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Entenda a Operação Ícaro, do MPSP, que prendeu executivo da Fast Shop e dono da Ultrafarma

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    O executivo
    O executivo da Fast Shop, Mario Otavio Gomes (E) e o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira (D)


    Esquema de fraude fiscal envolve créditos de ICMS e o enriquecimento súbito da mãe de um auditor fiscal



    Brasília, 12 de agosto de 2025

    Uma megaoperação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na última terça-feira (12/ago) resultou na prisão de empresários e auditores fiscais suspeitos de um esquema de fraude fiscal que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas.

    A investigação, batizada de Operação Ícaro, tem como alvos principais o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e o executivo da Fast Shop, Mario Otavio Gomes, além de um auditor fiscal da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP).

    O Funcionamento do Esquema

    O centro da investigação é a manipulação de processos para liberar créditos tributários de ICMS de forma ilegal.

    O auditor fiscal, identificado como o cérebro do esquema, atuava diretamente na liberação e na aceleração desses processos para as empresas que pagavam propina.

    O esquema funcionava através de uma empresa de fachada, a Smart Tax, registrada em nome de Kimio Mizukami da Silva, de 73 anos, mãe do auditor e professora aposentada.

    De acordo com as investigações, a Smart Tax era o canal por onde a propina era repassada.

    A evolução patrimonial de Kimio é um dos pontos-chave da investigação: a mãe do fiscal teria saído de um patrimônio declarado de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2024, um salto financeiro que despertou a atenção das autoridades.

    A sede da empresa era a própria casa do auditor, em Ribeirão Pires, e a companhia não possuía funcionários.

    Os Nomes Envolvidos

    Sidney Oliveira
    Dono da Ultrafarma, é um dos principais nomes da operação. Mensagens de e-mail e outras evidências reforçam as acusações de que a empresa pagava propinas ao auditor em troca de benefícios fiscais. O MP-SP aponta que Oliveira tinha uma posição de comando no esquema, com o auditor utilizando, inclusive, o certificado digital da Ultrafarma para fazer pedidos no sistema da Sefaz-SP.

    Mario Otavio Gomes
    Executivo de longa data da Fast Shop, também está sob custódia. Ele foi diretor de tecnologia da varejista por 20 anos e, segundo a investigação, era o principal negociador da empresa com o auditor. A Fast Shop teria sido a única cliente da Smart Tax desde 2021, realizando dezenas de milhões de reais em transferências para a empresa de fachada.

    Desdobramentos e Outras Empresas

    A Operação Ícaro encontrou na casa de um dos envolvidos, Celso Éder Gonzaga de Araújo, pacotes de esmeraldas e uma grande quantidade de dinheiro vivo.

    O Ministério Público afirma que o esquema de propinas teve início em 2021 e outras empresas também podem estar envolvidas.

    As investigações agora se voltam para verificar a participação de outras gigantes do varejo, como OXXO e Kalunga, entre outras.

    A Secretaria da Fazenda informou que abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta do servidor e solicitou o compartilhamento de todas as informações do caso com o MP-SP.

    Em nota, a Fast Shop comunicou que ainda não teve acesso ao conteúdo da investigação e está colaborando com o fornecimento de informações às autoridades competentes.

    A defesa de Sidney Oliveira e a assessoria da Ultrafarma ainda não se manifestaram sobre o caso.



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