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Onda de frio extremo que derruba temperaturas a 45ºC negativos na América do Norte é causada por ruptura do Vórtice Polar

    Em alguns locais, a neve chegou a 1,5 m. Milhares de voos foram cancelados, restrições para dirigir foram impostas e cortes na transmissão de energia elétrica ocorreram

    by: Karina Lima, PhD candidate
    Climatology – UFRGS
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    “Uma onda de frio extrema está atingindo a América do Norte, causando dezenas de mortes nos EUA e Canadá. A causa é um evento de ruptura do Vórtice Polar (polar vortex). Mas o que é vórtice polar? As mudanças climáticas têm relação com isso?“, escreve a candidata a PhD em Climatologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Karina Lima.

    A onda de frio que afeta parte dos Estados Unidos e o Canadá já deixou pelo menos 59 mortes, segundo registros oficiais que foram reproduzidos no jornal Folha de S. Paulo. O fenômeno provocou a maior tempestade de neve já registrada na América do Norte.

    Em alguns locais, como em Buffalo, no estado de Nova Iorque, ele resultou ainda em outro fenômeno, chamado ciclone bomba, com acúmulo de neve acima de 1,5 m e temperaturas atingindo a marca de 45°C negativos em alguns locais.

    Milhares de voos foram cancelados, medidas de restrição para dirigir foram impostas em cidades da costa leste e pelo menos 55 milhões de americanos continuam em um estado de alerta para o vento frio. Dezenas de pessoas foram afetadas também por cortes na transmissão de energia elétrica devido às rajadas de vento, que provocaram a queda de fios e transmissores elétricos.

    Segundo Karina, “vórtices polares são áreas de baixa pressão e ar frio sobre ambos os polos da Terra. Geralmente se fala do vórtice do Polo Norte pela grande influência no clima de inverno do Hemisfério Norte. O fluxo de ar no sentido anti-horário (vórtice) ajuda a manter o ar frio perto do polo.

    Existe um vórtice (uma área de baixa pressão) na estratosfera, geralmente centrada acima do Polo Norte. Também costuma haver um vórtice mais abaixo, na troposfera (a “camada climática”). Quando surgem notícias costumam são referentes ao vórtex na estratosfera.

    Geralmente ele é estável e confinado ao Ártico, mas às vezes é perturbado. Quando o vórtice enfraquece, pode ser acompanhado por mudanças na corrente de jato – que desenvolve padrão ondulado enquanto circunda o globo. Na superfície, ar frio é empurrado para sul (latitudes médias).

    Eventos como esse podem ocorrer em alguns invernos e em outros não, mas no decorrer de um inverno típico, podem acontecer um a dois episódios em que o vórtice polar estratosférico é dramaticamente distorcido, gerando ondas de frio intensas (na América do Norte, Europa, Ásia).

    E as mudanças climáticas têm relação com isso? Estão tornando rupturas e distorções no vórtice polar mais frequentes? Essa é a pergunta que vale ouro e ainda não há um consenso (trago estudos com diferentes hipóteses ao final do fio).

    Alguns cientistas dizem que sim. Que o aquecimento do Ártico estaria causando interrupções no vórtice, por meio das mudanças na corrente de jato polar. Outros dizem que se trata de uma variabilidade natural e que aumento nos eventos já ocorreu anteriormente e não persistiu.

    Mas atenção! Não se trata de questionar se as mudança climática são reais – elas são e esta pergunta já foi respondida pela ciência climática há muito tempo. Trata-se de entender melhor os efeitos delas.

    Ainda precisamos entender melhor se e como o aquecimento anômalo no Ártico (que aquece quase 4 vezes mais rápido que a média global) influencia ondas de frio extremas. Esse sim é um debate que ainda está ocorrendo.

    Este artigo liga a onda de frio do Texas em 2021 ao aquecimento do Ártico. Condições mais quentes criariam ondas maiores e mais energéticas tornando a corrente de jato mais ondulada, com picos e depressões maiores. Isso afeta a circulação do vórtice polar.

    Aqui autores sugerem que, embora o aquecimento do Ártico e a perda de gelo marinho continuem, as tendências de curto prazo em extremos frios e ondulação do jato nas décadas de 1990 e 2000 não persistiram na última década, enfraquecendo o argumento anterior.

    Além do aquecimento do Ártico outra hipótese é de que elementos naturalmente variáveis do clima da Terra podem causar mudanças nas massas de ar no Ártico que interrompem a corrente de jato. O debate científico está aberto”.

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