O covid-19 e o capitalismo financeiro genocida – por Afranio Silva Jardim

18/03/2020 1 Por Redação Urbs Magna
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Afranio Silva Jardim enfatiza, em seu texto intitulado ‘O novo coronavírus e o neoliberalismo‘, a importância e os efeitos positivos de um Estado quando, diferentemente do neoliberalismo brasileiro bolsonarista que aí está, valoriza a Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia, etc, como preservadores da espécie humana.

Lula e Afranio Silva Jardim

O capitalismo mata“, diz Afranio. “O capitalismo é o maior genocida da história da humanidade“. Leia a transcrição abaixo:

Agora os ‘liberais’ estão percebendo a importância do Estado, seja no aspecto econômico, seja nos aspectos médico e sanitário.

O ‘deus mercado’ não resolve estas questões. A iniciativa privada fica ‘pendurada’ nas políticas do Poder Público.

Trata-se de um capitalismo que concentra os lucros e socializa os prejuízos. Vale dizer, capitalismo com baixo risco para os empresários.


Que medidas concretas a classe empresarial está tomando para minimizar os danos sociais decorrentes desta pandemia?


Qual a contribuição efetiva da iniciativa privada para diminuir o sofrimento e desconforto da população?


Agora os místicos e religiosos estão percebendo a importância da ciência e da tecnologia.


Parece que não estão realizando curas espirituais ou simplesmente rezando à espera de milagres divinos …


Por que os ‘bispos macedos’ não estão afastando o demônio das pessoas contaminadas pelo novo coronavírus?

Por que os idiotas que são contra as vacinas estão ansiosos pela pesquisa científica em prol de medicamentos aptos a combater o danoso vírus? Estão eles seguindo os conselhos preventivos fornecidos pelos cientistas e médicos especializados?

A conclusão que se tira disso tudo é o que o novo coronavírus veio tornar ainda mais claro a fragilidade deste sistema capitalista extremado e que a figura do Estado é fundamental para a própria preservação da espécie humana.
O capital não sabe, não quer, e não tem condições para resolver os grandes problemas mundiais e está sempre ‘sugando’ o Poder Público.

Na verdade, como sempre digo, neste modelo deletério de sociedade, o Estado passa a ser a expressão política do poder econômico. Por isso, se diz que o capitalismo financeiro é um grande genocida.

Não há como negar: o capitalismo mata. O capitalismo é o maior genocida da história da humanidade, seja pelas guerras colonialistas ou imperialistas, seja pela pobreza e miséria da maioria da população mundial.

A conjugação do capitalismo com o autoritarismo deságua no tenebroso fascismo, cujos valores deletérios levam a nossa civilização à truculência e ao obscurantismo.

Importante perceber a importância do conhecimento científico e combater, com todas as forças, o obscurantismo pregado pela extrema direita em nível mundial. O fundamentalismo religioso não é compatível com a ciência, o conhecimento histórico e com a cultura de um modo geral.

Esperamos que esta trágica pandemia venha, ao menos, servir para expor as falsas promessas deste pernicioso sistema econômico neoliberal e desperte a população para uma percepção mais crítica do desenvolvimento de nossa civilização.

Justiça social, humanismo, educação, cultura e ciência são a salvação para as futuras gerações.

Mais Estado Popular. Mais democracia. Mais distribuição da renda nacional. Menos cobiça, menos ganância, menos mediocridade e menos concentração de rendas.

Em resumo: vida digna para todos ou barbárie.


Afranio Silva Jardim, mestre e livre-docente em Direito pela UERJ”

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