“Francisquinho” Nascimento, de Campo Formoso, na Bahia, foi flagrado na 5ª fase da Operação Overclean, que investiga fraudes em licitações e desvios de recursos públicos
Brasília, 17 de julho de 2025
A Polícia Federal (PF) deflagrou a quinta fase da Operação Overclean, uma investigação que apura desvios de emendas parlamentares, fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.
Durante a ação, agentes encontraram R$ 10 mil em espécie escondidos dentro de um par de sapatos na residência de Francisco Nascimento, ex-vereador de Campo Formoso, na Bahia, e primo do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA).
A descoberta, relatada pela CNN Brasil, reforça as suspeitas de práticas ilícitas envolvendo recursos públicos no município baiano.
A Operação Overclean, conduzida em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em cidades da Bahia (Salvador, Campo Formoso, Senhor do Bonfim, Mata de São João), Pernambuco (Petrolina) e no Distrito Federal (Brasília).
Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o afastamento cautelar de um servidor público e o bloqueio de R$ 85,7 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas, visando interromper a movimentação de valores ilícitos e garantir a reparação aos cofres públicos.
Francisco Nascimento, conhecido como Francisquinho, já havia chamado a atenção da PF em dezembro de 2024, quando foi flagrado jogando uma sacola com R$ 220 mil em espécie pela janela de sua casa, na tentativa de se livrar de provas durante outra fase da operação.
Na ocasião, ele foi preso, mas liberado dias depois. O ex-vereador, que atuou como secretário-executivo da prefeitura de Campo Formoso até o final de 2024, é suspeito de intermediar contratos fraudulentos com a prefeitura, favorecendo empresas em licitações manipuladas.Ligações Familiares e Políticas.
A operação também atingiu Elmo Nascimento, irmão de Elmar Nascimento e atual prefeito de Campo Formoso, que foi alvo de buscas em sua residência e gabinete.
As investigações apontam que os recursos desviados, provenientes de emendas parlamentares destinadas por Elmar Nascimento, eram utilizados em convênios entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a prefeitura de Campo Formoso.
Mensagens interceptadas revelam articulações de Francisco com a empresa Allpha Pavimentações, que recebeu R$ 56,9 milhões da prefeitura em 2023, indicando um esquema de favorecimento em troca de propinas.
Além disso, a PF investiga outros alvos, como o ex-presidente da Codevasf, Marcelo Andrade Moreira Pinto, e os empresários Evandro Baldino do Nascimento e Domingos Sávio Lima Nascimento, todos ligados ao suposto esquema.
A operação também revelou a prisão do pai de Marcelo Moreira por posse de arma irregular.
A Operação Overclean, iniciada em 2024, já identificou movimentações de cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos suspeitos, com R$ 825 milhões apenas em 2024.
O esquema, que envolve pelo menos cinco estados (Bahia, Tocantins, Amapá, Rio de Janeiro e Goiás), é liderado, segundo a PF, pelo empresário José Marcos de Moura, conhecido como Rei do Lixo, que teria influência sobre políticos e agentes públicos.
Casos de dinheiro escondido em locais inusitados não são novidade no Brasil. Em 2020, a PF já encontrou mais de R$ 63 milhões em dinheiro vivo com políticos em locais como cuecas, panelas e caixas térmicas, em operações como a Lava Jato e a Prato Feito.
O caso de Francisco Nascimento reforça essa prática, que muitas vezes visa ocultar recursos de origem ilícita.
A PF deve analisar celulares e computadores apreendidos para identificar novos envolvidos e possíveis quebras de sigilo bancário. A operação destaca a complexidade do esquema de desvios e a necessidade de maior transparência na gestão de emendas parlamentares, que têm sido alvo de críticas por sua falta de fiscalização.








