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‘O Doca não foi capturado’, diz Contarato rebatendo ‘sucesso’ da operação declarado por Castro

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    Fabiano Contarato
    Fabiano Contarato |14.3.2029| Foto: Diego Bresani/UOL | Cláudio Castro / Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


    Governador do Rio de Janeiro será convocado para a CPI do Crime Organizado, presidida por Fabiano Contarato



    Brasília, 05 de novembro 2025

    Em entrevista ao jornal O Globo , o senador da República e presidente da CPI do Crime Organizado, Fabiano Contarato (PT-ES), enfatiza a importância de manter uma postura técnica na CPI, evitando discursos políticos e focando na segurança pública e na responsabilização de agentes.

    Neste sentido, o senador criticou a declaração de “sucesso” do governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, feita no mesmo dia da megaoperação policial no Complexo do Alemão, na capital fluminense, que deixou 121 mortos, incluindo 4 policiais.

    “A gente sempre precisa perguntar: a operação foi bem-sucedida? Restituiu a paz social? No caso da mais recente, tivemos 121 mortos — entre eles, quatro policiais —, e um dos alvos, o Doca, não foi capturado. Então, ela foi um sucesso?”

    Na entrevista, Contarato questionou a eficácia das operações em áreas como Alemão e Jacarezinho, ressaltando a necessidade de respostas concretas e revisão das corregedorias e condutas policiais. E disse que Cláudio Castro será convocado para explicar o que ocorreu.

    Segundo o capixaba, uma das linhas da CPI é o rastreamento financeiro das facções, e o Senado possui a estrutura necessária para isso.

    A matéria argumenta sobre Alessandro Vieira (MDB-SE), que afirma que não é necessário alterar a Constituição para promover a integração na segurança e Contarato concorda acrescentando que ela já prevê essa integração.

    Ele ressalta que a responsabilidade pela segurança é do Estado e que o governo está discutindo a PEC da Segurança, que deve manter a autonomia das forças.

    Segundo Contarato, a análise do Parlamento será feita, mas a CPI visa fornecer uma resposta concreta à população.

    Fabiano Contarato expressou a necessidade de tratar a Segurança Pública com responsabilidade, sem romantizações, e destacou que, apesar de apoiar os direitos humanos, é essencial abordar políticas públicas como combate à desigualdade e educação.

    Ele mencionou que o crime é um fenômeno social e que todos desejam reduzi-lo, citando críticas recebidas por aumentar o tempo de internação de adolescentes infratores, mas reafirma sua convicção sobre a seriedade das penas e a questão da impunidade, questionando a justiça em penas reduzidas para crimes graves.

    Contarato diz que a CPI precisa agir proativamente, focando no que é importante, respeitando as competências da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal, e promovendo a integração entre União, estados e municípios.

    A jornalista questionou Contarato sobre o domínio do tema da Segurança Pública pela direita e ele respondeu que entende “que passou da hora de o campo progressista assumir essa pauta, porque ela é apartidária”.

    O petista acrescentou que a Segurança Pública “não pode ser exclusiva da direita ou de quem tem um perfil mais conservador”. E que “essa é uma determinação constitucional, independentemente de partido”.

    “Eu tenho a minha consciência tranquila. Em vários temas eu já contrariei orientações do próprio campo partidário. E é por isso que hoje fico numa posição confortável para conduzir essa comissão parlamentar de inquérito” , concluiu.

    O senador petista afirmou que acredita que seu partido não interferirá em sua atuação independente à frente da CPI, respeitando suas convicções.

    Sobre o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, Contarato disse que ele enfrenta desafios, mas tem a oportunidade de fortalecer o diálogo com o Parlamento.

    Por fim, Contarato criticou a fala do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre o traficante ser “vítima” do usuário de drogas dizendo que o estadista “foi infeliz na colocação”.

    “Temos que entender que o traficante é o que há de mais pernicioso dentro da sociedade brasileira. O traficante mata. Por isso, defendo mais rigor, inclusive no aumento das penas para o tráfico de entorpecentes”, afirmou.

    (…) se for necessário alterar a legislação, seja para aumentar a pena do tráfico, seja para restituir a paz nas comunidades, eu vou apoiar”.



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