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Olha ele aí de novo: Temer & Cia. se tornam réus no caso ‘Portos’ devido a propina

    Temer, coronel Lima e mais 4 viram réus por propina no caso do decreto dos portos

    Justiça Federal acolheu denúncia apresentada em dezembro passado pela PGR

    O juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, aceitou nesta segunda (29) denúncia contra o ex-presidente Michel Temer por, supostamente, aceitar propina para editar um decreto que favoreceu empresas do setor portuário.

    Com a decisão, Temer passa à condição de réu e responderá a uma ação penal pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

    O magistrado afirmou que a acusação apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal) atende aos requisitos formais previstos no Código do Processo Penal, havendo justa causa para que o processo criminal prossiga.

    Ele determinou que o ex-presidente e os demais réus sejam notificados para que apresentem suas defesas.

    Além de Temer, também se tornaram réus o coronel João Baptista Lima Filho, amigo dele, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, que assessorou o ex-presidente, e três executivos do grupo Rodrimar, que atua no setor portuário. Trata-se de Antônio Celso Grecco, Carlos Alberto Costa e Ricardo Mesquita.

    Os crimes imputados a eles, conforme as condutas apontadas pelo MPF, são os de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem.

    A denúncia original foi apresentada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em dezembro do ano passado.

    Com o fim do mandato de presidente, Temer deixou de ter foro especial perante o STF (Supremo Tribunal Federal) e o caso foi remetido à primeira instância. A Procuradoria da República no Distrito Federal ratificou a acusação.

    Segundo a denúncia, empresas como a Rodrimar, que opera no porto de Santos, conhecida área de influência do MDB, foram beneficiadas pelo decreto dos portos, assinado por Temer em 2017.

    O pagamento de propina ao ex-presidente teria sido feito por meio das empresas Argeplan, Eliland do Brasil, PDA Administração e Participação LTDA e PDA Projeto e Direção Arquitetônica, ligadas a Lima.

    Entre agosto de 2016 e junho de 2017, elas receberam créditos de R$ 32 milhões.

    O Ministério Público afirma que a edição do decreto foi parte de um esquema maior. Sustenta que o grupo de Temer recebeu propinas por 20 anos para beneficiar concessionárias do Porto de Santos.

    A defesa de Temer classificou a acusação de “absurda, sem amparo na prova dos autos”. “Ao contrário: a Rodrimar, que teria sido beneficiada pelo decreto dos portos, não o foi! E isso, repita-se, está provado no inquérito”, afirmou, em nota, o advogado Eduardo Carnelós.

    Ele disse –em referência à delação da JBS, que apontou a suposta ilicitude no caso– que “ainda será necessário tempo para pôr fim aos danos causados a Temer pelas acusações infundadas que tiveram início numa negociata efetuada com confessos criminosos”. “Mas dia chegará em que a mentira não produzirá mais notícia, a não ser a de que ela foi desmascarada”, acrescentou.

    Os advogados Aline Duarte e Cristiano Benzota, que representam o coronel Lima, informaram, também por escrito, que só vão se manifestar sobre o caso depois de “oficialmente cientificados da ação”.

    PRINCIPAIS INVESTIGAÇÕES CONTRA TEMER

    Angra 3

    • Situação: Réu (denúncia recebida pela Justiça)
    • Onde: Lava Jato no Rio
    • Acusado de chefiar organização criminosa que desviava recursos das obras da usina nuclear. Investigado em duas ações sob suspeita de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro

    Mala da JBS

    • Situação: Réu (denúncia recebida pela Justiça)
    • Onde: Justiça Federal no DF
    • Acusado de corrupção passiva por, supostamente, ser o destinatário final de uma mala com propina de R$ 500 mil da JBS

    Portos

    • Situação: Réu (denúncia recebida pela Justiça)
    • Onde: Justiça Federal no DF
    • Acusado de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro por suspeita de beneficiar empresas do setor portuário em troca de propina

    Reforma

    • Situação: Denunciado
    • Onde: Lava Jato em SP
    • Acusado de lavagem de dinheiro por meio de reforma na casa de uma de suas filhas. A suspeita é de que o dinheiro teve origem em propina arrecadada por empresa de coronel Lima

    Quadrilhão do MDB

    • Situação: Denunciado
    • Onde: Justiça Federal no DF
    • Suspeito de liderar organização criminosa que, supostamente, levou propina para favorecer empresas em contratos com Petrobras, Furnas e Caixa. Denúncia chegou a ser apresentada na época da Presidência, mas foi suspensa pela Câmara enquanto durasse o mandato


    Jantar no Jaburu

    • Situação: Investigado
    • Onde: Justiça Eleitoral em São Paulo
    • Suspeito de acertar com a Odebrecht propina e caixa dois para campanhas do MDB em 2014

    via Folha de São Paulo

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