É o que pensam presidentes de grandes empresas durante o enfrentamento de problemas durante a pandemia

Uma onda de demissões pode estar se avolumando nos planos de grandes empresas e surpreender o Presidente do Brasil Jair Bolsonaro, que apenas se preocupa com sua campanha para reeleição em 2022, argumentam presidentes de companhias com base em dificuldades no enfrentamento da pandemia de coronavírus.
De acordo com matéria de Joana Cunha no Painel Folha deste sábado (15), as diretorias das empresas estão de olho nas atitudes de Bolsonaro que, nesta semana, giraram em torno de seus planos eleitorais abalados pela debandada de importantes membros do Ministério da Economia.
Para os empresários, Bolsonaro perde tempo ante a urgência de uma solução para salvar as empresas que sucumbem ou não resistirão por muito tempo.
O presidente não apresenta ações neste sentido, dizem.
O auxílio emergencial, que encantou os sonhos da reeleição em 2022, é avaliado como um pontapé inicial importante que foi dado pelo Governo com o objetivo de salvar a economia.
Mas após o chute, o jogo continua. Tem que continuar.
“Quando as grandes e médias companhias começarem a anunciar cortes em massa, como fez a Renault com quase 750 funcionários no fim de julho, o barulho vai incomodar o governo”*.
A declaração supratranscrita foi, segundo a Folha, de um chefe de uma indústria preocupado com a falta de liquidez no setor produtivo.
Segundo o jornal, a “queixa é antiga: os bancos estão ricos, a indústria está seca, sem caixa, pagando juro alto e o BNDES não resolve” e “começam a crescer as apostas de que o setor aéreo vai acabar como o automotivo na interminável espera pelo socorro do BNDES para combater a pandemia“.
No começo deste mês, a Anfavea (associação das montadoras) avisou que já não conta mais com a ajuda do banco e vem recorrendo a recursos do mercado privado para se salvar, pontuou a Folha.
*Na última segunda (10) a Renault aceitou suspender as 747 demissões anunciadas no dia 21 de julho, após a Justiça do Trabalho determinar a anulação no último dia 5, e abriu um programa de demissões voluntárias, a ser concluído até o dia 20, detalhando a proposta durante assembleia realizada na entrada de sua fábrica em São José dos Pinhais, município do Estado do Paraná.
