📷 O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, com a bandeira da ONU ao fundo |•| Arte Urbs Magna |•| Arte Urbs Magna
| Genebra (CH)
24 de julho de 2026
A Comissão Independente Internacional de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, divulgou em 23 de junho de 2026 que autoridades e forças de segurança de Israel direcionaram deliberadamente crianças palestinas, configurando genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Gaza, além de crimes de guerra na Cisjordânia.
O achado importa porque reforça a responsabilidade estatal sob a Convenção contra o Genocídio e pressiona a comunidade internacional por accountability e fim da ocupação.
O relatório, intitulado “The essence of childhood has been destroyed [A essência da infância foi destruída]”, documenta violações desde 7 de outubro de 2023 até 31 de março de 2026.
Segundo a OHCHR (ou ACNUDH) – Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos -, a comissão reiterou a conclusão de 2025 de que Israel cometeu genocídio em Gaza e identificou o direcionamento de crianças como elemento central da intenção genocida de destruir, total ou parcialmente, o grupo palestino.
“As evidências mostram que crianças palestinas foram alvos deliberados e mortas pelas forças de segurança israelenses,” afirmou Srinivasan Muralidhar, presidente da comissão, na coletiva em Genebra.
Ele acrescentou que, mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025, crianças continuam a ser mortas e gravemente feridas, com desprezo pelo direito internacional.
Dados do relatório, confirmados pela UN News, indicam pelo menos 20.179 crianças mortas e 44.143 feridas em Gaza entre 7 de outubro de 2023 e 7 de outubro de 2025, representando cerca de 30% dos mortos. Centenas de casos adicionais ocorreram após o cessar-fogo.
A comissão registrou padrões de uso de munições de alto poder em áreas densamente povoadas, tiros precisos por snipers e drones, ataques a centros neonatais e de maternidade, bloqueio de ajuda humanitária gerando fome e colapso de saúde e educação.
Crianças sofreram prisões arbitrárias, tortura, violência sexual e trauma psicológico descrito como “occupied psyche [psique ocupada]”.
Na Cisjordânia, aumentaram a violência de colonos e maus-tratos em detenção. O texto completo do relatório está disponível no site da ONU.
A Reuters e a Al Jazeera registraram a reação imediata da Missão de Israel em Genebra.
O país rejeitou o que chamou de “second defamatory advocacy report [segundo relatório de defesa difamatória]” e declarou: “Israel dismisses this libelous sham [Israel rejeita essa farsa difamatória].”
A missão afirmou que “toda criança merece proteção” e que o relatório ignorou “as táticas brutais do Hamas”.
Em nota adicional, afirmou que Israel “se esforça consistentemente para minimizar os danos às crianças, mesmo em situações de conflito” e rejeitou “nos termos mais fortes” a acusação de direcionamento deliberado.
Também argumentou que o texto omitiu esforços israelenses de vacinação, entrada de equipes médicas e hospitais de campanha, além do contexto de ameaça terrorista na Cisjordânia.
O relatório conecta o direcionamento infantil à erosão da capacidade de autodeterminação do povo palestino, pois atinge a continuidade demográfica e social.
A polarização entre as conclusões da comissão — criada em 2021 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU — e a rebatida oficial israelense mantém aberta a disputa jurídica internacional, com pedidos de cessação de hostilidades, fim da ocupação conforme parecer da Corte Internacional de Justiça e justiça com participação palestina, incluindo crianças.
O documento cita unidades militares específicas e recomenda sanções e reparações. A comissão enfatizou que a proteção das crianças palestinas é inseparável do direito à autodeterminação.
FAQ Rápido
O que a comissão concluiu exatamente?
Que o direcionamento deliberado de crianças por autoridades e forças israelenses configura genocídio em Gaza e crimes de guerra na Cisjordânia.
Qual foi a resposta de Israel?
A missão em Genebra chamou o relatório de “libelous sham” e afirmou que o país se empenha constantemente em minimizar danos às crianças.
O relatório está disponível? Sim, no site da OHCHR e no PDF oficial.
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