ONU alerta para catástrofe humanitária em Gaza e cobra cessar-fogo imediato
Seis agências da Organização denunciam fome em massa e mortes de civis após rompimento de trégua por Israel – SAIBA MAIS
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Londres, 8 de abril de 2025
Seis agências da ONU — OCHA, UNRWA, UNICEF, UNOPS, WFP e WHO — emitiram um alerta conjunto exigindo um cessar-fogo imediato em Gaza devido a bombardeios contínuos, fome extrema e mortes de civis.
O apelo, publicado na segunda-feira (7/abr), destaca que há mais de um mês não entram suprimentos humanitários ou comerciais na região, bloqueados por Israel desde o colapso de um cessar-fogo em março.
Mais de 2,1 milhões de pessoas estão encurraladas, enfrentando bombardeios e escassez de alimentos, enquanto suprimentos como comida, remédios e combustível se acumulam nos pontos de travessia.
A UNRWA, principal agência para refugiados palestinos, relatou que atos de guerra em Gaza demonstram “total desrespeito pela vida humana”, com mais de mil crianças mortas ou feridas em apenas uma semana após o fim do cessar-fogo — o maior número de mortes infantis em uma semana no último ano.
A população sofre com fome em massa, caos e saques, enquanto as 25 padarias apoiadas pelo Programa Mundial de Alimentos fecharam por falta de farinha e gás.
O sistema de saúde, parcialmente operacional, está sobrecarregado, com hospitais como o Al-Shifa atendendo quase três vezes sua capacidade diária.
A escassez de suprimentos médicos e de trauma, além da falta de água potável e do aumento de doenças, agrava a crise.
Uma família viaja por Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em um veículo carregado com seus pertences. Foto: UNICEF/UNI724643/El Baba
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Durante o último cessar-fogo, em 60 dias, foi possível distribuir suprimentos vitais a quase toda Gaza, algo inviável nos 470 dias anteriores de guerra devido a bombas e bloqueios.
Contudo, o alívio foi temporário, e Israel afirma que há comida suficiente, o que a ONU classificou como “ridículo”.
Novas ordens de deslocamento israelenses forçaram centenas de milhares de palestinos a fugir novamente, sem refúgio seguro.
Pelo menos 408 trabalhadores humanitários, incluindo 280 da UNRWA, foram mortos desde outubro de 2023.
Em março, 15 paramédicos morreram baleados por forças israelenses, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino, que apontou “intenção de matar”.
A ONU estima que mais de 39 mil crianças perderam os pais, configurando a “maior crise de órfãos da história moderna”.
As agências apelam aos líderes mundiais para proteger civis, facilitar a entrega de ajuda, libertar reféns e retomar o cessar-fogo, alertando que, sem ação urgente, Gaza enfrentará uma tragédia humanitária ainda pior.
O comunicado é assinado por Tom Fletcher (OCHA), Catherine Russell (UNICEF), Jorge Moreira da Silva (UNOPS), Philippe Lazzarini (UNRWA), Cindy McCain (WFP) e Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus (OMS).
OCHA (Office for the Coordination of Humanitarian Affairs – Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários); UNRWA (United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East – Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo); UNICEF (United Nations International Children’s Emergency Fund – Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para Crianças); UNOPS (United Nations Office for Project Services – Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos); WFP (World Food Programme – Programa Mundial de Alimentos) WHO (World Health Organization – Organização Mundial da Saúde).
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