Mas para um comentarista da GloboNews, “ele só tem isso. O Bolsonaro precisa realmente emplacar o PL da anistia” – SAIBA MAIS
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Rio de Janeiro, 28 de março de 2025
Na noite de quinta-feira (27/mar), o programa Central GloboNews trouxe uma análise aprofundada sobre as movimentações políticas de Jair Bolsonaro (PL) após o ex-presidente se tornar réu por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os jornalistas Guilherme Balza e Natuza Nery discutiram as estratégias do ex-presidente, incluindo sua insistência no Projeto de Lei (PL) da anistia, em um diálogo que revelou as tensões e os cálculos políticos em jogo.
Balza relatou a postura de Bolsonaro durante o julgamento da Primeira Turma do STF, que o tornou réu por unanimidade, afirmando que o ex-presidente tomou decisões impulsivas, como comparecer ao Supremo e realizar duas entrevistas no estacionamento do Senado no dia do julgamento.
Segundo o comentarista, a primeira conversa com jornalistas, com quase uma hora, foi mais um pronunciamento, sem respostas a perguntas, cercado por aliados do PL, como deputados e senadores. E a segunda entrevista foi mais solitária, remetendo Bolsonaro ao velho cercadinho do Palácio do Alvorada, para onde o então presidente se dirigia todas as manhãs.
A jornalista Andréia Sadi havia afirmado, na quarta-feira (26/mar), que Bolsonaro improvisou, adotando o estilo de discurso dos “cercadinhos” de sua época como presidente. Na saída do Senado, Bolsonaro disparou ataques contra instituições e a Justiça Eleitoral, reeditando fake news.
Seus advogados e o senador Flávio Bolsonaro tentaram, sem sucesso, retomar o controle da fala ou encerrá-la, enquanto o ex-presidente insistiu em abrir para perguntas da imprensa, sendo contido por Flávio. O pronunciamento foi marcado por uma divisão entre a estratégia planejada e o improviso característico de Bolsonaro.
Em sua análise, Balza concluiu que Bolsonaro tem um discurso aleatório e sem estratégia clara de defesa. “Ele é incontrolável, faz as coisas sem combinar com a defesa. Bolsonaro é um animal político, mas não um estrategista pensando na defesa. Ele quer agitação política, e o Congresso é o flanco dele“, disse o jornalista.
PL da Anistia: A “Tábua de Salvação” de Bolsonaro
Natuza Nery interrompeu a fala de Balza para argumentar que há três frentes estratégicas para Bolsonaro para escapar das consequências judiciais: a primeira é o PL da anistia, a segunda, o perdão presidencial, em caso de vitória de um candidato de direita em 2026, e, a terceira, é a proposta de alteração do foro privilegiado, que levaria os processos de políticos para a primeira instância, dando mais tempo ao ex-presidente.
Contudo, Nery foi cética quanto à viabilidade do PL da anistia. “Pode ser que tenha número para passar na Câmara, mas ele ficaria barrado no Senado. Hugo Motta não quer comprar essa briga, porque isso o colocaria em conflito com o Supremo e transformaria seu mandato em uma discussão sobre anistia, sem garantia de avanço no Senado“, explicou.
Balza complementou observando que a pressão pelo PL pode crescer. “Se passar na Câmara, o custo político para Davi Alcolumbre segurar no Senado é muito grande. Se conseguirem transformar isso em uma pauta popular, com gente na rua, o cenário muda, embora o ato em Copacabana tenha tido menos público do que o esperado“, disse, referindo-se à manifestação “flopada“, segundo o termo usado pelo campo progressista.
Contexto Político e Judicial
No julgamento no STF, que tornou Bolsonaro réu, a Primeira Turma aceitou por unanimidade a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente e mais sete aliados, acusados de tentativa de golpe, liderança de organização criminosa e outros crimes. A análise de mérito, que definirá a condenação ou absolvição, ainda está por vir.
Enquanto isso, a pressão pela anistia tem sido uma constante. Segundo a Folha de S. Paulo, o projeto tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas foi paralisado para debate em uma comissão especial, o que pode atrasar sua votação.
A quarta opção seria a fuga do Brasil
A informação de que ministros da Corte máxima de Justiça do Brasil já estariam traçando possíveis rotas de fuga de Jair Bolsonaro teve menção feita por Andréia Sadi, em seu blog. A matéria, intitulada “Fuga por terra ou com jatinho, Argentina, EUA: investigadores traçam possíveis rotas de fuga de Bolsonaro em caso de prisão“.
Apesar do monitoramento relatado, Bolsonaro negou qualquer intenção de fugir. Além disso, a ideia de fuga é tratada como especulação por investigadores e ministros, sem evidências concretas de que o ex-presidente planeje deixar o país.
Guilherme Balza: “Ele [Bolsonaro] deu duas entrevistas esse dia [do julgamento da Primeira Turma do STF] ali no estacionamento do Senado: uma que durou quase uma hora, em que ele não respondeu a nenhuma pergunta. Até os jornalistas tentaram questionar, mas o advogado dele interrompeu, disse que não era… Era um pronunciamento. Na verdade, né? Quase uma hora falando e mais tarde ele sai de novo e começa a dar uma outra entrevista longa e tem uma diferença: na primeira entrevista estava toda a turma dele ali no entorno, em volta, né? Tinha deputados, senadores, etc. do PL. E da segunda vez não; ele já tava mais sozinho e com aquele discurso aleatório falando de diversos assuntos, lembrou muito o Bolsonaro do cercadinho, então ele parecia ali estar acuado, mas até conversando com figuras, com pessoas próximas ali ao Bolsonaro. As pessoas me disseram o seguinte: tudo foi a decisão dele ir pro Supremo. Acompanhar o primeiro dia foi uma decisão dele. Fazer esse tipo de coletiva meio improvisada ali duas vezes foi uma decisão dele, que ele é incontrolável. Ele faz as coisas, ele não combina com a defesa. Então, assim, ele é um animal político também, o Bolsonaro, né? Ele não, eu não vejo ali um estrategista pensando na defesa. Ele quer fazer agitação política e o Congresso é o flanco dele. Essa história do PL da anistia, sendo um factoide ou não, sendo viável ou não, é a tábua de salvação que ele tenta segurar. É assim a dúvida: se a Câmara aprovaria isso, se o Senado aprovaria, enfim, mas é algo que eles apostam pra manter a base engajada”.
Natuza Nery disse: “O Bolsonaro precisa realmente emplacar o PL da anistia. E aí eu queria entrar nesse assunto com vocês. Tem o PL da Anistia na fronteira, né? Diante dele. Tem o perdão presidencial na hipótese de um candidato de direita se eleger em 2026 e tem a proposta do foro privilegiado pra tirar o foro de todo mundo da política. E aí com isso, o Bolsonaro ganharia tempo porque iria pra primeira instância. Eu não sei vocês, mas eu não vejo agora espaço pro PL da anistia. Não é que não tenha número, pode ser que tenha número. Acho que se botar no Plenário pra votar, a Câmara tem chance de passar, mas ele ficaria barrado no Senado. E aí Hugo Motta não quer comprar essa briga. Ele passa, ele vai brigar com o Supremo. Ele vai brigar com todo mundo, vai transformar o mandato dele na discussão da anistia. E sem garantia de que no Senado isso iria se desenvolver.
Guilherme Balza: “Mas é uma pressão que vai crescendo, né, Natuza? se passar na Câmara o custo político para o Davi Alcolumbre segurar é muito grande. Se eles conseguem transformar isso numa pauta popular, colocando gente na rua, o que é difícil, que o ato em Copacabana tinha muito menos gente do que eles estão tentando transformar isso numa pauta com viés popular, é muito difícil“.










