cidadania portuguesa de sua mãe e o passaporte dela.

    A defesa de Cid, representada pela advogada Vânia Bittencourt, afirmou que o militar e sua família possuem cidadania e carteira de identidade portuguesas, mas negou qualquer intenção de deixar o Brasil sem autorização.

    Segundo a defesa, Cid se dispôs a entregar sua carteira de identidade portuguesa à Justiça brasileira.

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    Gilson Machado, por sua vez, negou as acusações.

    Em entrevista ao jornal O Globo na última terça-feira (10/jun), ele afirmou que sua ida ao Consulado de Portugal foi para tratar de questões relacionadas ao passaporte de seu pai, e não de Mauro Cid. Machado disse estar surpreso com o pedido de investigação e negou qualquer envolvimento em um plano de fuga.

    Contudo, a PF e a PGR sustentam que há “elementos sugestivos” de que a conduta do ex-ministro visava atrapalhar as investigações sobre a tentativa de golpe.

    Além disso, a PF apura a possível ligação de Machado com uma campanha de arrecadação de doações financeiras para Jair Bolsonaro, promovida por meio de seu perfil no Instagram, o que também chamou a atenção dos investigadores.

    Mauro Cid, que já foi preso preventivamente em março de 2024 por descumprir medidas cautelares de sua delação premiada, como a proibição de usar redes sociais e comentar sobre o acordo, é uma figura central nas investigações sobre a suposta trama golpista.

    Em seu acordo de delação, homologado pelo STF em setembro de 2023, Cid revelou detalhes sobre a articulação para manter Bolsonaro no poder após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.

    Ele também citou Machado, os ex-ministros Onyx Lorenzoni e Jorge Seif, e outros aliados de Bolsonaro como defensores de um golpe militar.

    A operação desta sexta-feira também ocorre em meio a novas denúncias. Segundo a revista Veja, Cid teria mentido em seu depoimento ao STF na última segunda-feira (9/jun) e usado um perfil falso no Instagram (@gabrielar702) para criticar o ministro Alexandre de Moraes e a PF, descumprindo a proibição de usar redes sociais.

    A defesa de Cid negou que ele tenha utilizado o perfil e classificou a matéria como “mentirosa”, pedindo ao STF a investigação da titularidade da conta.

    Jair Bolsonaro, em postagem no X, afirmou que as mensagens reveladas pela revista comprovam que o processo no STF é uma “farsa” e uma “perseguição” contra ele e seus aliados.

    A prisão de Gilson Machado e as buscas contra Mauro Cid intensificam as investigações sobre o entorno de Jair Bolsonaro, enquanto o STF se aproxima de decisões cruciais no processo da tentativa de golpe.

    A PF e a PGR continuam a apurar se outros envolvidos podem estar articulando ações para obstruir a Justiça, mantendo o caso sob sigilo e com desdobramentos ainda em andamento.

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