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    “Não tem nada a ver”, diz Flávio, mas investigação aponta desvio de R$ 108 mi para bancar filme sobre Bolsonaro

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    O senador e pré-candidato

    📷O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro durante coletiva de imprensa ao lado de parlamentares do PL após reunião do partio com as bancadas na Câmara e no Senado, em Brasília / Foto: PL no Congresso / Instagram | No detalhe, Karina Gama, dona da produtora de ‘Dark Horse’, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) / Foto: @theconnectfaith / Instagram via Folha de S. Paulo

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    01 de junho de 2026

    A manhã desta segunda-feira (1º/junho) foi marcada por uma operação da Polícia Civil de São Paulo que atingiu em cheio a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    A Operação Wi-Fi Livre cumpriu oito mandados de busca e apreensão na sede da produtora Go UP Entertainment, em endereços da empresária Karina Ferreira da Gama e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT).

    O alvo central é o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina, suspeita de fraudar um contrato de R$ 108 milhões com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para instalação de Wi-Fi gratuito em periferias de São Paulo.

    Diante dos fatos, quem se apressou em dar as caras foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

    Ao chegar a um evento no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro disse a jornalistas que a ação policial “não tem nada a ver com o filme”.

    A declaração, reproduzida pela Folha de S.Paulo e pelo O Globo, tenta descolar a imagem do parlamentar de mais esse escândalo.

    No entanto, os documentos oficiais da investigação pintam um quadro oposto. O delegado responsável pelo inquérito cita “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre o ICB e a produtora Go UP.

    Para a polícia, “recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme”, conforme registrou o UOL.

    As suspeitas incluem um calhamaço de irregularidades. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), que não tinha experiência em telecomunicações, teria sido o único participante do chamamento público.

    O contrato, que inicialmente previa a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi, não cumpriu as metas.

    Conforme a Agência Brasil, a ONG apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais irregulares. O Metrópoles destaca que, enquanto a estatal Prodam cobrava R$ 16,5 mil pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB previa R$ 1.800, um superfaturamento de quase 500%.

    Sob a ótica do Urbs Magna a operação expõe a promiscuidade entre o bolsonarismo e o uso espúrio de dinheiro público.

    Ainda na esfera federal, o nome de Flávio Bolsonaro voltou a ser associado a um esquema de desvio de emendas.

    A Polícia Federal (PF) investiga o envio de uma emenda parlamentar de R$ 199 mil do senador ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), uma ONG localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

    De acordo com o Valor Econômico, a suspeita é que a ONG integre um esquema de captura de verbas públicas comandado pelos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 76 anos de prisão por serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco.

    O operador do repasse teria sido Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”. Ele é ex-assessor de Domingos Brazão e também foi condenado na mesma ação penal.

    A investigação da PF revelou mensagens no celular de “Peixe” que tratam da liberação da emenda.

    Em outubro de 2023, um assessor dos Brazão procurou o gabinete de Flávio Bolsonaro. Um mês depois, em 29 de novembro de 2023, os R$ 199 mil foram contados no Ifop.

    O Brasil de Fato aponta que o esquema de ONGs ligadas aos Brazão movimentou pelo menos R$ 268 milhões entre 2020 e 2024.

    A assessoria de Flávio Bolsonaro limitou-se a dizer que “não é papel do parlamentar auditar os projetos” e que a emenda foi um sucesso, ajudando crianças.

    A defesa do senador também argumentou que parte do valor (cerca de R$ 5 mil) foi devolvida aos cofres públicos, conforme publicado pelo Valor Econômico.

    A estratégia de tentar minimizar o estrago, contudo, encontra respaldo frágil diante da enxurrada de provas coletadas pela PF.

    Cronologia retrógrada do cerco:

    segunda-feira (1º/junho):
    Polícia Civil de SP cumpre mandados contra Karina Ferreira da Gama e o Instituto Conhecer Brasil (ICB).

    20 de maio:
    PF revela investigação sobre a emenda de Flávio Bolsonaro para o Ifop.

    25 de fevereiro:
    STF condena irmãos Brazão e “Peixe” pelo assassinato de Marielle Franco. A operação que mira a produtora Go UP Entertainment e o aprofundamento das apurações sobre a ONG Ifop mostram um padrão de comportamento que conecta o clã Bolsonaro a figuras já condenadas pelo judiciário.

    Enquanto Flávio Bolsonaro pede votos para ser presidente, as instituições seguem na contramão de seu discurso, vasculhando contratos superfaturados e emendas suspeitas que ligam seu nome ao crime organizado.

    A Polícia Civil de São Paulo deve ouvir ainda nesta semana os sócios da Go UP Entertainment. A expectativa é que novos documentos apreendidos na sede da empresa e na Secretaria Municipal de Inovação sejam anexados ao inquérito, podendo revelar a extensão exata do dinheiro público usado no filme.

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    FAQ Rápido

    O filme “Dark Horse” está sendo investigado por que motivo?
    A polícia suspeita que recursos de um contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de SP para instalar Wi-Fi foram desviados para bancar a produção do filme. A ONG responsável pelo contrato é da mesma dona da produtora do longa.

    Qual a ligação de Flávio Bolsonaro com os irmãos Brazão, condenados pela morte de Marielle Franco?
    A PF apura uma emenda de R$ 199 mil enviada por Flávio a uma ONG que servia como laranja para o esquema de desvios dos Brazão. O intermediário do negócio foi Robson Calixto Fonseca (“Peixe”), assessor de Domingos Brazão e também condenado.

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