Segundo o empresário ex-deputado delator da Lava Jato, “a manifestação foi convocada após pesquisas indicarem que há percepção na população de perseguição contra ele”, que “vai pousar na ‘Paulista’ como vítima dessa “perseguição implacável” do governo Lula e de Moraes
O empresário paranaense, ex-deputado e delator da Lava Jato, Tony Garcia, foi à sua conta oficial na plataforma de microblogging ‘X‘, nesta segunda-feira (12/2), para comentar a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) convocou a presença de seus apoiadores em um ato na Avenida Paulista, no Centro de São Paulo, para, segundo ele, se “defender das acusações dos últimos meses“.
Como se sabe, Bolsonaro foi duplamente declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), por dois motivos:
1) o uso político dos eventos oficiais do 7 de Setembro de 2022, quando intencionalmente transformou um ato oficial, custeado e organizado pelo governo federal, em um evento de campanha à reeleição, e
2) em razão de uma reunião promovida por ele com embaixadores em julho de 2022, na qual repetiu mentiras sobre o sistema eleitoral.
Tony Garcia afirma que “a manifestação foi convocada após pesquisas indicarem que há percepção na população de perseguição contra” Bolsonaro e que, por isso, o ex-presidente “vai pousar na ‘Paulista’ como vítima dessa “perseguição implacável”, do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes.
“O ex-presidente Jair Bolsonaro resolve “truncar” o ministro Alexandre de Moraes convocando ato na ‘Paulista’. Pelo jeito, Bolsonaro resolveu ir para o tudo ou nada”, escreve Tony Garcia.
Segundo o ex-deputado, “pessoas próximas dele dizem que o palanque pretendido por ele será gigantesco” e que “serão ao menos 20 senadores, 100 deputados e alguns convidados especiais, como a ex-deputada Janaína Paschoal, Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outros menos votados”.
“Sua esposa, Michelle Bolsonaro, terá papel preponderante nesse palanque, como a esposa que abdicou de seus afazeres para ficar ao lado do marido ‘perseguido’, que precisa de seu apoio”, diz Garcia.
“Esse é o roteiro esboçado até agora. É tudo muito incipiente ainda, porém, dizem os organizadores, se a ‘Paulista’ “bombar”, o tom será duríssimo em relação a Moraes, “pero sin perder la ternura”, escreve, usando uma expressão atribuída ao líder revolucionário Che Guevara, que participou da independência de Cuba ao lado de Fidel Castro.
Tony Garcia observa que, “nessa toada” pretendida por Bolsonaro, de se vitimizar, “o país continuará conflagrado e o ódio continuará a permear a sociedade comprometendo indelevelmente as nossas futuras gerações“.
Uma pesquisa da ‘AtlasIntel‘, divulgada há três dias, apontou que a maior parte da população acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está sendo perseguido injustamente, mas que ele planejou um golpe de Estado e que deverá ser preso.
De acordo com as mídias, a coleta do questionamento feito pelo Instituto de pesquisa foi feita após a operação ‘Tempus Veritatis’, deflagrada pela Polícia Federal, na quinta-feira (8/2).
O levantamento, repleto de contradições, mostra que para 42,2% dos entrevistados Bolsonaro está sendo perseguido injustamente, mas para 40,5%, não há injustiça. Sobre a prisão ainda neste ano, 38,2% disseram que isso ocorrerá, mas 25,5% não acreditam nessa hipótese, enquanto 36,4% disseram não saber.
Para 46,5%, Bolsonaro planejou um golpe de Estado, mas para outros 36,8%, não, enquanto 16,6% não sabem. Sobre o Judiciário, 50,9% não confiam “no trabalho e nos ministros do Supremo Tribunal Federal” e 42,3% confiam.
